É preciso abrir tudo, mas sem pressa, com planejamento e sem atitudes tresloucadas

Crise do novo Coronavírus foi transformada em cabo de guerra com riscos à democracia

Lojas abrem em algumas cidades com orientação para evitar aglomeração. Fernando Frazão/ABr

Temos visto no nosso dia a dia gente indo às ruas em carreatas e até em atos que flertam com o golpismo para cobrar a reabertura do comércio. A verdade é que a crise trazida pelo novo Coronavírus pegou todo mundo de calças curtas e acirrou os ânimos e o fosso do dualismo político irracional vivido no Brasil. De um lado, os que defendem o isolamento social agora são tratados como comunistas. Do outro, os que defendem a reabertura de tudo são tachados de ex-trema direita. No meio, a falta de racionalidade que indique um caminho a ser seguido.

Esse dualismo é personificado nas figuras dos governadores e prefeitos, de um lado, e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do outro. O primeiro grupo segue as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o segundo o desejo incontido de reabrir toda a atividade econômica. Ambos têm posições legítimas e conciliáveis em parte, mas não conseguem encontrar o caminho em meio ao labirinto que criaram. O resultado disso tem sido posturas autoritárias e por vezes tresloucadas do presidente e seus seguidores de um lado e os governadores e prefeitos fechados em copas do outro. Mas o caminho, é bom que se diga, caberia ao presidente indicar.

Bolsonaro, no entanto, colocou-se numa trincheira de isolamento e politizou o problema, evitando a mesa de diálogos com os governadores. Ele teme João Dória (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio de Janeiro) como potenciais adversários em 2022 e isso tem atrapalhado a busca de soluções conjuntas. É importante dizer, no entanto, que o gestor ganharia mais politicamente se procurasse ser o condutor ou a luz para fora do túnel. Precisávamos, neste momento, de líderes como se mostraram as gestoras da Finlândia e da Alemanha. Não precisamos de alguém que, para impor sua autoridade, leva partidários para as ruas em atitude antidemocrática e golpista.

Não adianta ao presidente mudar ministro para dizer que a meta é abrir tudo. A crise não vai ser resolvida no grito. É preciso estabelecer parâmetros, testar a população, observar a curva de contaminação e levar em conta a capacidade de atendimento nos nossos hospitais. Depois disso, estabelecer por etapas a reabertura. Onde a situação dá sinais de controle, as lojas precisam ser abertas sem esquecer os critérios de segurança para o cidadão. Todo mundo terá que usar máscara em público. É preciso distanciamento social, evitar aglomerações, estimular a higienização, etc.

O governo federal sabe que a subnotificação no Brasil é gigantesca. Os governos estaduais também. Falta segurança para indicar a melhor hora de estabelecer a abertura. É visível, com base no que vimos em outros países, que o Brasil conseguiu achatar a curva. O crescimento das contaminações por aqui foi bem mais lento que em muitos países da Europa e nos Estados Unidos. Agora é preciso buscar os passos seguintes. Eles passam, invariavelmente, por fazer testagem massiva na população. Essa é uma solução que o presidente precisará coordenar, partir à frente dos governadores. O pior cenário, neste momento, é confundir a população.

Percebe-se, nas ruas, que muita gente tem saído e procurado retomar algum nível de normalidade em suas vidas. Isso é natural, humano e perigoso. Não são muitos os que usam máscaras. Em João Pessoa, menos de 50% das pessoas respeitam o isolamento social e a situação é pior em cidades do interior. E tudo isso acontece por que não há linearidade em medidas adotadas pelos governantes. Bolsonaro segue por um caminho, os governadores seguem por outro. Os dois lados têm razão, em parte, e pecam quando não estabelecem critérios com lastro científico.

É preciso aos Executivos a criação de medidas de esclarecimento à população, distribuição de máscaras e planejamento. A receita para a abertura existe e vem sendo aplicada nos países que sofreram primeiro os efeitos da pandemia. Eles têm aberto a economia por setores e observado se a curva se mantém. Quando tudo dá certo, abrem outro setor da economia. Esse é um critério, com base científica. É importante estabelecer medidas duras, mas lógicas para o funcionamento. Um exemplo é obrigar o uso de máscaras nos estabelecimentos abertos.

O que não dá é uma pandemia virar cabo de guerra entre governadores e o presidente. Isso por que no meio de tudo estão as pessoas, as empresas e o futuro do país. Todos queremos que a economia volte a girar e os empregos sejam salvos, mas tudo isso com segurança para a vida do cidadão. Essa é a prioridade.

7 comentários - É preciso abrir tudo, mas sem pressa, com planejamento e sem atitudes tresloucadas

  1. Naldo Silva Disse:

    Para quem não quer ler tudo ele falou que a Culpa é do Presidente Bolslnaro.

  2. Aleksander Calazans Disse:

    Quem escreve um artigo dessa maneira, sem colocar a verdade, não merece credibilidade. Não foi falado da decisão do STF deferida para os governadores, o presidente nunca falou em “abrir geral”, e por aí vai. A realidade se chama abstinência de corrupção, por isso essa guerra toda.

    • Suetoni Disse:

      Amigo, desculpe. Não sei em que planeta vc tem procurado informações. Elas são fartas e estão em áudio e vídeo para quem queira ver, ler e ouvir. Ou precisa de legenda?

    • Naldo Silva Disse:

      verdade! Isso aí ainda se diz jornalista imparcial, só que o mesmo já assumiu em quem votou e quem queria que ganhasse então na´se espera mt desse tipo.

      • Suetoni Disse:

        Não sei de onde o caro leitor tirou essa informação sobre o meu voto, que é secreto. Esse espaço é de opinião, com opinião sempre baseada em fatos. Todos eles (fatos) são citados. Não tenho pretensão de agradar a todos, porque todos têm direito a opinião pessoal. Quando afirmo, eu explico por que estou afirmando. Quem tiver o desejo de ler, é bem-vindo. Não precisa concordar. Nem Jesus, um ser inigualável entre os que pisaram este solo, agradou a todos. Se Ele voltasse hoje com os mesmos ensinamentos de amor e tolerância teria o mesmo fim, justamente por causa daqueles que usam o nome dele em vão.

  3. Bruno Skylab Disse:

    A matéria é excelente, muito bem escrita, mas como o próprio texto diz, a polarização no Brasil é extrema. Por isso as pessoas se enfurecem quando não leem aquilo que querem ler.

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