Carreata da vergonha: grupo ignora exemplo da Itália e pede fim do confinamento

Carreata de empresários e profissionais liberais ocorre em meio a alertas de risco de “genocídio”

Grupo bolsonarista faz carreata de apoio ao fim do confinamento. Foto: Walter Paparazzo/G1

Meu avô batia na tecla de que errar é humano, mas permanecer no erro é burrice. A lição é milenar, mas exige dois neurônios para ser compreendida até hoje. As carreatas de empresários, profissionais liberais e motoristas de aplicativo ocorreram em João Pessoa e Campina Grande ao mesmo tempo em que estatísticas do Imperial College London mostram que o Brasil pouparia mais de um milhão de vidas mantendo o isolamento social. O movimento de pessoas que só pensam em si ocorre em todo o Brasil, estimuladas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os protestos seguem a linha do ocorrido em Turim, na Itália, a partir de 27 de fevereiro. Na época, o “#turim não pode parar” ocorria em meio a 12 mortes pelo Covid-19 e contagiou o país. O contágio foi bem além da frase fácil criada na capital econômica do país. Dias depois, toda a Itália, principalmente Turim, deixou de ter espaço para tantos corpos de pessoas vitimadas pela pandemia. Uma lição não aprendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fiador da campanha brasileira. Até um vídeo foi criado com a hashtag #obrasilnaopodeparar.

Uma decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro, neste sábado (28), proibiu a Presidência da República de pagar pela propagação do vídeo. Isso depois de gastos para a sua produção. O fato é que a irresponsabilidade do presidente, baseada em conceitos anticiência e anti-lógica, pode custar muitas vidas de brasileiros. O rol inclui, também, muitos eleitores do gestor. Os cálculos do Imperial College London estimam que 1,15 milhão de brasileiros poderão morrer por causa da propagação do novo Coronavírus se não houver isolamento.

Até para pessoas com pouca massa encefálica é fácil entender que não existe lógica que sustente que erros similares aos da China e da Itália não produzam resultados iguais. Os Estados Unidos seguiu na mesma linha do agora defendida por Jair Bolsonaro e o próprio Donald Trump voltou atrás. Agora ele obriga a GM a fabricar respiradores o quanto antes. O mesmo ocorreu com a Inglaterra, onde Boris Johnson relutou inicialmente. Depois de ele mesmo ser contaminado pelo novo Coronavírus e entrar em isolamento, usou os dados do Imperial College London para justificar o endurecimento do isolamento social no país.

O Brasil deve ultrapassar a marca de 100 mortes neste sábado (28), mas ainda engatinha rumo ao genocídio que veremos nos próximos dois meses. Os exemplos de outros países mostraram que quanto mais tempo se demora para tomar atitute, mais os efeitos são danosos e a solução é demorada. Tivemos uma sorte de ouro, de ver o exemplo dos outros países enfrentando a enfermidade primeiro. Agora jogamos essa vantagem estratégica no lixo. O maior fiador desta aventura macabra tem sido o presidente, cujo mandato não resistirá a 600 mil mortes.

Confira o resultado do cálculo matemático elaborado pelo Imperial College London para os cenários da COVID-19 no Brasil.

Cenário 1- Sem medidas de mitigação:
– População total: 212.559.409
– População infectada: 187.799.806
– Mortes: 1.152.283
– Indivíduos necessitando hospitalização: 6.206.514
– Indivíduos necessitando UTI: 1.527.536

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Cenário 2 – Com distanciamento social de toda a população:
– População infectada: 122.025.818
– Mortes: 627.047
– Indivíduos necessitando hospitalização: 3.496.359
– Indivíduos necessitando UTI: 831.381

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Cenário 3 – Com distanciamento social E REFORÇO do distanciamento dos idosos:
– População infectada: 120.836.850
– Mortes: 529.779
– Indivíduos necessitando hospitalização: 3.222.096
– Indivíduos necessitando UTI: 702.497

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Cenário 4 – Com supressão tardia
– População infectada: 49.599.016
– Mortes: 206.087
– Indivíduos necessitando hospitalização: 1.182.457
– Indivíduos necessitando UTI: 460.361
– Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 460.361
– Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 97.044

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Cenário 5 – Com supressão precoce
– População infectada: 11.457.197
– Mortes: 44.212
– Indivíduos necessitando hospitalização: 250.182
– Indivíduos necessitando UTI: 57.423
– Demanda por hospitalização no pico da pandemia: 72.398
– Demanda por leitos de UTI no pico da pandemia: 15.432

Em resumo, para o Imperial College, no Brasil, a diferença entre ficarem todos em casa (supressão) ou adotar uma estratégia mais branda de mitigação e proteção apenas dos grupos de risco pode ser da ordem de MEIO MILHÃO de vidas.

3 comentários - Carreata da vergonha: grupo ignora exemplo da Itália e pede fim do confinamento

  1. Maria do Socorro Disse:

    Vamos deixar de histeria,não vamos calcular número de mortos,pecamos a Deus que essa nuvem passageira,passe.logo.Vamos orar,rezar pedir a DEUS para que nos proteja com. Nossas familias e todo povo Brasileiro e do mundo inteiro

  2. Jean Castro Disse:

    Bolsonaro tem razão. A pandemia só acaba com a imunização natural da população. A destruição da economia trará prejuízos bem maiores para o país.

  3. Amilton Disse:

    Imunização segura é com vacinação em Massa, ao contrário, expor a população ao risco já conhecido, é barbárie, genocídio!…. Se eu soubesse de certeza, quem são esses empresários e profissionais liberais, nunca mais veriam a cor de um real meu!…. Egoísmo é para ser pago na mesma moeda!….

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