Bolsonaro muda o tom em videoconferência com governadores do NE e anuncia pacote de R$ 88,2 bilhões

João Azevêdo cobrou implantação de um programa de renda básica para autônomos, testes rápidos, insumos e EPIs

Por Larissa Claro

O presidente Jair Bolsonaro em videoconferência com governadores do Nordeste. Foto: Isac Nóbrega/PR

O governador João Azevêdo participou, nesta segunda-feira (23), de videoconferência com o presidente da República Jair Bolsonaro, para discutir ações de enfrentamento ao coronavírus e ouvir respostas do governo federal às demandas apresentadas pelo Fórum de Governadores do Brasil.

O encontro virtual reuniu os governadores do Nordeste, que em grande parte fazem oposição ao governo federal, e mostrou uma postura mais “institucional” do presidente, que chegou, inclusive, a parabenizá-los “pelos entendimentos e cooperação para se vencer os obstáculos”. Bolsonaro ainda anunciou um pacote  de R$ 88,2 bilhões para atender estados e municípios no combate a pandemia da Covid-19.

Na ocasião, o governador João Azevêdo cobrou a necessidade da instituição da renda básica da cidadania para atender neste momento os profissionais autônomos; solicitou o envio de insumos e equipamentos de proteção individual (EPI) e questionou sobre o prazo de entrega dos testes rápidos para o diagnóstico da Covid-19 nos Estados.

“Eu acho que esse é o caminho, de o governo federal assumir o que é preciso, que é o comando de todas as ações, em um momento tão diferente no Brasil, que terá de rever, inclusive, vários conceitos, após a saída dessa crise, não só no campo econômico, mas de urbanização de cidades, por exemplo”, pontuou o governador da Paraíba.

Em postagens no Twitter na tarde de ontem, em meio as agendas com os governadores do Norte e Nordeste, o presidente anunciou, de forma macro, a divisão do pacote de socorro aos Estados e municípios: informou que pretende suspender o pagamento de R$ 12,6 bilhões de dívidas dos estados com a União. Também confirmou a recomposição, por parte do governo federal, de R$ 16 bilhões nos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – a ajuda compensará a perda de arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os cofres estaduais.

Outras iniciativas do governo para minimizar a crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus no Brasil é a transferência de R$ 8 bilhões de recursos para fundos de saúde estaduais e municipais que, segundo ele, representa o dobro do valor pedido pelos governadores. E mais: R$ 2 bilhões com assistência social; R$ 9,6 bilhões com renegociação de estados e municípios com bancos; e R$ 40 bilhões com operações facilitadas de crédito.

Nos últimos dias, o presidente não escondeu críticas aos governadores de todas as regiões do país à forma como estão reagindo à pandemia. “O povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”, disse no último domingo (22). Ao contrário do que prega o próprio Ministério da Saúde, Bolsonaro considera as iniciativas dos Estado excessivas. A suspensão do transporte público e o fechamento do comércio, por exemplo, causam “histeria”, segundo o presidente, e prejudicam a economia.

Nas reuniões desta segunda, contudo, Bolsonaro resolveu agir com a diplomacia que o cargo exige. “Todos nós queremos, ao final dessa batalha, sair fortalecidos”, disse aos governadores.

Mas ainda ontem, após a videoconferência, uma decisão da Justiça colocou os governadores do Nordeste mais uma vez em lado oposto ao presidente. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União apresente dados que indiquem o motivo dos cortes realizados até o momento e suspenda as demais restrições ao programa Bolsa Família. Sete Estados nordestinos, entre eles a Paraíba, entraram com ação judicial pedindo a proibição dos cortes neste período de enfrentamento a pandemia do novo coronavírus.  A ação ainda terá julgamento definitivo.

 

 

 

 

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