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Na guerra contra o coronavírus, o pedido de socorro vem do front

Profissionais da saúde reclamam da falta de EPIs e se sentem em risco

Por Larissa Claro

Depois de ameaçar parar, profissionais do Samu de Patos receberam equipamentos de proteção na tarde desta sexta-feira (20) 

Na guerra contra o avanço do coronavírus no Brasil, soldados são mandados ao front sem arma e treinamento. É assim que muitos profissionais da saúde estão se sentindo, enquanto uma operação de guerra tem sido montada para conter o avanço da Covid-19 no Estado. Essa semana, em Patos, profissionais do Samu usaram as redes sociais para pedir socorro. Sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e sem treinamento para lidar com possíveis casos de infecção no município, muitos apelaram para o poder de compartilhamento que as redes sociais têm.

Ao temer pela pela própria vida e a vida de familiares, a categoria ameaçou parar. Segundo uma enfermeira do município, os únicos equipamentos disponíveis até o início da sexta-feira (20) eram máscaras cirúrgicas simples e em pouca quantidade, além de luvas de tamanho inadequado. Sem contar a falta de orientação e treinamento para lidar com a pandemia. As denúncias dão conta de profissionais afastados tardiamente da atividade, mesmo convivendo diariamente com pessoas em grupo de risco.

Nas últimas 24 horas, o apelo da categoria ganhou repercussão e a pressão surtiu efeito. Os EPI’s foram entregues pela Prefeitura Municipal na sexta-feira à tarde. À imprensa local, o prefeito Ivanes Lacerda (MDB) justificou o atraso pela dificuldade de aquisição do material na conjuntura atual. O blog procurou a secretária de saúde do município para esclarecer outros pontos, mas não teve retorno até a publicação.

Ainda essa semana, em João Pessoa, o vereador Lucas de Brito fez coro aos apelos de médicos e enfermeiros alertando sobre a insuficiência de suprimentos adequados para atender os pacientes com segurança. “São relatos preocupantes de profissionais que estão na linha de frente no combate ao coronavírus e que se deparam com dificuldades para proteger a si próprios e aos que procuram auxílio em unidades de saúde”, disse o vereador.

Os relatos vindos de cidades de médio e grande porte do Estado nos faz pensar como estão se sentindo os profissionais de saúde das pequenas cidades paraibanas. Afinal, postos de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e Samu, todos coordenados pelos municípios, são responsáveis pelos primeiros atendimentos da população.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, não faltam EPIs nos hospitais de referência no atendimento a pacientes contaminados pelo coronavírus no Estado, que são o Clementino Fraga e o Hospital Universitário Lauro Wanderley. A assessoria garante que as unidades estão abastecidas e que há um processo de aquisição em andamento, fruto do Plano Estadual preparado no final de janeiro.

Ontem, em várias partes do país, a população voltou a reconhecer a importância do trabalho dos profissionais de saúde por meio de ato simbólico e comovente. Aplausos e palavras de agradecimento ecoaram das janelas e sacadas de prédios de todo o Brasil, como já havia acontecido no dia anterior, em reconhecimento ao trabalho desses profissionais.

A “parte que nos cabe neste latifúndio” é muito pequena, diante da grandeza e dos riscos impostos a médicos, enfermeiros e técnicos em tempo de pandemia: ficar em casa, respeitar o isolamento. Faça a sua parte.

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