Operação Calvário: Esquema usava a Lotep para lavar dinheiro

Conheça os outros alvos da operação que prendeu o radialista Fabiano Gomes nesta terça-feira

Por Larissa Claro

As investigações da 8ª fase da Operação Calvário chega a uma nova peça do esquema criminoso de desvio de recursos, que teria como chefe o então governador Ricardo Coutinho: a Lotep – autarquia estadual responsável pela administração, gerenciamento e fiscalização das atividades lotéricas em todo o Estado.

Segundo investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público na Paraíba (GAECO/PB), a Lotep faz parte do grupo de empresas utilizadas para lavar dinheiro por meio de “laranjas”, a exemplo das organizações sociais ligadas a saúde e a educação, investigadas em fases anteriores da Calvário.

No pedido da Medida Cautelar, o Gaeco afirma que, para atingir os objetivos, o alto comando da Orcrim manipulava um conjunto de empresas por meio de “laranjas” para mascarar suas respectivas participações nos crimes de lavagem de dinheiro e na administração do destino de recursos que “desaguavam nos cofres de estruturas governamentais”. Um exemplo disso seria a Lotep, utilizada para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento de dinheiro.

O responsável, ainda segundo os investigadores, seria o irmão do ex-governador, Coriolano Coutinho, indicado como um dos principais responsáveis pela suposta coleta de propinas destinadas a Ricardo Coutinho, bem como responsável por circular nas estruturas de governos para “advogar” interesses da suposta Orcrim, junto a integrantes do alto escalão.

Os investigadores colocam que o irmão do ex-governador não teria admitido que a Cruz Vermelha – integrante da organização criminosa – fosse inserida no universo das loterias para não gerar concorrência com a empresa Paraíba de Prêmios, de quem é “sócio-oculto”, segundo os investigadores.

Daniel Gomes (suposto integrante Orcrim, operador da Cruz Vermelha) revelou no final de 2017, durante delação, que a Cruz Vermelha recebeu convite da Bilhetão Serviço e Intermediação (Bilhetão da Sorte) para lançar um “certificado de contribuição”, chegando a discutir a proposta com a secretária da Cruz Vermelha, Mayara de Fátima Martins, também investigada na 8ª fase da Calvário.

Em reunião com Daniel Gomes, Coriolano teria ligado para o “laranja” do Paraíba de Prêmios para que marcasse uma reunião com a presidente da Cruz Vermelha, orientando-a a criar um novo produto da Lotep com o objetivo de eliminar o concorrente Bilhetão da Sorte.

Apontado por Daniel Gomes como “controlador” da Lotep no Estado, Coriolano é, portanto, apontado como responsável pela lavagem de dinheiro por meio da autarquia, na qual também estariam envolvidos Mayara de Fátima e Denylson Oliveira, ambos alvos de busca e apreensão, assim como empresa que controla o Paraíba de Prêmios (Pswi Tecnologia LTDA) e a Lotep.

Em nota, a Lotep disse que estava se colocando à disposição da  Justiça para colaborar com a investigação e apresentar os esclarecimentos necessários. A autarquia disse ainda que o contrato com o Paraíba de Prêmios perdeu a validade em 12 de janeiro.

Procurado, o advogado Diego Lima, responsável pela defesa de Coriolano Coutinho, disse não saber ainda do que trata a denúncia contra o seu cliente, pois não teve acesso a informações da operação.

A 8ª fase da Operação Calvário foi deflagrada na manhã desta terça-feira (10) pela Polícia Federal na Paraíba e pelo Gaeco, com apoio da Controladoria Geral da União – CGU. A operação culminou na prisão do radialista Fabiano Gomes e no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, e no Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, também mandado prisão do radialista Fabiano Gomes.

 

 

 

 

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