Denúncia contra Glenn afronta a Constituição e a liberdade de imprensa

Fundador do The Intercept Brasil foi denunciado pelo MPF por suposta associação criminosa e interceptação telefônica ilegal

O norte-americano Glenn Greenwald, duarnte o debate da liberdade, mídia e poder na 12ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)(Fernando Frazão/Agência Brasil)

A denúncia do jornalista Glenn Greenwald na operação Spoofing, nesta terça-feira (21), causou perplexidade entre jornalistas, juristas e políticos. A investigação apura invasões de celulares de autoridades, entre elas, os integrantes da Força-tarefa da Lava Jato. Além de Glenn, seis outras pessoas foram denunciadas. No caso do fundador do The Intercept Brasil, a denúncia é de associação criminosa e interceptação telefônica ilegal.

Só tem um problema nessa história toda. O jornalista não foi investigado, não foi indiciado e o ponto alegado pelo procurador Wellington Oliveira para justificar a inclusão de Greenwald no rol dos suspeitos não passa de um triplo carpado hermenêutico, incapaz de convencer qualquer pessoa de inteligência mediana. O MPF diz que Glenn “auxiliou, orientou e incentivou” o grupo de hackers suspeito de ter invadido os celulares de autoridades.

O problema é que a transcrição da gravação usada como prova, com a conversa entre o jornalista e um dos hackers não dá suporte à acusação feita. Pior: a própria Polícia Federal, responsável pelo inquérito, concluiu que o relatório feito com base nos diálogos interceptados não são suficientes para indicar o envolvimento do jornalista na invasão dos celulares.

E como se esse não fosse um fato grave demais, ainda tem uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a investigação do jornalista. O ministro, inclusive, se pronunciou sobre o assunto nesta terça e considerou grave a iniciativa do procurador. Uma clara desobediência à decisão proferida por ele em agosto do ano passado.

“É um ataque contra a imprensa livre, obviamente, contra a nossa reportagem, mas também contra a Polícia Federal e o STF, que disse que eu não posso ser investigado, muito menos denunciado pela minha reportagem, porque é uma aberração do direito constitucional de uma imprensa livre”, declarou Greenwald, em vídeo postado em rede social.

O site The Intercept foi responsável por uma série de reportagens, junto com outros veículos de imprensa, que arranhou a imagem da principal operação comandada pelo Ministério Público Federal no país, a Lava Jato.

O ministro Marco Aurélio Mello disse ver a denúncia como problemática e perigosa. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), viu ataque à liberdade de imprensa. A denúncia do MPF foi distribuída ao juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. Ao analisar o documento, ele poderá receber ou rejeitar as acusações contra cada um dos sete denunciados.

comentários - Denúncia contra Glenn afronta a Constituição e a liberdade de imprensa

  1. Naldo Silva Disse:

    No Brasil é assim, bandido defende bandido…

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