Justiça paraibana falha em demora para julgar denúncias de corrupção

Em tempos de Calvário, não custa lembrar que em Bayeux, Cabedelo e Patos as denúncias foram feitas e ninguém foi julgado ainda

O ciclo de investigações dos crimes de corrupção, na Paraíba, anda meio capenga. De um lado, o Ministério Público tem apresentado denúncias graves contra gestores municipais e estaduais. Do outro, a Justiça tem demonstrado uma demora excessiva para julgar os casos. O resultado disso é instabilidade política em várias cidades. Os mais graves são os casos de Bayeux, Cabedelo e Patos. Nas três cidades, essa demora provocou distorções e prejuízos para a população.

Berg Lima foi flagrado em vídeo feito por empresário justamente no momento em que recebia dinheiro supostamente de propina. Imagem: Reprodução

Em tempos de operação Calvário, com denúncias produzidas quase que semanalmente, chama a atenção o caso de Bayeux. Era 5 de julho de 2017 quando o prefeito Berg Lima foi preso, no primeiro ano de mandato. Ele foi flagrado em vídeo recebendo dinheiro de um empresário para liberar pagamentos na prefeitura. O gestor foi sucedido pelo vice na prefeitura, Carlos Antônio (PSDB), que foi cassado meses depois. Então assumiu o presidente da Câmara, Noquinha (PSL). Ele ficou no cargo até decisão do Tribunal de Justiça definir o retorno de Berg. Estamos no último ano de mandato e Berg não foi julgado e continua prefeito.

O caso de Cabedelo não é menos absurdo. Atualmente, há 29 vereadores recebendo salários de R$ 8 mil todos os meses. O caso se deve ao fato de a operação Xeque-Mate ter sido deflagrada em abril de 2019, mas o caso não ter sido julgado ainda. Dez vereadores dos 15 existentes foram afastados do cargo. Depois, entre os suplentes, mais quatro foram afastados. Isso faz com que a conta seja elevada para 14 – todos com presunção de inocência em dia. Por isso, eles estão afastados e recebendo dinheiro. É possível dizer que se Leto Viana não tivesse renunciado ao cargo de prefeito enquanto estava preso, ele estaria ainda recebendo os salários de R$ 18 mil. Um tapa na cara do cidadão.

Em Patos o caso não é menos complicado. O prefeito Dinaldinho Wanderley (PSDB) está afastado desde agosto de 2018. Ele foi relacionado entre os suspeitos de crime na operação Cidade Luz. De lá para cá, foi sucedido pelo vice, Bonifácio Rocha (PPS). Este último renunciou ao cargo, dando lugar ao presidente da Câmara, Sales Júnior (PRB), que também abriu mão do cargo. Sobrou para o atual prefeito interino, o vereador Ivanes Lacerda (MDB). E o que não falta na cidade sertaneja é desafios.

Tudo isso para comprovar o dito popular de que quando a Justiça tarda, ela falha.

2 comentários - Justiça paraibana falha em demora para julgar denúncias de corrupção

  1. Marcio ramos Disse:

    essa demora é que fomenta esse tipo de crime não ae espante se saírem candidatos este ano com a bênção da justiça.ate quando esperar a plebe ajoelhar esperando ajuda de Deus

  2. Gomes Gomito Disse:

    E quando há condenação mixuruca é graças ao mutirão do CNJ isso que é In-Justica??? Tá bom de acabar esses 60 dias de férias que o brasileiro normal não tem. Certos privilégios hoje em dia são acintosos e descabidos.

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