Operação Calvário atribui caráter fático ao que antes se imaginava “causo político”

Delações de Livânia Farias e Ivan Burity trazem saia justa para o staff do ex-governador Ricardo Coutinho

Ivan Burity

Ivan Burity conta detalhes sobre várias entregas de dinheiro de propina. Foto: Reprodução

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”. Esse verso é da poesia Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, e lembra, em muito, as delações da operação Calvário. Com Leandro, que denunciou Laura, que denunciou Livânia, que denunciou Ivan, que denunciou todo mundo. Mas o curioso disso tudo, no entanto, é o fato de as delações estarem elevando à categoria de fato o que antes era tratado como causo político.

A descrição do ex-secretário Executivo de Turismo, Ivan Burity, como carregador de malas se revelou até injusta. Dentro da organização descrita por ele, em delação premiada, cabia ao ex-auxiliar do governador Ricardo Coutinho (PSB) o papel de agenciador de propinas. Ele trazia as empresas e negociava o pagamento de vantagens financeiras. Quem recolhia as malas e fazia os pagamentos eram Leandro Nunes e Maria Laura. Ambos foram presos em fases anteriores e também fizeram colaboração premiada.

Burity contou em delação uma situação complicada em uma das poucas vezes que ele arrecadou propina e foi pessoalmente entregar o dinheiro. O episódio foi o de que ele recebeu o dinheiro em Fortaleza (CE) e o avião não pôde posar em João Pessoa, por causa da chuva. Isso ocorreu em 2014. Na época, o piloto desviou o voo para Natal (RN) e o jatinho foi retido pela Polícia Federal.

Passado o sufoco, Ivan conseguiu sair com o dinheiro, algo em torno de R$ 1,2 milhão. Era dinheiro para “comprar” a permanência de Rômulo Gouveia no grupo. Acontece que Leandro Nunes retirou R$ 300 mil deste dinheiro, sobrando R$ 900 mil para Gouveia. Chateado, Rômulo rompeu com Ricardo Coutinho em 2014. Naquela época, no grupo mais próximo, o evento virou motivo de piada interna. O episódio foi vazado pelo então vice-governador, hoje falecido. Ivan conta que os amigos brincavam com a história, dizendo que o ex-secretário tinha embolsado metade do dinheiro.

As delações revelam pagamentos a advogados com dinheiro de propina e toda sorte de irregularidade. Desde dossiês para chantagear adversários a “mangas como senha para a entrega de dinheiro de propina”. Daqui até o final das investigações, pelo jeito, muito “causo” vai ser convertido em realidade.

2 comentários - Operação Calvário atribui caráter fático ao que antes se imaginava “causo político”

  1. Adnildo Carvalho Disse:

    Não sobrará pedra sobre pedra na esfera política deste Estado. Àqueles que ainda pensam em se candidatar este ano, que pensem duas vezes!

  2. Kynaldo couras Oliveira Disse:

    Brasil, Paraíba, um lugar de tudo de bom, clima, povo hospitaleiro, gente de fé. Um dos melhores países do mundo para viver. Se não fosse um câncer incurável que chamamos de corrupção….

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