No Fantástico: prefeito de Uiraúna é flagrado recebendo propina

Prefeito e deputado teriam recebido recebido R$ 1,6 milhão em propina de obras para combate à seca.

Novos vídeos, divulgados neste domingo (12), com exclusividade, pela reportagem do Fantástico da TV Globo, mostram como parte da verba reservada para obras de combate a seca no município de Uiraúna, no Sertão da Paraíba, teria sido desviada. As investigações apontam supostos pagamentos ao deputado federal Wilson Santiago (PTB) e ao prefeito João Bosco Fernandes (PSDB), que são aliados políticos. “Aproximadamente R$ 1 milhão foi pago a título de propina para o deputado e R$ 600 mil ao prefeito”, assegura o delegado da Polícia Federal, Vítor Morais.

A obra em questão é uma adutora, que teve sua construção aprovada em 2017 pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. Trata-se de um sistema de tubulações que levaria água da Lagoa do Arroz, em São José do Rio do Peixe, até o Açude Capivara, em Uiraúna, que abastece 11 cidades da região.

Ao preço de R$ 24,8 milhões, a obra deveria ter sido concluída em junho do ano passado. Mas, mesmo com R$ 17 milhões já liberados, pouco foi feito.

Nas imagens do Fantástico, são exibidos flagrantes de pagamento de propina em um esquema de corrupção que desviou verba pública com pagamento de propinas e licitações fraudulentas no município de Uiraúna, uma região pobre e que sofre com um problema crônico de falta de água.

Em outra reportagem, exibida em dezembro, o Fantástico mostrou vídeos de propinas sendo entregues em Brasília. Dessa vez, os flagrantes foram feitos em João Pessoa, capital da Paraíba.

O esquema

Segundo a Polícia Federal, o esquema era comandado pelo empresário George Barbosa, dono de uma construtora que já realizou duzentas obras públicas. Em troca de propina, ele teria sido beneficiado pela Prefeitura de Uiraúna e vencido uma licitação fraudulenta.

Ainda de acordo com a PF, o rateio era simples: 10% do valor total foi parar com o deputado federal e 5% do valor foi para o prefeito. O esquema funcionou até setembro do ano passado, quando George procurou a Polícia Federal. Ele fez um acordo de delação premiada e depois disso passou a gravar as entregas de propina.

O Fantástico, inclusive, teve acesso a uma dessas entregas, em frente a um supermercado de João Pessoa. George separou R$ 50 mil para entregar a Evani Ramalho, secretária parlamentar de Santiago.

Os policiais federais estavam escondidos no local. O carro da assessora chegou e George entrou no carro com um gravador de áudio ligado. Ela ainda reclamou que o dinheiro estava numa sacola, fácil de ser visto, e que faltava dinheiro. Depois disso, foi embora. Os policiais a seguiram até ela entrar na sede estadual do PTB, em João Pessoa, o partido presidido por Santiago na Paraíba.

Dois dias depois, ela repassou mais R$ 50 mil ao empresário, e foi presa acusada de corrupção. De acordo com a sua defesa, contudo, ela está a disposição da polícia e do Poder Judiciário para contribuir com o que for necessário para provar sua inocência.

Com relação ao deputado federal Wilson Santiago, o Supremo Tribunal Federal o afastou do cargo de parlamentar. Por enquanto ele responde às acusações em liberdade.

Sua defesa diz que ele nunca recebeu propina e que ele não tem conhecimento de que seus assessores tenham recebido. “O deputado tem total interesse no esclarecimento desses fatos até para que ele possa comprovar a sua inocência. E demonstrar que o delator tão somente está fazendo essas acusações para auferir os benefícios da delação premiada”, declarou Luís Henrique Machado, advogado do parlamentar.

Em nota, os advogados de George Barbosa disseram que o empresário resolveu “colaborar com a justiça para corrigir condutas avaliadas como ilícitas”. George também aguarda o processo em liberdade.

Já o prefeito João Bosco Fernandes está preso há três semanas e se licenciou do cargo. O vice-prefeito, que é sobrinho de Wilson Santiago, assumiu o cargo. A defesa do prefeito informou que só se manifestará após conhecimento e análise dos conhecimentos da denúncia.

Por Angélica Nunes, do Jornal da Paraíba

*Com informações do G1

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