Em delação, Livânia diz que pagou “mensalão” a nove deputados

Compra de apoio teria ocorrido entre 2013 e 2014 para melhorar o ambiente na Assembleia

Livânia Farias exibe documento durante depoimento no MPPB. Foto: Reprodução/Youtube

A ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, revelou em delação premiada a existência de um mensalão pago a deputados estaduais paraibanos. O esquema teria ocorrido entre os anos de 2013 e 2014 e teria beneficiado nove parlamentares. A “compra” do apoio teria ocorrido para que as matérias do governo pudessem passar na Casa. Na época, o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) tinha o apoio de apenas três dos 36 deputados estaduais.

A lista dos deputados contemplados incluiria Adriano Galdino, Branco Mendes, Tião Gomes, João Gonçalves, Márcio Roberto, Antônio Mineral, Doda de Tião, Eva Gouveia e Lindolfo Pires. A entrega dos recursos teria ficado a cargo do empresário Roberto Santiago. Tudo começou, segundo Livânia, após uma reunião com o empresário, que questionou a falta de habilidade do governo para lidar com os deputados.

Livânia Farias atribuiu ao empresário a sugestão de que se adoçasse a boca dos parlamentares. Ele teria assumido o compromisso de que faria a entrega do dinheiro, desde que Livânia fizesse os repasses para ele. A ex-secretária alega que, com isso, passou a pegar entre R$ 250 mil e R$ 280 mil, todos os meses, para entregar a Santiago. Caberia ao empresário fazer os repasses que variavam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Márcio Roberto, por ser da oposição, teria sido o mais beneficiado.

Isso teria ocorrido até 2014 e não se repetiu a partir de 2015, no novo mandato de Ricardo Coutinho. O dinheiro teria como origem os repasses de propina da Cruz Vermelha. Livânia diz que todos os meses a instituição que administrava o Hospital de Trauma passava o recurso a título de propina.

Livânia diz que quando atrasava o pagamento, recebia cobranças dos parlamentares. Os que teriam demonstrado maior impaciência com as cobranças era Antônio Mineral, Branco Mendes e Adriano Galdino, além de João Gonçalves. A informação, no entanto, vem causando revolta entre os deputados, principalmente Adriano Galdino. Este último alega que a informação é falaciosa.

Galdino alega que nunca recebeu o dinheiro e ainda reossalta que no período alegado por ela, ele não esteve na Assembleia. O presidente da Assembleia alega que entre 2012 e 2014, ele ocupava o cargo de Secretário chefe de Governo.

2 comentários - Em delação, Livânia diz que pagou “mensalão” a nove deputados

  1. Marcio ramos Disse:

    eu acho que o ministério publico só deveria aceitar esse tipo de delação com prova pra deixar desse disse me disse. a verdade é que com cruz ou sem cruz vermelha o hospital de trauma e todos os outros estão sucateados por falta de dinheiro não e pois esse povo só abre a boca pra falar de milhão. ate quando esperar a plebe ajoelhar esperando ajuda de Deus

    • Jonas Disse:

      Marcio, as colaborações premiadas são instrumentos processuais para obtenção de prova, não podendo ser utilizadas como a única prova para incriminar alguém, os crimes de colarinho branco, que são praticados de forma fechada, de modo dissimulado, são de difícil obtenção de provas porque ninguém faz contrato de corrupção, um acordo para desviar dinheiro, não se documenta esse tipo de conduta, mas hoje tanto a Polícia quanto o MP já possuem ferramentas suficientes para rastrear o caminho do crime, quando eles chegam a divulgar as delações é porque já tem corpo probatório suficiente, as provas que confirmam a veracidade da delação não são reveladas para não atrapalharem as investigações.

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