Judiciário 6:02

Ivan Burity deixa a prisão em meio a especulações sobre delação

Ex-secretário foi apontado por delatores como carregador de malas de dinheiro durante os governos de Ricardo Coutinho

Ivan Burity durante audiência de custódia, quando teve a prisão preventiva confirmada. Foto: Zuíla David/TV Cabo Branco

O ex-secretário Executivo de Turismo, Ivan Burity, deixou nesta quarta-feira (11), a Penitenciária de Segurança Média Hitler Cantalice. Pouco mais de dois meses separaram aquele 9 de outubro e o dia da soltura, cumprindo um padrão similar ao de outros réus que acabaram se tornando delatores. Burity foi preso durante a quinta fase da operação Calvário, que investiga o pagamento de propinas feito por fornecedores a agentes públicos do Estado.

A operação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba. A prisão de Burity ocorreu durante as investigações de contratos do governo do Estado com o Instituto de Psicologia Clínica e Educacional (Ipcep) e com fornecedores da Secretaria de Educação. Pesaram contra ele, as delações da ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, e do ex-assessor da pasta, Leandro Nunes.

A delação de Leandro Nunes apontou Ivan Burity como arrecadador de dinheiro desviado de contratos públicos para o pagamento a autoridades. A informação é que desde o período em que Ricardo Coutinho (PSB) era prefeito de João Pessoa, o ex-secretário tinha influência em contratos tanto da saúde, quanto da educação, com destaque para esta última.

No âmbito da Educação, o destaque ficaria por conta da aquisição de materiais didáticos pelo Governo do Estado da Paraíba. A organização criminosa, segundo o Gaeco, tinha em Burity o especialista na abertura de caminho para contratação das empresas, mediante contratos fraudulentos e o consequente recebimento de propina.

Três empresas são relacionadas no suposto esquema: Conesul Plus, do empresário Márcio Nogueira Vignoli e gerenciada por Hilário Ananias Queiroz Nogueira; Brink Mobil, cujo sócio-administrador é Valdemar Ábila, e a Grrafset, de Vladmir Neiva. As investigações também apontam a existência de outras empresas que teriam contribuído com o esquema de pagamento e recebimento de propina ao grupo criminoso. Entre elas está a Editora Inteligência Relacional, ligada a Jardel Aderico da Silva, também preso na atual fase da operação.

Sobre Ivan Burity, Leandro narrou também episódio, em junho de 2014, no qual ele teria transportado R$ 1,2 milhão trazido de cidade não identificada. De posse deste dinheiro, R$ 300 mil, teria sido destinado ao ex-deputado Rômulo Gouveia, já falecido, então vice-governador do Estado.

 

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