João Azevêdo é querido, mas considerado inábil politicamente por aliados

Apesar da troca de farpas, deputados socialistas acreditam em reaproximação entre João e Ricardo

“No more?”: Ricardo e João Azevêdo nos tempos de entrosamento da campanha eleitoral. Foto: Divulgação

Uma simples andada pelos corredores da Assembleia Legislativa é suficiente para a construção do consenso de que João Azevêdo (PSB) é considerado boa praça pelos deputados aliados, porém, desprovido de habilidade política. Os descontentamentos não são novos, mas ganharam dimensão extra após o quase (ou talvez futuro) rompimento dele com o ex-governador Ricardo Coutinho (do mesmo partido). Os dois se estranharam, trocaram (e trocam) farpas, mas não houve rompimento.

É simples entender o motivo da indignação. Ao menor ruído da briga entre os dois, um grupo majoritário de deputados se posicionou ao lado de João. Alguns se posicionaram para expressar o rancor acumulado em função do tratamento historicamente dispensado por Ricardo. Outros por entender que em meio à guerra, haveria redistribuição de cargos. É comum isso ocorrer, mas nada veio. João reclamou, proferiu algumas frases de efeito, mas não fez o esperado por parte significativa dos aliados. Muitos esperavam uma caça às bruxas, com a exoneração dos ricardistas.

Poucos saíram e o clima tenso continua, mesmo com Azevêdo prometendo deixar o partido no próximo mês, caso não haja pacificação. Uma pacificação, vale ressaltar, que não virá de forma tão fácil. “Gervásio Maia disse o que disse com João e ele não fez nada. Os indicados por ele continuam no governo. Então, não dá para esperar que ele tome uma posição. Houve apenas desgaste para quem se posicionou a favor dele”, disse um aliado sob a condição de anonimato.

Em pouco mais de dois meses, o ex-governador conseguiu tomar o partido das mãos de um aliado de João Azevêdo, Edvaldo Rosas, e iniciar um processo voltado para as eleições de 2020. A tendência é que em caso de rompimento, parte dos deputados e prefeitos do PSB deixem a sigla. Os parlamentares só sairiam em um segundo momento, por causa da lei eleitoral, mas os prefeitos e vereadores já deixariam a sigla para a eleição de 2020.

Muito claramente Ricardo já escolheu as armas. O caso de João Azevêdo, no entanto, vai apenas para o campo das especulações. Os aliados dele, por isso, não aguardam movimento muito brusco.

2 comentários - João Azevêdo é querido, mas considerado inábil politicamente por aliados

  1. Tiago Vilar Disse:

    “Inábil’ virou sinônimo de negociata ???!!!

  2. É bom se pensar com muita cautela. Mas, em se tratando de Ricardo não resta a menor dúvida que é potencialmente egoísta e não costuma deixar nenhum espaço para ninguém comandar. Mesmo fora do poder ele quer a todo custo continuar dando as cartas. Ele deve deixar o outro companheiro governar, porque foi para isto que ele foi eleito. Deve dar a conotação de sua forma de administrar. Afinal, ele é um técnico. Se ele foi bom para dar o avanço técnico ao governo, porque ele não é bom para guiar a administração superior do governo? E diga-se de passagem: Está dando um show para um Governador. Apenas no campo político precisam ser definidas algumas nuances para dar maior rítimo ao seu plano de governar, pois, ainda existem espiões tentando boicotar sua administração. Com a palavra o Governador João Azevedo.

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