Gaeco desencadeia nova fase da operação Calvário

Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em hospitais e endereços de ex-secretário e advogada

Operação apura fraude em licitações e apropriação de recursos públicos. Foto: Divulgação/polemica.paraiba.com.br

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, desencadeou nova fase da operação Calvário, nesta terça-feira (15). Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão, estão endereços ligados ao ex-secretário Executivo de Turismo do Estado, Ivan Burity; da advogada Luciana Ramos Neiva, e dos hospitais Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, e Regional de Mamanguape.

Os dois hospitais são administrados pelo Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (Ipcep), que se tornou alvo do Gaeco em pelo menos duas fases da operação Calvário. A nova fase da operação tem a ver também com contratos da Editora Grafset com o governo do Estado, tendo Luciana Neiva como alvo. Na fase anterior, os investigadores divulgaram informações sobre suposto pagamento de propinas a agentes públicos e contratos superfaturados com participação da empresa.

Grafset

A Editora Grafset já havia sido alvo na fase anterior da operação Calvário. De acordo com delação premiada do ex-assessor da Secretaria de Administração do Estado, Leandro Nunes, a empresa teria pago propinas a agentes públicos por contratos com o governo. Leandro contou aos investigadores do Gaeco que logo após as eleições de 2018, entre os meses de novembro e dezembro, ele foi procurado por Ivan Burity que o entregou R$ 400 mil “provenientes da empresa GRAFSET de VLADIMIR (Neiva, pai de Luciana). LEANDRO diz que a entrega do dinheiro ocorreu em um sábado, quando o mesmo voltava de uma viagem a Caruaru”.

“LEANDRO diz que passou na casa de IVAN BURITY onde recebeu a quantia de “cento e poucos mil”. Ao retornar para sua residência, LEANDRO recebeu um telefonema de IVAN BURITY, o qual informava estar precisando conversar com LEANDRO. O encontro ocorreu na residência de LEANDRO momento em que IVAN BURITY entregou R$400 mil, informando que VLADIMIR da GRAFSET tinha entregue tal quantia. Por fim, LEANDRO informa que IVAN BURITY também realizava o pagamento de recursos a LAURA ALMEIDA”, disse o ex-assessor em delação premiada.

A empresa possuía diversos contratos com Governo do Estado que totalizaram R$ 76,7 milhões, segundo levantamento feito pela Controladoria Geral da União (CGU). Especificamente em 2018, revela o Gaeco, destaca-se um procedimento de Inexigibilidade de Licitação que teria resultado em contrato no valor de R$ 6,1 milhões. Junto com a Conesul, a Brink Mobil e a Inteligência Relacional, a Grafset recebeu nos últimos anos R$ 154,4 milhões em contratos agora investigados pelo Gaeco.

Como resultado da operação, na fase anterior, foram alvos de busca e apreensão o ex-secretário de Educação, Aléssio Trindade, e o ex-secretário Executivo de Educação, Arthur Viana. Ambos foram exonerados a pedido dos cargos. Eles são acusados de terem firmado os contratos atualmente sob investigação.

Hospitais

Os hospitais Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, e o Regional de Mamanguape também foram alvos da quinta fase da operação Calvário. Houve determinação do desembargador Ricardo Vital de Almeida para o afastamento de vários servidores ligados às instituições de saúde. A determinação, inclusive, foi atendida pelo governador João Azevêdo (PSB), que determinou também a intervenção sobre as unidades de saúde. Elas são administradas pelo Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (Ipcep).

Os afastados foram do diretor administrativo do Hospital Geral de Mamanguape, Eduardo Simões Coutinho, preso durante a operação, além do diretor administrativo do Hospital Metropolitano, Henaldo Vieira da Silva; da diretora jurídica, Giovana Araújo Vieira, e do diretor financeiro, Mario Sérgio Santa Fé da Cruz. O primeiro é acusado de ter atuado em nome do mandatário da Cruz Vermelha Brasileira, Daniel Gomes da Silva, no recebimento de propinas.

Henaldo, Giovana e Mário são investigados pelo cometimento do crime de falsificação de documento público, consubstanciado na adulteração de Termo de Referência que ensejou a contratação da empresa DIMPI Gestão em Saúde Ltda para prestar serviços de imagens no Hospital Metropolitano de Santa Rita. Em relação a Eduardo Coutinho, ele teria recebido dinheiro de propina de fornecedores no Ipcep em nome de Daniel, a exemplo das vantagens indevidas entregues por José Aledson de Sousa Moura, proprietário de fato da Total LAB.

comentários - Gaeco desencadeia nova fase da operação Calvário

  1. Marcio ramos Disse:

    a sensação e que esta tudo corrompido pois o cidadão comum quando movimenta míseros dez mil reais tem que apresentar ate certidão de óbito sem ter morrido. e esses corruptos movimentam quantias milionárias se que nenhum órgão de fiscalizacao se dê conta

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