Judiciário 7:08

Em livro, Janot conta que entrou no Supremo armado para matar Gilmar Mendes

Ex-procurador-geral da República não suportou declarações do ministro contra sua filha

Ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, durante sessão plenária do STF. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Os anos turbulentos que cercaram o curso da operação Lava Jato trouxeram momentos que só agora chegam ao público brasileiro. No mesmo dia em que o ex-senador tucano Aloysio Nunes Ferreira declarou que a operação “manipulou” o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os jornais nacionais trazem notícia de que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pensou em matar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

O caso ocorreu em 2017, quando o ministro lançou suspeitas sobre a filha de Janot. Letícia Ladeira Monteiro de Barros é advogada e representara a empreiteira OAS no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O fato ocorreu logo depois de o ex-procurador-geral da República ter pedido a suspeição de Gilmar Mendes em casos relacionados ao empresário Eike Batista, que se tornara alvo da Lava Jato e era defendido pelo escritório de advocacia do qual a mulher do ministro, Guiomar Feitosa Mendes, é sócia.

“Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha”, diz Janot no livro. “Só não houve o gesto extremo porque, no instante decisivo, a mão invisível do bom senso tocou meu ombro e disse: não.”

Segundo o relato do ex-procurador, que se aposentou em abril deste ano e voltou à advocacia, o episódio ocorreu perto do fim do seu segundo mandato à frente da Procuradoria-Geral da República, que ele chefiou por quatro anos.

O episódio é contato em livro que será lançado em breve.  O livro de memórias tem como título “Nada Menos que Tudo” (editora Planeta). A obra é escrita com a colaboração dos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin. Janot faz um balanço de sua atuação à frente da Operação Lava Jato e rebate as críticas que recebeu durante sua atribulada gestão.

Janot afirma que, em março de 2015, o então vice-presidente Michel Temer (MDB) e o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) pediram que ele arquivasse a primeira investigação aberta contra o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), hoje preso no Rio de Janeiro.

O ex-procurador diz também que, em 2017, o então senador Aécio Neves (PSDB-MG) lhe ofereceu cargos na tentativa de evitar a abertura de investigações sobre suas relações com a Odebrecht. Segundo Janot, Aécio pensava em se candidatar à Presidência da República nas eleições de 2018 e lhe ofereceu o Ministério da Justiça e a vaga de vice da chapa.

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COMENTÁRIOS

  1. Avatar for Suetoni
    Armando da Costa Lima

    Afinal quem é bandido nesse país ?

    • Avatar for Suetoni
      dario barbosa de andrade

      cada dia que passa esta ficando dificíll saber quem e que vale alguma coisa neste pais

  2. Avatar for Suetoni
    Daimler Corrêa

    Seria um Grande favor para nós. Próxima vez, manda uma marmitex para o Molusco de 4 dedos que esta no presidio, com bastante veneno.

  3. Avatar for Suetoni
    Joca matemático

    Dr Suetoni. Há um adágio secular e sábio que assim traduz-se : (Quem faz, não diz). Nunca que o tal digno cidadão teria coragem de apertar o gatilho fatal sobre seu o seu “possível” desafeto e ainda mais no interior de um Prédio Público, tombado, rabiscado e arquitetado pelo saudoso Oscar, onde abriga o STF e por que lá certa feita estiveram os renomados paraibanos Djacy Falcão e o grande poliglota, político, sociólogo e jurisconsulto por excelência, o ínclito cidadão Dr Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Mello. O STF é o local que ressoa como ponto final das decisões jurídicas no Brasil. E ainda muito mais remoto seria, data venia, o Dr Janot admitir-se que extinguiria sua própria vida, Lembra-me muito o sucesso da dupla Roberto/Erasmo: Pega na mentira. Pelo sim pelo não, eminentíssimo Jornalista Doutor Suetoni, não deixa tal coisa de ser uma declaração, infeliz, gravíssima e que expõe a Suprema Corte, doravante, na Luz Amarela. Depois do trágico acontecimento em 06/09/ 2018 em Juiz de Fora, MG, do cidadão Adélio Bispo; também o episódio do Poeta e autor do Habeas Pinho; o de um outro caso, o do Senador alagoano Arnon de Melo que atirou dentro do Senado num colega e, por puro azar, na hora do disparo o nosso famoso conterrâneo, Senador J A tentando dissolver a confusão gerada, em tempo, segurou a mão do Senador Arnon, e o gatilho já disparado, eis que o projétil desviou-se do alvo acertando em cheio a cabeça de outro senador que cochilava na penúltima cadeira azul do Senado e que nada tinha a ver absolutamente com a refrega Em assim sendo não nos admiremos de que tudo é possível acontecer nesse solo fértil descoberto por Pedro Álvares Cabral.

    • Avatar for Suetoni
      Suetoni

      Sim, isso mesmo. Tudo é possível na Ilha de Vera Cruz. Por isso mesmo, não podemos naturalizar absurdos. Grato pelo comentário e um grande abraço.

  4. Avatar for Suetoni
    dario barbosa de andrade

    cada dia que passa esta ficando dificíll saber quem e que vale alguma coisa neste pais

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