Bolsonaro pregou apenas para convertidos em discurso na ONU

Presidente errou no tom e no século do discurso proferido na ‘arena da diplomacia’

Jair Bolsonaro fez um discurso duro, sob medida para o eleitorado dele. Foto: Reprodução

Uma pessoa que ouvisse o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia das Nações Unidas (ONU) na década de 1960, acharia extremista, mas no contexto da Guerra Fria. Este mesmo discurso sendo proferido nesta terça-feira, 24 de setembro de 2019, no entanto, soou grotesco e isolacionista. O mandatário foi à arena da diplomacia mundial e fez um discurso duro, recheado de meias verdades, com algumas mentiras completas, e voltado apenas para convertidos. Isso mesmo, um discurso voltado exclusivamente para o eleitor bolsonarista.

O presidente olhou apenas para o umbigo, por exemplo, quando disse ter livrado o Brasil do socialismo, fazendo referência a governos anteriores. Uma afirmativa que passa longe do contexto atual e mais condizente com a prática difundida na guerra fria. Aproveitou para atacar nações como Cuba e Venezuela, citadas como socialistas e com críticas aos regimes. Em contrapartida, falou em ampliar as relações com a China, uma nação que pratica um socialismo de mercado e que, por um acaso, é a maior parceira comercial do Brasil.

Sobre a floresta Amazônica, virou chacota internacional ao dizer que a floresta não está em chamas. Mesmo admitindo que houve incêndios criminosos na maior reserva de biodiversidade do mundo, preferiu acusar os índios e a seca pelo problema. Tudo isso sem admitir a desarticulação do setor de fiscalização do Ibama e nem tampouco os estímulos para que os fazendeiros locais, envolvidos com grilagem, pusessem em prática o que ficou conhecido como “o dia do fogo”, quando vários deles puseram fogo criminosamente na floresta.

Na mesma fala com garantias de que o Brasil sabe preservar a floresta, Bolsonaro surgiu com a proposta de exploração em terras indígenas. Lembrou Raposa Serra do Sol e a reserva dos Ianomami, como áreas ricas em minérios e que poderiam ser exploradas. Sem cerimônia, pregou a retirada dos povos originários do modo de vida. Com isso, defendeu que não seja dado aos povos indígenas o direito de escolher como querem viver. E imagine um índio disputando emprego nas grandes cidades? Que chance ele terá de não se tornar um miserável favelado.

O discurso voltado para o enfrentamento com o presidente francês, Emmanuel Macron, não traz vantagem nenhuma para o Brasil. O país cuida mal do meio ambiente e isso é verdade. A floresta amazônica corre perigo, sim. O governo federal tem planos para exploração predatória na região, com pouca preocupação com preservação. Essa é uma realidade discursiva presente, inclusive, nos pronunciamentos que negam essa máxima. A floresta amazônica é, sim, patrimônio da humanidade e não quer dizer que vamos perder a soberania sobre ela se admitirmos isso.

O discurso do presidente, por tudo isso, é voltado em justa posição para o seu eleitorado. Uma parcela da população que já representou a maioria do eleitorado e que, a cada dia, vai se convertendo em um gueto. A imprensa virou o alvo preferido de Bolsonaro como ocorre com todos os governos com pretensões ditatoriais. É fácil afirmar isso com base em atos e gestos. Eles são muito parecidos com o que ocorreu nas nações criticadas pelo presidente, como a Venezuela. Primeiro se combate e criminaliza a imprensa e depois as instituições. Esse parece ser o roteiro.

5 comentários - Bolsonaro pregou apenas para convertidos em discurso na ONU

  1. Tiago vilar Disse:

    Respeito a opinião do colunista, embora não concorde com ela. Foi um discursso forte, firme e patriótico. Pode não ter o presidente o dom da oratória, todavia, prefiro a honestidade das singelas palavras ao invés do discurso fácil para inglês ver…

  2. Naldo Silva Disse:

    Parabéns Bolsonaro pelo discurso, firme e sem mentiras e babação de ovo, certamente se ele falasse tudo ao contrário o colunista aí iria críticar da mesma forma pq é assim desde o começo do ano, basta ver que o mesmo não citou um ponto positivo se quer coisa que mt companheiros dele fez de forma imparcial, por outro lado a leitor paraibano e brasileiro por sinal já sabe o discurso da imprensa, não vão mudar…

  3. Artur Cezar Disse:

    É normal em tempos de jornalismo e jornalistas comprometidos com agenda ideológica, apenas emitir opiniões teleguiadas. Basta um olhar acurado, e qualquer cidadão apolítico, mas atento aos fatos do nosso país e do mundo, enxergará a coerência e a veemência de um discurso patriota!

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