João Pessoa: vai faltar prédios para abrigar ambulantes e os gestores têm culpa

Últimos anos em João Pessoa têm sido de protestos sazonais por causa das ocupações no passeio público

Ambulantes ocuparam a Câmara de João Pessoa para cobrar solução para o caso deles. Foto: Hebert Araújo/CBN JP

Vira e volta, os vendedores ambulantes são retirados das ruas, em João Pessoa, e se inicia um processo regado a protestos, agressões e desapropriação de imóveis para abrigar a categoria. O episódio mais recente ocorreu nesta quinta-feira (12). Os agentes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) chegaram cedo e impediram os comerciantes de ocuparem as calçadas. O ato contínuo disso foi um protesto com vias interditadas e queima de pneus. Depois, a ida dos manifestantes para um protesto na Câmara de João Pessoa.

Na Câmara, houve empurra-empurra e confronto entre manifestantes e comerciantes. A categoria foi ao Legislativo com o pedido para que os vereadores intermediassem o diálogo entre manifestantes e o secretário da Sedurb, Zenedy Bezerra. Caso contrário, eles prometem fazer ocupação em outras avenidas do Centro. Mesmo em meio a um tumulto sem tamanho, o vereador Milanez Neto (PP), que comandava a sessão, não quis encerrá-la para discutir com os manifestantes. O vereador Tibério Limeira (PSB) buscou um entendimento.

No final da manhã, houve a promessa de acordo. Os ambulantes querem ocupar as calçadas de João Pessoa até as festas de fim de ano. Depois disso, admitem ir para um endereço que seja indicado pelo prefeito Luciano Cartaxo (PV). A solução, caso saia do papel, seguirá o modelo de anos anteriores, quando os gestores deixaram as ruas serem ocupadas e, depois, tiveram que providenciar novos endereços para serem ocupados por esses comerciantes.

“A gente vai respeitar o código de postura de João Pessoa, vou respeitar a recomendação do Ministério Público, que pede a retirada dos ambulantes do Centro da cidade. Vamos respeitar também o próprio apelo da população para que as calçadas sejam devolvidas para a população. Pessoas com baixa mobilidade”, disse o Zenedy Bezerra. Ele disse ainda que vai discutir caso a caso com os ambulantes. O secretário diz acreditar que além dos ambulantes, há comerciantes pagando para pessoas ocuparem as calçadas também.

É inegável que o comércio informal cresce na mesma proporção do convulsionamento social. Pessoas desempregadas veem nas ruas a única forma de alimentar suas famílias. Contam para isso, também, com a omissão das gestões, que permitem a ocupação dos espaços no primeiro momento. E, neste processo, já foram criados desde a gestão de Chico Franca (1993-1996), seis espaços públicos destinados ao atendimento da população. A maioria deles não chegou a dar certo.

A lista inclui um Camelódromo. Depois dele, vieram o Terceirão, o 4.400, o Centro Comercial de Passagem, o Centro Comercial do Varadouro e o Durval Ferreira. E tem espaço para mais…

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