Em João Pessoa, Raquel Dodge evita comentar declarações polêmicas de Bolsonaro

Procuradora-geral é pressionada por partidos a acionar presidente no Supremo Tribunal Federal

Raquel Dodge participou de fórum ao lado de Ricardo Coutinho e João Azevêdo. Foto: Divulgação/MPF

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, evitou nesta quarta-feira (31) comentários sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a respeito de desaparecidos políticos. Ela veio a João Pessoa, na Paraíba, para participar do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao ser questionada pela imprensa, em relação ao presidente, evitou dar declarações e disse que se centraria em temas relacionados ao evento.

A saída pela tangente, por parte de Dodge, ocorre em meio à pressão de partidos para que ela acione o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Na última segunda-feira (29), ao comentar posicionamentos recentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o gestor deu a entender que sabia o paradeiro do pai do presidente da entidade, Felipe Santa Cruz. Fernando Santa Cruz era militante poítico de esquerda e desapareceu após ser preso durante o regime militar.

“Um dia se o presidente da OAB [Felipe Santa Cruz] quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, disse Bolsonaro. A declaração acabou tendo repercussão internacional. O presidente disse que as conclusões tinham como base a vivência dele e alegou que Fernando Santa Cruz teria sido morto por outros militantes de esquerda.

O presidente da OAB ingressou com uma ação no Supremo nesta quarta-feira (31) para que o presidente esclareça as informações que diz ter a respeito da morte de seu pai. Ele pede que Bolsonaro esclareça se “efetivamente tem conhecimento das circunstâncias, dos locais, dos fatos e dos nomes das pessoas que causaram o desaparecimento forçado e assassinato” de Santa Cruz.

Felipe quer saber se o presidente sabe o nome dos autores do crime e onde está o corpo. O presidente da OAB questiona por qual razão, se Bolsonaro tem tais informações, não denunciou os fatos ou mandou apurar a “conduta criminosa revelada”. O tema, vale ressaltar, ainda não foi abordado por Raquel Dodge. Apesar de não constar na lista tríplice da categoria, a atual PGR poderá ser indicada pelo presidente para permanecer no cargo.

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