Lista tríplice: João terá posição diferente de Bolsonaro na escolha do procurador-geral?

As declarações mais recentes mostraram um governador indeciso sobre seguir ou não a tradição de respeito à lista tríplice

Ministério Público vai escolher nomes para compor lista tríplice. Foto: Kleide Teixeira

Os promotores e procuradores do Ministério Público da Paraíba (MPPB) vão às urnas nesta segunda-feira (28). A missão será a escolha dos integrantes da lista tríplice, com os mais votados para procurador-geral de Justiça, que será encaminhada ao governador João Azevêdo (PSB). Ao gestor, caberá a indicação de um, entre os três mais votados para o cargo. A tradição nos governos de esquerda tem sido a de escolher o mais bem posicionado. Recentemente, porém, durante entrevista, o gestor disse não ter decidido ainda. A posição é similar à do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Este último não garante nem escolha dentro da lista.

Por ordem de inscrição, quatro promotores de Justiça são candidatos. São eles João Geraldo, Francisco Seráphico da Nóbrega, Antônio Hortêncio Rocha e Francisco Bergson. A comissão eleitoral fez, nesta sexta-feira (26), o lacre das urnas disponibilizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). A eleição ocorre nesta nesta segunda-feira (29). Três urnas foram lacradas, sendo duas delas eletrônicas (uma de contingência) e uma de pano (que só será usada em caso de falha das duas primeiras). A votação deve ocorrer entre as 8h e as 16h.

O governador disse em entrevista à CBN, no mês passado, que ainda não tinha fechado posição sobre a escolha. De lá para cá, não se pronunciou mais sobre o assunto. “Evidentemente que nós vamos analisar as condições (de respeitar ordem na lista). Se houver a possibilidade de respeitar, vamos respeitar. Eu não tenho nenhuma opinião formada ainda a respeito desta questão”, ressaltou o governador. Já o presidente Jair Bolsonaro, sempre que perguntado, diz que poderá escolher alguém até fora da lista. No caso da Paraíba, por força de lei, a escolha tem que ocorrer entre os três mais bem votados.

A tradição, iniciada com o ex-presidente Lula (PT), em 2003, foi sempre indicar o mais votado. A prática é largamente defendida pelos governos de esquerda, apesar das “puladas de cerca” pontuais. Na Paraíba, pessoas próximas ao governador defendem análise criteriosa dos nomes. Entre as preocupações está o andamento da operação Calvário, que é incômoda para o governo. Três secretários citados ou denunciados na operação já foram exonerados da gestão. Apesar disso, todos negam a intenção de João Azevêdo de interferir nas investigações de corrupção envolvendo agentes públicos. Ele, vale ressaltar, não é investigado.

Dos quatro candidatos, um deles (Seráphico) disputa a reeleição. Apesar de que dois outros possuem perfil muito parecido. Me refiro a Hortêncio e Bergson. João Geraldo também não é visto como risco às operações. Segundo o presidente da comissão eleitoral, Doriel Veloso, 211 integrantes do Ministério Público estão aptos a participar da eleição plurinominal (em que cada membro poderá escolher até três candidatos). Os três nomes mais votados serão encaminhados ao governador. O eleito vai comandar a instituição no próximo biênio. Para ser procurador-geral é preciso pelo menos 5 anos de MP e ter mais de 30 anos.

comentários - Lista tríplice: João terá posição diferente de Bolsonaro na escolha do procurador-geral?

  1. Tiago vilar Disse:

    Está prática, de escolher o mais votado, é ilusória. O governador trabalhará nos bastidores, para eleger o que lhe convém e não cause polêmica. Deverá escolher o caminho mais fácil, ou seja, escolher a recondução do atual.

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