Democracia e liberdade de imprensa andam de mãos dadas sempre

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro têm confundido vitória nas urnas com cartão verde para medidas sem contestação

Fonte: Unifoa

Tenho recebido aulas de jornalismo toda vez que escrevo algo contrário a posturas do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Veja bem, falo de posturas, não de pessoas. Para os teóricos do neojornalismo, jornalista não pode ter opinião. Pelo menos não quando elas são contrárias à visão de mundo muitas vezes distorcida cativada por eles. Alguns argumentos usados para as contestações são desconexos e outros meramente desprovidos de lógica. “Essa imprensa lixo precisa entender que o presidente foi eleito e precisa implantar o seu projeto de governo”, “Esquerdopata, vai pra Cuba ou pra Venezuela”. E por aí vai. Outros argumentos não são, sequer, possíveis de publicação. Todos, no entanto, embutem uma saudade desmedida de alguns dos anos de chumbo, quando jornalista bom era jornalista morto.

A visão destes leitores/eleitores é fruto de aspirações distorcidas do poder. Um poder que não pode ser absoluto nunca. Uma república, para funcionar bem, não pode ser baseada na obediência cega aos ditames do alcaide de plantão. As instituições democráticas pressupõem o sistema de freios e contrapesos que fazem os grupos hegemônicos não sufocarem as minorias. Temos visto, no dia a dia, cortes serem feitos nos orçamentos de saúde e educação. Não há plano claro para a economia. Alguém sabe de algum? Vivemos em um país com mais de 200 milhões de habitantes, sendo 14 milhões deles desempregados. Outros 14 milhões são desalentados (aqueles que já nem procuram emprego de ver tanta porta fechada na cara). E quais medidas estão sendo adotadas para curar essa mazela?

E o que a imprensa tem que fazer nestas horas? Bater palmas para declarações de que o não existe fome no Brasil? Se fizer isso, vai ter que concordar que o governo não precisa destinar um único centavo para combater a indigência. O presidente se refere aos governadores nordestinos como governos de “paraíba”. Não ofende o adjetivo, mas a forma como ele é empregado. Vamos ficar calados? Não quer falar de economia ou de costumes? Vamos falar de corrupção. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, proibiu que os relatórios de inteligência financeira do Coaf  (Conselho de Controle da Atividade Financeira) sejam usados sem autorização judicial. A medida atendeu pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL), aquele ligado ao desaparecido Fabrício Queiroz. É para ficar calado?

Convenhamos, precisamos de maturidade democrática para muitos neste país. Aos críticos do jornalismo, uma dica: vejam os exemplos dos países democráticos.

6 comentários - Democracia e liberdade de imprensa andam de mãos dadas sempre

  1. Eliana Disse:

    Belo jornalista! Deveria se informar melhor pois foi o único que não percebeu que o toffoli quer é livrar a esquerdalha da cadeia, inclusive a própria mulher. Eita jornalista mal informado!!!

  2. Tiago vilar Disse:

    Democracia e liberdade sempre. Todavia, subversão, subtração e alteração dos fatos, no intuito de atacar, única e exclusivamente a instituição presidente da república, é um ato que deve ser refutado sim. Por estas atitudes, a imprensa cai, cada vez mais, na descrença popular, em decorrência da análise parcial e muitas vezes corporativa do fato reproduzido em mídias escritas e faladas. Querer ligar o filho do presidente, que é responsável pelos seus atos, ao pai, é, no mínimo, forçacão de barra ou leviandade. Divulgar e ocupar espaço Nobre em mídias, com fatos não comprovados de um site que não tem a mínima credibilidade, é uma vergonha para toda a imprensa nacional e só a coloca cada vez mais em descrédito. (*) Sou apartidário.

    • Suetoni Disse:

      Respeito a sua opinião, por ela vir argumentada. Só tenho a dizer, porém, que todos os fatos narrados neste blog só reproduzem fatos, gestos, palavras. Tudo está em vídeo ou áudio. Nada foi criado. As notícias divulgadas pela imprensa, no geral, seguem os mesmos ditamos. Pelo menos na imprensa tradicional. Quem quiser discordar é livre para isso. Para contestar, é importante juntar fatos.

      • Fábio Disse:

        Resposta com isenção. O que precisamos é ter a devida noção dos fatos e não fazer uma defesa cega e desconexa da realdade. Temos que ter a maturidade de conviver com opiniões diversas das nossas, com o devido respeito, já que podemos perder a razão em função da forma que defendemos as nossas posições.

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