Eduardo Bolsonaro e as credenciais de um país de bananas

Falar inglês (sofrível) e fritar hambúrguer nunca foi credencial antes para alguém assumir a embaixada nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro precisa ter nome referendado pelo Senado. Foto: Paola de Orte/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o ‘zero três’, estão no centro das atenções há quase uma semana. No foco, a indicação do presidente para que o filho assuma a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. A escolha, na prática, quebra uma tradição brasileira de indicar para o cargo apenas diplomatas de carreira. E os mais laureados. Basta lembrar que por lá passou figuras como Joaquim Nabuco.

As credenciais apresentadas pelo pai sobre o filho são risíveis: ele fala inglês, espanhol e é amigo dos filhos do presidente Donald Trump. Nenhum dia sentado nos bancos do Instituto Rio Branco. As credenciais especificadas pelo ‘zero três’ são ainda piores: “Tenho vivência pelo mundo, já fritei hambúrguer nos EUA”. Difícil imaginar como as habilidades culinárias rudimentares de quem frita hambúrguer podem contribuir para o cargo. Estima-se que mais de 1 milhão de brasileiros vivam nos Estados Unidos.

As representações brasileiras no país prestam serviços como emissão de passaportes, atendimento a emergências envolvendo cidadãos nacionais e até o envio de funcionários para visitas a presos – sem intermediar diretamente, entretanto, a relação do brasileiro com a Justiça local. Alguns desses brasileiros residem nos EUA de maneira clandestina, sem visto ou com o documento expirado. Essas pessoas já foram classificadas por Eduardo como “vergonha nossa”.

A legislação brasileira é muito permissiva em relação a indicações para o cargo de embaixador. As credenciais são definidas pela lei nº 11.440/2006. Por ela, é preciso que o nome seja escolhido dentre os Ministros de Primeira Classe ou, excepcionalmente, Ministros de Segunda Classe. São os cargos mais altos da diplomacia brasileira. Mas também há uma brecha que torna a indicação vai flexível. O indicado pode ser qualquer brasileiro nato maior de 35 anos e “de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país”.

Deste requisito mais maleável, o único que se enquadraria no perfil de Eduardo Bolsonaro seria a idade, que completada recentemente. A indicação, além disso, descontentou até aliados do presidente, como o ideólogo Olavo de Carvalho. O próprio presidente, enquanto candidato, condenou esse tipo de postura. Agora, no cargo, as coisas mudaram. A farra começou…

comentários - Eduardo Bolsonaro e as credenciais de um país de bananas

  1. Ana Márcia Batista Alves Disse:

    Assistimos mais uma indecência do governo Bolsonaro.

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