Ingleses tentaram vender máquina de “restaurar vidas” a vereadores de João Pessoa

Proposta se encontra nos arquivos da Câmara de João Pessoa e faz parte de arquivo histórico resgatado pela UFPB

Os vereadores de João Pessoa foram surpreendidos com uma oferta tentadora. Uma empresa de Londres, na Inglaterra, ofereceu uma máquina capaz de restaurar a vida de pessoas afogadas. Tal equipamento já seria uma coisa absurda hoje em dia, imagine em 1825, quando o documento foi protocolado na Casa. Na época, tratava-se da Câmara Municipal da Cidade da Parahyba, nome anterior ao atual, que homenageou o ex-presidente do Estado, morto em 1930. O arquivo faz parte dos mais de 200 documentos históricos catalogados por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Todo o acervo foi enviado para a Fundação Casa de José Américo, no Cabo Branco. De acordo com o professor Ângelo Emílio, o local possui estrutura adequada para que a equipe possa realizar os estudos com mais cautela. Até o momento, foi empreendida, do ponto de vista técnico, a higienização, que serve para tirar a poeira acumulada. Os trabalhos ainda contarão com restauração, catalogação e transcrição dos documentos. “A ideia, após todo o procedimento de recuperação do material, é produzir documentário, livros, artigos científicos, material didático e oficinas pedagógicas”, adianta o pesquisador.

Os mais de 200 documentos históricos da antiga Câmara Municipal possuem cerca de 700 páginas. Eles foram encontrados nos arquivos da atual Câmara Municipal de João Pessoa, no Centro. Com dados sobre a vida cotidiana da população, no período entre os séculos XVIII até o inicio do século XX, os documentos estão sendo estudados pelo professor Ângelo Emílio Pessoa, do Departamento de História da UFPB. Junto com um grupo de alunos, o docente está fazendo o processo de higienização, restauração, catalogação e transcrição do material.

Em outro documento, foram verificados conflitos em relação à distribuição de água em João Pessoa. No material observado, há um registro que fala sobre uma cacimba de água que abastecia uma parte da cidade baixa. Esse reservatório teria sido apossado por um padre que, logo em seguida, passou a cobrar pelo abastecimento. “Existe uma diversidade temática muito grande ligada ao dia a dia da cidade. Aparecem questões relacionadas às escolas de primeiras letras, saúde pública, transportes, estradas, condições de fornecimento de água e funcionamento do mercado” ressalta Ângelo Emílio.

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