Atlas da Violência: paraibanos negros correm 6,6 vezes mais riscos de morte que brancos

Levantamento divulgado pelo Ipea revela também que a criminalidade cresceu mais no Nordeste e no Norte entre 2007 e 2017

Números mostram relação entre pobreza e exposição à violência no Estado. Foto: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Os negros que vivem na Paraíba correm 6,6 vezes mais riscos de serem assassinados que os não negros (brancos, amarelos e indígenas). Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2019 e foram divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As informações têm como base dados repassados pelo Ministério da Saúde e revelam a face mais dura de uma segregação materializada pela violência. O índice paraibano é o maior do Brasil. Enquanto a taxa de homicídios de negros  na Paraíba, em 2017, foi de 46,4 por grupo de 100 mil, a de não negros, no mesmo período, foi de 7,1 por grupo de 100 mil – taxa compatível com a de países europeus.

O levantamento também mostrou que houve crescimento 2,8 vezes maior dos casos de homicídios nas regiões Norte e Nordeste do que a média nacional, entre 2007 e 2017, ano em que 65.602 pessoas foram assassinadas. A taxa de homicídios nessas duas regiões aumentou 68% no período, saltando para 48,3 vítimas por 100 mil habitantes. Enquanto isso, a média nacional cresceu 24%, atingindo o patamar inédito de 31,6. O Sudeste e o Centro-oeste tiveram uma leve diminuição, e o Sul ficou estável.

Confira a taxa de homicídio por 100 mil habitantes no Nordeste entre 2007 e 2017

Estado                                             2007                        2017                     taxa de crescimento

Alagoas                                               59,5                             53,7                         -9,8%
Bahia                                                   26,0                            48,8                         87,8%
Ceará                                                   23,2                            60,2                          159,7%
Maranhão                                          18,0                            31,1                            73,1%
Paraíba                                          23,7                         33,3                         40,7%
Pernambuco                                      53,0                           57,2                           7,8%
Piauí                                                    12,5                           19,4                           55,6%
Rio Grande do Norte                       19,1                           62,8                           228,9%
Sergipe                                               25,7                           57,4                           123,5%

Em números totais, no caso da Paraíba, o volume de homicídios aumentou de 864, em 2007, para 1.341, em 2017. A curva em relação ao estado seguiu em uma crescente até 2011 e começou a baixar a partir de 2012. Do Nordeste, os números mais graves são registrados no Rio Grande do Norte, que passou a ser o estado mais violento do Brasil, levando em consideração os números totais. Lá, a taxa de homicídios foi de 62,8 mortes por 100 mil habitantes. O aumento em dez anos foi de 229%. No extremo oposto está São Paulo, com 10,3 mortes por 100 mil habitantes e queda de 34% no período.

Os números da Paraíba preocupam também quando se fala na morte de jovens. A taxa de homicídios no Estado é de 72 por grupo de 100 mil, um índice maior que a média nacional, que ficou na casa de 69,9 por grupo de 100 mil. Os dados mostram ainda que os homens jovens são os mais expostos à violência. Para se ter uma ideia, a taxa de homicídios neste grupo é de 136,8 por grupo de 100 mil.

3 comentários - Atlas da Violência: paraibanos negros correm 6,6 vezes mais riscos de morte que brancos

  1. Tiago vilar Disse:

    Apesar de ser de 2017, mostra que homens, jovens, negros e pobres, são os mais atingidos. Não são as mulheres e os homossexuais, como se afirmava.

    • Patrícia Disse:

      Bom dia, Tiago. Nenhum estudo afirma que mulheres e LGBTs são mais assassinados/as que os homens. O que se faz, à este respeito, é um recorte, igual fizeram com os homens negros. Se faz um recorte entre as mulheres, exemplo:
      Quais sofrem mais feminicídio? Daí se tiram as respostas: As mulheres negras estão em maioria nos casos de feminicídio. Com a população LGBT é a mesma coisa. Pegam um recorte da pesquisa e mostram, fatores, como o número de casos, a idade das vítimas, a periodicidade, etc. Daí, é jogado nas redes percentuais, tipo: A cada 16 horas uma pessoa LGBT é assassinada, ou mesmo, a cada 20 minutos (é menos que isso) uma mulher é violentada.
      É isso que é feito.
      Agora, a nível de comparações, as pesquisas podem fazer um recorte de homens e mulheres negras, por exemplo, e mostrar que os percentuais de homens negros assassinados é maior, igual, ou menor, que o percentual de mulheres negras vítimas do feminicídio, em comparação às mortes de homens e mulheres não negros/as.
      É isso!

  2. Lopes Disse:

    O IPEA é aquele instituto que concluiu que todo brasileiro é estuprador?

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