Presa na Calvário era lotada na PGE, mas ficava à disposição do Canal 40

Assistente de gabinete da Procuradoria-geral do Estado atuava como arrecadadora de propinas, dizem investigadores do Gaeco

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, teria um grande problema se decidisse prender a servidora Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro no trabalho. Ela está lotada na Procuradoria-Geral do Estado (PGE), mas quase nunca aparece por lá. Essa foi a constatação do órgão ao inciar as investigações sobre o caso, no bojo da operação Calvário. Laura foi presa nesta terça-feira (30), mesmo dia em que foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. Os investigadores descobriram que quem quisesse encontrar a servidora em algo relacionado à gestão socialista, teria que procurá-la no “Canal 40”, isso apenas no período de campanha eleitoral.

Fitas estavam na casa da servidora Maria Laura Caldas. Foto: Divulgação

Depoimentos prestados pelo ex-servidor da Secretaria de Administração, Leandro Nunes, indicaram que veio de lá, em 2010, a relação de Maria Laura com a ex-secretária de Administração, Livânia Farias. Passada a campanha vitoriosa, que levou Ricardo Coutinho para o Palácio da Redenção, a servidora teve reconhecida a sua importância. Ela teria ocupado papel de estaque, revela o Ministério Público, na suposta arrecadação de propinas pagas por empresas. Ela foi lotada na PGE, apesar das relações mais próximas com Livânia. No mandado que autorizou a prisão e as buscas e apreensões, autorizadas pelo desembargador Ricardo Vital, havia também informações sobre a relação próxima dela com o agora ex-procurador Gilberto Carneiro.

As informações de Leandro Nunes, no entanto, eram as de que Laura não trabalhava na PGE. Ela foi a terceira pessoa presa entre os auxiliares do governo de João Azevêdo (PSB). A servidora tinha, enquanto profissional da procuradoria, um salário de R$ 3 mil. Apesar disso, as investigações mostraram que ela comprou uma propriedade rural em Santa Terezinha, no Sertão, com pagamento à vista. Também há relatos de carros comprados por ela com pagamento de sinal à vista, sendo o montante de R$ 100 mil. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público no bojo da operação Calvário. O Canal 40 é usado em todos os anos eleitorais, para fazer as campanhas dos candidatos do PSB na Paraíba.

A Operação Calvário, no Estado da Paraíba, investiga núcleos de uma organização criminosa comandada por Daniel Gomes da Silva, que é responsável por desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados junto a unidades de saúde do Estado, com valores chegando a R$ 1,1 bilhão, possuindo atuação em outras unidades da federação, e exemplo do Rio de Janeiro. O trabalho investigativo do Ministério Público é conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).