Preso, Flávio do Cabaré toma posse na Câmara do Conde com uso de procuração

Sem poder ocupar o cargo, vereador protocolou pedido de licença de 120 dias sem vencimento. Luiz de Bihino assume a vaga

Flávio do Cabaré foi preso durante ato na Câmara do Conde. Foto: Reprodução/Youtube

Acabou a novela. O suplente Flávio do Cabaré (PR) foi empossado nesta quinta-feira (39) como titular de mandato na Câmara Municipal do Conde. O inusitado é que a posse ocorrida às 11h foi feita por procuração. O irmão dele, Fábio Melo, representou o agora vereador que, logo em seguida à posse, protocolou um pedido de licença por 120 dias. A ausência na solenidade se deu por causa da prisão preventiva, ocorrida há pouco mais de um mês. Cabaré, apelido de Flávio Melo, é acusado de envolvimento em uma suposta rede de prostituição que envolve atuação entre Paraíba e Pernambuco. O advogado do parlamentar, Júnior Moura, tentou por meio de recurso autorização para que ele fosse empossado, pessoalmente, mas não teve resposta da Justiça.

A vaga para Flávio do Cabaré foi aberta com a renúncia de Fernando Boca Louca (Avante). O parlamentar é acusado da contratação de servidores fantasmas e de se apropriar da maior parte dos salários deles. O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O próprio Boca Louca funcionou como delator, apontando crimes de outros colegas da Casa. Coube ao suplente o protocolo de um pedido de cassação do então titular do cargo por quebra do decoro parlamentar. Durante um protesto pela moralidade no Legislativo e contra a corrupção, no dia 25 de abril, Cabaré foi preso preventivamente, em cumprimento a mandado de prisão expedido pela 2ª Vara Mista de Sapé expedido em agosto de 2018.

Como não vai ter como exercer o mandato, por causa da prisão, Flávio do Cabaré foi substituído na posse por Fábio Melo, o irmão. Após a solenidade, munido da procuração emitida pelo agora titular, Fábio protocolou pedido de licença por 120 dias. Neste período, a defesa vai protocolar novos pedidos de soltura para o parlamentar. Júnior Moura disse que nesta semana foram ouvidas três testemunhas sobre as acusações. Entre elas, duas mulheres arroladas como vítimas do suposto esquema de exploração sexual. “Elas negaram os crimes”, assegurou o advogado. Enquanto isso, a Câmara dará posse ao segundo suplente, Luiz de Bihino (PR). Se em 120 dias a defesa não conseguir a liberdade de Cabaré, o suplente deve ser efetivado no cargo.

comentários - Preso, Flávio do Cabaré toma posse na Câmara do Conde com uso de procuração

  1. Zuza Filho Disse:

    O Conde, pelo visto é uma terra bastante turística e evoluída de fazer inveja à Europa. Com suas belas praias em Jacumã, Tambaba, etc, aprecia-se a olho nu vários Adão e Eva desfilando na areia do Éden badalando o sino. Agora, fechando o ciclo está em cena o seriado de Flavio do Cabaré. No agreste paraibano, Cabaré chama-se “Manichula”; no Sertão é “Borel”; No Curimataú, é “Quebra -queixo”. Na Capital, com a modernização à moda JK, nos anos 60, tempo da Lambreta, DKV e Candango – aflorou-se as famosas Casas de Irene e de Osana. A Rua Maciel Pinheiro, famosa pelo seu Comércio aguerrido e diurno ficou mais conhecida na sua rotina noturna codinominada pelos “cavalheiros” como a rua do “Pierrot” e lá se iam atraído por bonitas “Colombinas turistas” de estados vizinhos e até do sul. Finalmente, no clássico musical da saudosa Ângela Maria ” TANGO PARA TERESA” em 1976, a geometria do prazer mudou-se para uma álgebra mais complexa e decadente, implícito na sua nostálgica letra, ” – que verdadeiramente, dizia-se que ” a luz do cabaré chegou ao fim”. Ledo engano. Eis que o licurgo mirim de Conde, sr Flávio, fez ressuscitar das cinzas o espírito emblemático e recauchutado do substantivo Cabaré na literatura clássica luso-brasileira.

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