Crise no PSB: será erro governista se isolarem Galdino e Pollyanna na Assembleia

Deputada é excluída de reunião do partido e não esconde o desconforto com tratamento dispensado por “aliados”

Deputada Pollyanna Dutra expõe desconforto com tratamento dispensado a ela pelo governo. Foto: Divulgação/ALPB

A deputada estadual Pollyanna Dutra (PSB) não tem escondido de ninguém o desconforto com o tratamento dispensado a ela pelo partido. A parlamentar não esteve estre os convidados para a reunião da executiva com o governador João Azevêdo (PSB). De quebra, aponta o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), como outro excluído do ninho socialista. A postura, convenhamos, não parece das mais inteligentes. Afinal, no círculo dos excluídos estão o dirigente maior do Legislativo e a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Eu e Adriano estamos sendo tratados como se não fôssemos do PSB. O presidente da Casa exerce uma posição política muito importante neste Estado. Também não pode ser esquecido e nem isolado. Ele também não foi convidado para esta reunião”, desabafou a deputada, lembrando, em outro momento, que vai junto com o colega procurar o partido para pedir uma reunião para ser ouvida. O clima dentro do partido vem se tornando irrespirável desde a eleição para presidente do Legislativo. Mesmo sem ser o favorito do ex-governador Ricardo Coutinho e de João Azevêdo, Galdino costurou a eleição dele para os dois biênios.

Sobre Pollyanna Dutra, o desconforto criado em relação a ela entrou em novo patamar quando a deputada aderiu ao G10. O bloco, ela reforça, é governista e vota com o governador. Mesmo assim, ela alega não ser convidada para as reuniões da sigla e também não ser lembrada na hora das definições para compor as comissões na Assembleia. Ao ser perguntada sobre não ser convidada para uma reunião que discutiria estratégias eleitorais para 2020, ela desabafou: “Esquecimento? Isso não é esquecimento, é proposital. A gente não esquece um membro que está aqui, que conquistou um espaço. Não é esquecimento, é proposital”.

A questão é polêmica. Basta perguntar a qualquer liderança do PSB. Todos vão dizer que não há isolamento. Os sinais, no entanto, apontam em outro sentido. E isso é um perigo quando se fala em peças que comandam o Legislativo. A justificativa para não convidar os parlamentares para a reunião foi o fato de eles não serem membros da executiva do partido. Uma justificativa que seria digerida, com certeza, mas em tempos de menor acirramento interno. Esse acirramento, por isso, tem levado para o lado de fora do PSB a impressão de que há, efetivamente, socialistas de primeira e de segunda classe. Uma posição incômoda para os “excluídos”.

O quadro interno do partido se confunde com o do governo, sob o comando de João Azevêdo. Há uma parcela significativa de socialistas cobrando postura mais aguerrida na defesa dos aliados. E isso inclui o embate em defesa de secretários que, eventualmente, se tornem alvos de investigações. As cobranças vão no sentido oposto aos que defendem a busca da governabilidade. Alguns secretários, vale ressaltar, deixaram o governo ao serem citados na operação Calvário. Em relação ao Legislativo, se não tomar cuidado, João poderá acordar sem uma base aliada consistente para chamar de sua…

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