Boca Louca renuncia, Flávio do Cabaré está preso e Luiz de Bihino deve assumir vaga na Câmara

Acusado de corrupção e delator de esquemas na Câmara, Fernando Boca Louca comunica renúncia do cargo

Peculato: Fernando Boca Louca é acusado de ter se apropriado dos salários de servidores indicados por ele na Câmara. Foto: Divulgação

A situação na Câmara Municipal do Conde, na Grande João Pessoa, está de vaca desconhecer bezerro. Na mesma semana em que dois vereadores foram presos preventivamente (Naldo Cell e Malba de Jacumã), o vereador Fernando Boca Louca (Avante) decidiu renunciar ao mandato. Ele encaminhou carta-renúncia à direção da Casa. Para quem não recorda, Boca Louca, ou Fernando Araújo, é aquele vereador acusado de se apropriar da maior parte dos salários dos assessores. Daí vem o problema: o suplente dele, Flávio do Cabaré (ou Flávio Melo, do PR), está preso. A vaga, portanto, poderá sobrar para Luiz de Bihino (PR), o segundo suplente.

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As histórias que cercam a Câmara da cidade são muito graves. Boca Louca é alvo de um processo de cassação por quebra do decoro parlamentar. Ele não nega que quebrou. Até confessou os crimes em depoimento prestado na Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deccor). Ele ficava com 90% dos salários pagos a servidores fantasmas. Alguns deles sequer sabiam que eram contratados pela Casa. Resultado: nestes casos, ele ficava com 100% do salário. Ao delegado Allan Murilo Terruel, Boca Louca revelou que outros vereadores faziam o mesmo no Legislativo.

Aproveitando a oportunidade, o primeiro suplente, Flávio do Cabaré, protocolou pedido de cassação na Câmara. O problema é que antes mesmo de ver o processo percorrer todas as etapas, ele foi preso. A prisão ocorreu no dia 25 de abril, em decorrência de mandado de prisão em aberto desde agosto de 2018. O suplente é acusado de participação em esquema de exploração sexual em municípios paraibanos e de Pernambuco. Há denúncias de retenção de documentos, estímulo para que mulheres contraíssem dívidas e até exploração sexual infantil.

O presidente da Câmara, Carlos Manga Rosa (MDB), não se mostrou surpreso com a decisão do colega. “Acho que ele se antecipou ao fim do processo de cassação. Ele tinha até terça-feira (14) para apresentar defesa na comissão processante. Os crimes foram confessados à polícia. Então, não sobraria muito o que negar”, disse. Recebida a carta-renúncia, ela será lida na primeira sessão ordinária do Legislativo, ou seja, na próxima segunda-feira (13). Com isso, a Casa terá 48 horas para notificar o suplente, Flávio do Cabaré, que conquistou 431 votos na eleição.

Depois da notificação, Flávio terá 15 dias para tomar posse. Neste meio tempo, a defesa poderá protocolar pedido na Justiça para isso. Caso não consiga, a Câmara vai notificar o segundo suplente, Luiz de Bihino (PR). Ele conseguiu 402 votos nas eleições de 2016. Boca Louca tinha conseguido 669 votos no pleito. Um fato que precisa ser analisado é que muito provavelmente a Câmara Municipal vai decretar a perda do objeto no processo de cassação de Boca Louca. Mesmo assim, ele deverá se tornar inelegível para os próximos pleitos por ter renunciado para “fugir” do processo.

 

 

 

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