Aos poucos, Cássio passa o bastão para Pedro Cunha Lima na condução de grupo político

Ex-senador não comparece à convenção estadual do PSDB e delega a Pedro o projeto político da família

Pedro Cunha Lima adota tom ácido em relação aos adversários e busca protagonismo na política do Estado. Foto: Divulgação/PSDB

Os discursos e os gestos vistos na convenção estadual do PSDB, em João Pessoa, neste domingo (5), passam uma mensagem inequívoca: o partido busca a renovação. O comando da sigla ficará a cargo do jovem deputado federal Pedro Cunha Lima, que terá a deputada Camila Toscano como vice. A mudança sinaliza no sentido de que o partido, agora, vai investir em novos nomes, mesmo que guindados de dentro do próprio grupo. O ex-senador Cássio Cunha Lima, que conheceu o céu e o inferno na política do Estado nos últimos 30 anos, se apresenta em marcha de retirada das primeiras posições. Caberá ao filho, Pedro, a tentativa de reconstruir a história vencedora da família, iniciada com Ronaldo Cunha Lima na década de 1970.

A busca de protagonismo fica mais evidente pelo tom das declarações de Pedro em relação aos adversários políticos do grupo. O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) foi o alvo favorito do tucano nos discursos deste domingo. Em pelo menos duas oportunidades, o socialista foi alvo de críticas ácidas proferidas pelo novo presidente do PSDB. “O deputado Tovar (Correia Lima) disse que gosta de dar nome aos bois, fazendo referência a Ricardo Coutinho. Ricardo não é um boi, não. É um ladrão. E a gente enfrentou isso com uma desigualdade tão grande. Quão desigual foi a campanha de 2014. Enquanto a gente se esforçava na oposição, enfrentando a estrutura do governo estadual, enfrentando a estrutura do governo federal, enfrentando a estrutura de uma organização criminosa…”, disse, em discurso.

Pedro tem transformado a operação Calvário, do Ministério Público da Paraíba, em arma para atingir o adversário. “Enquanto a gente fazia campanha em 2014, fazendo oposição, no dia 22 de setembro um avião particular pousava na Paraíba. Trazendo a propina da campanha, o dinheiro que sai do (Hospital de) Trauma (Senador Humberto Lucena). Vencemos o primeiro turno. Essa é a nossa força. A força de pessoas que não vão se cansar”, disse em tom brando. Ao ser abordado pelos repórteres, após a solenidade, elevou o tom efusivo das declarações tendo como alvo o adversário político. Novamente, as acusações de corrupção em torno do contrato do Estado com a Cruz Vermelha voltaram à tona.

“Ricardo (Coutinho) é um chefe de quadrilha. Ricardo está à frente de um esquema de corrupção, de uma organização criminosa que desde 2011 retira dinheiro da saúde. Então não dá para debater. Eu estou focado com outras coisas. Eu vejo que a Paraíba está finalmente sabendo o que é Ricardo Coutinho. O que é que ele promoveu aqui no nosso Estado. Qual uso ele deu à coisa pública”, disse, ao ser questionado sobre frase do ex-governador de que ia mais a Campina Grande do que Pedro Cunha Lima. O deputado disse ainda ser cedo para decidir se vai ser candidato a prefeito da cidade natal, que já foi comandada pelo avô e pelo pai. Atualmente, é administrada pelo primo, Romero Rodrigues (PSD), com quem Pedro diz ter uma relação fraterna.

O não comparecimento de Cássio à convenção fez com que muitos especulassem o significado da ausência. Entre aliados, o entendimento é o de que o não comparecimento tem o objetivo de dar cancha ao filho. Pedro assumiu o mandato de deputado federal após a vitória eleitoral de 2014. Mas mesmo com o status de mais votado para a Câmara dos Deputados, na Paraíba, demorou a assumir protagonismo. Vivia mais à sombra do pai. A derrota de Cássio em 2018, quando não conseguiu renovar o mandato, abriu caminho para a ascensão do herdeiro. Caberá a Pedro e a Camila, agora, a tentativa de reerguer a sigla depois do péssimo resultado do partido nacionalmente e na Paraíba, onde não conseguiu reeleger o principal nome da sigla.

Além de Pedro e Camila, também integram a Executiva: Lauremilia Lucena (segunda vice-presidente), Emerson Panta (terceiro vice-presidente), Zénobio Toscano (secretário-geral), Edna Henrique (secretaria), André Coelho (tesoureiro geral), além dos vigais de Dinaldo Medeiros Wanderley, Cícero Lucena, João Henrique, Dunga Junior e Iraê Lucena. O líder é o deputado Tovar Correia Lima.

Com o slogan “Um novo tempo, um novo PSDB”, os filiados elegeram o diretório estadual, composto por 60 integrantes. Também foram escolhidos os integrantes do Conselho de Ética e Disciplina, Delegados da Convenção Nacional, além do Conselho Fiscal.

O partido

O PSDB conta atualmente com 46.619 filiados no Estado. São três deputados federais, três deputados estaduais, 36 prefeitos e 32 vice-prefeitos eleitos no último pleito, além de 228 vereadores. Entre as lideranças do PSDB presentes estavam o ex-senador Cícero Lucena; a ex-vice-governadora Lauremília Lucena; a deputada federal Edna Henrique; os deputados estaduais Tovar Correia Lima e João Henrique; a ex-deputada Iraê Lucena.

Também estiveram presentes presidentes de partidos como Luciano Cartaxo (PV); Manoel Junior (Solidariedade); Eduardo Carneiro (PRTB); Renato Gadelha (PSC); Walber Virgolino (Patriota); Enivaldo Ribeiro (Progressista); Lucélio Cartaxo (PV); Milanez Neto (PTB); Thiago Lucena (PMN); e Vaulene Rodrigues (Progressista).

comentários - Aos poucos, Cássio passa o bastão para Pedro Cunha Lima na condução de grupo político

  1. José do Nascimento Barreto Disse:

    João Pessoa, 06.05.2019
    Os Cunha Lima, que tiveram algum destaque na luta pela redemocratização, involuíram para teses ultraconservadoras, neoliberais, em recuo no mundo todo, mas ainda fazendo festa no Brasil, e pior, apoiando a corrente bolsonarista, o que é um demérito que lhes vai custar caro. Votaram a favor da reforma trabalhista, como encaram a reforma previdenciária, com se posicionam em relação em entreguismo mais nefasto que assola o pais, em que o estado está sendo pilhado, as estatais sucateadas e esvaziadas, o trabalhador jogado no trabalho escravo e semiescravo, a aposentadoria inviabilizada, educação e saúde destruídas?
    Não é meu intuito polemizar, apenas digo que Ricardo Coutinho realmente inovou na política paraibana, pode ter cometido erros, mas de longe é o político mais importante do estado nesses últimos 20 anos.
    Se é ou não culpado nessa operação Calvário, ai são outros quinhentos, falta apurar na justiça e esperar a sentença transitada em julgado.
    José do Nascimento Barreto -aposentado

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