Hits do Carnaval têm crítica pesada à política e ao presidente

Músicas falam de corrupção e viralizam nas redes sociais com críticas específicas às lideranças políticas

Não tem sido fácil ser político no Brasil no período carnavalesco. Não é fácil, sobretudo, ser presidente da república. Que o diga Jair Bolsonaro (PSL), que virou a coqueluche do momento nos blocos e nas marchinhas. As hashtags das redes sociais, com conteúdo grosseiro, foram transformadas em letras e embalaram a festa em Salvador (BA), Olinda e Recife (PE), Belo Horizone (MG), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). As mais tocadas foram #eibolsonarovaitomarnocu, #aiaiaibolsonaroeocarai e #bolsonaroemiliciano. Não faltaram críticas à falta de dinheiro em escolas de samba e também, lógico, críticas à esquerda. Qualquer semelhança com #foratemer de anos anteriores é mera coincidência.

A história do Brasil sempre foi rica na crítica política. Ela já foi mais “comportada”, como quando as máscaras de políticos eram usadas largamente nas folias de Momo. As marchinhas e os gritos de guerra não eram tão acintosos até o ano passado. O último presidente, Michel Temer (MDB), ouviu de canto a canto do país, em 2017 e 2018, os gritos ritmados de #foraTemer. Antes dele, em 1994, o então presidente Itamar Franco (já falecido) quase se tornou alvo de impeachment por ter posado para foto ao lado da modelo Lilian Ramos. O detalhe: ela estava sem calcinha. A cena foi clicada pelo fotógrafo Marcelo Carnaval. O caso ocorreu no Sambódromo, no Rio.

Por opção, o blog não vai divulgar os hits mais desrespeitosos em relação ao presidente. Entre as marchinhas, a mais bem-humorada foi a que fez uma paródia da música da série “A Grande Família”, da Rede Globo. Nela, o cantor simula a voz do presidente.

Confira:

 

Para quem prefere a crítica às esquerdas, uma marchinha traz sinalização trocada. A letra pressupõe, no início, uma postura hostil ao PT e simpática a Bolsonaro. Mas que tomar o cuidado de ouvi-la toda vai encontrar críticas à liberação da posse de armas, à mistura de religião com política e ainda ao laranjal do PSL. Segue a lógica de que, fora do poder, a mira tem errado os petistas.

 

A Grande Rio trouxe como Samba Enredo críticas à falta de dinheiro, principalmente para o Carnaval.

Da lista dos hits mais críticos ao presidente, segue o menos pesado. Imagine os outros:

Solidariedade em meio ao luto não deveria esbarrar em barreira ideológica

Adversários, ex-aliados e amigos se solidarizaram com Lula, mas Bolsonaro silenciou e o filho proferiu ataques

A lamentável morte do neto do ex-presidente Lula, enterrado no sábado (2), provocou muita tristeza entre aliados e apoiadores. Das mais inesperadas fontes vieram mensagens de apoio e solidariedade. De outras, no entanto, apenas o silêncio e a dureza de palavras insensíveis. É o caso do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Apesar de muito ativo nas redes sociais, ele nada disse sobre a questão. O filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), soltou cobras e lagartos em relação ao luto do adversário. Uma prova de falta de grandeza de quem chega ao poder. Ele criticou a saída do ex-presidente para acompanhar o velório do neto de 7 anos, morto na sexta-feira (1).

As manifestações de solidariedade vieram de todos os lados. A senadora Daniella Ribeiro (PP) integra um partido que foi base aliada de Lula durante o governo dele. Hoje a sigla faz parte da base aliada de Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, ela publicou foto Ricardo Stuckert na qual o ex-presidente é abraçado por aliados e familiares. “Quando a dor do outro não nos comove, não mobiliza na gente solidariedade e empatia, precisamos refletir sobre a nossa humanidade. Ao ex-presidente @lulaoficial e a toda a sua família, meus sinceros e mais profundos sentimentos ph: @ricardostuckert”, disse em postagem nas redes sociais.

Houve mensagem também do senador José Serra (PSDB-SP), tradicional adversário do ex-presidente. Ele manifestou apoio à família por causa do luto após a morte do neto de Lula. Serra foi derrotado pelo petista nas eleições de 2002 e por Dilma Rousseff em 2010. Toda a militância política dele foi em trincheira oposta à do ex-presidente. Algo parecido ocorre com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Ele era identificado por petista como um adversário no Judiciário. Gilmar ligou para Lula enquanto ele estava no velório e manifestou solidariedade. Ambos choraram bastante, segundo o relato de quem esteve presente no velório.

Da família do presidente Jair Bolsonaro, o único a se manifestar foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele fez duras críticas ao ex-presidente e ao fato de ele ter conseguido autorização para acompanhar o velório do neto. As posições geraram repercussões variadas nas redes sociais. De um lado, as críticas de petistas e admiradores de Lula ao ato. Do outro, os defensores da família Bolsonaro apoiando as posições expressadas.

A pausa nas guerras para que os adversários enterrem os mortos é milenar. Os gregos e os troianos faziam isso com frequência. Ao que parece, doses diárias de “semancol” viria bem a calhar neste momento para muitas pessoas.

 

MPF deve ajuizar ADI contra lei que livra Estado de declarar pessoal das OS’s

Representação foi apresentada pelo Ministério Público de Contas do TCE da Paraíba

Bradson Camelo diz que operação Calvário deve facilitar busca pela transparência. Foto: Divulgação

O Ministério Público de Contas do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE) iniciou uma cruzada contra a falta de transparência na declaração dos gastos com pessoal no governo da Paraíba. No centro das atenções estão os gastos das Organizações Sociais (OS’s). A acusação do órgão é a de que o Estado mascara os gastos com pessoal, porque não declara as OS’s. O procurador do MPC, Bradson Camelo, entrou com uma representação no Ministério Público Federal na Paraíba.

O órgão quer que o MPF encaminhe a representação para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O objetivo é que ela protocole uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra lei estadual. Ele alega que há inconstitucionalidade no artigo 13, § 1º, da Lei Estadual 9.454/2011, acrescido pela Lei nº 11.233/2018. A lei trata da contratação de mão de obra via organizações sociais. As despesas têm sido excluídas como gastos com pessoal, o que afronta a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Bradson explica que a não declaração dos gastos, faz com que não se saiba o efetivo gasto do estado com pessoal. Com isso, ele acredita que se descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A legislação exige que o Estado não comprometa mais de 49% do que arrecada com o gasto com pessoal. O Ministério Público de Contas recomendou ao Tribunal de Contas, neste ano, a contabilização também dos gastos declarados pelas OS’s. Na Paraíba, elas administram hospitais e escolas.

Bradson explica que desde 2011 as organizações sociais atuam na Paraíba. Desde então, também, as auditorias especiais do Tribunal de Contas do Estado apresentam irregularidades. “Indícios de corrupção e dificuldades para comprovar gastos (na prestação de serviços). Poucas decisões foram tomadas pelo Tribunal de Contas e precisa ser rígido nesses casos”, disse, fazendo referência à atuação da Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul no Hospital de Trauma.

O procurador diz acreditar que as coisas vão andar mais depressa agora, já que existe uma operação Calvário em curso. “Se não fosse essa grande operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate à Corrupção) do Rio e da Paraíba, nós teríamos mais dificuldades de implantar essa transparência”, ressaltou. O Tribunal de Contas deu prazo de 30 dias para que o governo do Estado passe a divulgar nos gastos com pessoal.