Só faltou puxão de cabelo e dedo no olho em debate na Assembleia

Deputados “trocam gentilezas” após proposta de sessão especial para discutir suspeitas de corrupção em contratos da Cruz Vermelha

Confusão generalizada fez com que a sessão fosse encerrada na Assembleia. Foto: Reprodução

A sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) foi encerrada 32 minutos após ser aberta, nesta quarta-feira (27). O estopim de uma confusão que envolveu troca de acusações, safanão e até murro na mesa foi uma proposta do deputado estadual Raniery Paulino (MDB). O parlamentar propôs a realização de uma sessão especial para que se discuta “as irregularidades cometidas pela Cruz Vermelha Brasileira” em contratos com o governo da Paraíba. Ele pedia, inclusive, a convocação do conselheiro Nominando Diniz, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), para falar de irregularidades no contrato.

O contrato em questão é o firmado entre a Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul e o Estado para a administração do Hospital de Trauma. “O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, reunido em sessão extraordinária no dia 13 de março julgou irregulares as despesas realizadas pela Cruz Vermelha Brasileira apontando diversos tipos de prejuízos e imputando e condenação por unanimidade no valor de R$ 8,9 milhões”, ressaltou, lembrando, também, multa imputada contra o então secretário de Saúde do Estado, Waldson de Souza.

A proposta desagradou aos deputados que apoiam o governo. O primeiro a se posicionar foi o deputado Hervázio Bezerra (PSB). Líder da bancada governista durante as gestões do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), entre 2011 e 2018, ele alegou constrangimento em debates que atinjam a honra das pessoas.

“Debate da honra dói demais. O que têm feito alguns companheiros com uma mulher que vem num sofrimento terrível, chamada Livânia Farias… imagine o sofrimento dos filhos de Livânia? Aqui nesta casa eu sempre disse, deputado Wallber (Virgolino), que parentes de deputados enfrentaram e enfrentam problemas na Justiça e nós chegávamos a comentar de forma reservada. Era por que tínhamos medo? Era conluio? Era frouxidão? Era respeito, porque o que está na Justiça se resolve na Justiça”, disse.

O ato contínuo disso foi um pandemônio. Primeiro Raniery pediu a palavra por entender que a mensagem de Hervázio dizia respeito à mãe dele, a ex-prefeita de Guarabira Fátima Paulino (MDB). Ele pediu para que o assunto fosse tratado. Se houvesse irregularidade para falar referente à emedebista, que ela fosse exposta. Caberia a ele, enquanto deputado e filho, dar respostas.

A partir daí, iniciou-se uma confusão generalizada. Enquanto o líder do governo, Ricardo Barbosa (PSB), se dirigiu à tribuna, houve troca de farpas envolvendo deputados de oposição e governistas. De um lado, Raniery Paulino e Cabo Gilberto. Do outro, Cida Ramos (PSB). Eles protagonizaram uma briga com os microfones desligados.

A deputada Pollyana Dutra (PSB) tentava conter os ânimos, pedindo para eles respeitarem o momento de Barbosa na tribuna. Não houve acordo. Cida reclamou de Raniery alegando que ele teria acusado Ricardo Coutinho de ser ladrão.

Raniery não gostou. “Na baixa frequência, vocês sabem o que fizeram no verão passado, então, vão baixando a bolinha”, disse.

Cida Ramos retrucou: “Vocês também (baixem a bola), porque agora dá uma de vítima. Gosta de dar uma de vítima, mas não gosta de vitimizar os outros. Então, baixe a bola você”, disse.

Enquanto a briga continuava, Ricardo Barbosa, da tribuna, olhava a confusão com ar de incredulidade. Sem conseguir colocar ordem na Casa, Pollyana Dutra resolveu encerrar a sessão.

O ato contínuo disso foi a saída da maioria dos deputados governistas do plenário, mas não o fim da confusão. A deputada Camila Toscano (PSDB) aproveitou a saída de Pollyana da mesa para tentar reabrir a sessão. Ricardo Barbosa contestou, alegando falta de amparo regimental. Foi então que Tovar Correia Lima (PSDB) perdeu a paciência com o líder do governo. Além de dar um tapa na mesa, ainda esboçou o gesto de empurrar Barbosa. A turma do deixa disso agiu rápido.

Não contente com a confusão, o Cabo Gilberto ainda bateu boca com Cida Ramos. Pessoas que assistiram à confusão dizem que ele chegou a bater com a mão na mesa também.

Depois de muita confusão e nenhuma matéria votada, todos deixaram o plenário.

comentários - Só faltou puxão de cabelo e dedo no olho em debate na Assembleia

  1. João asevedo Disse:

    Por que este mefo da operação CALVÁRIO???

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