Em João Pessoa, presidente nacional do Psol diz que morte de Marielle foi crime político

Juliano Medeiros atribui morte ao “Escritório do Crime” e cobra esclarecimento sobre quem são os mandantes

Vereadora do Rio, Marielle Franco, foi brutalmente assassinada. Foto: Divulgação

O presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros, estava na Paraíba quando soube da prisão dos suspeitos de matar Marielle Franco (Psol). Foram presos nas primeiras horas desta terça-feira (12) o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, expulso da corporação. A ação foi coordenada em conjunta pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Para o dirigente do Psol, a morte foi encomendada por motivações políticas.

Ronie foi preso no condomínio de luxo onde mora, no Rio. Ele é acusado de ter apertado o gatilho contra a vereadora e o motorista Anderson Gomes. O condomínio dele é o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem uma casa. O policial reformado é suspeito de integrar milícia do Rio de Janeiro e está entre os milicianos que foram homenageados pela Assembleia Legislativa do Rio. Já Élcio é apontado como o responsável por dirigir o Cobalt utilizado na operação.

A cobrança dos colegas de partido, agora, é que se apontem quem são os mandantes do crime. “Embora nos alivie saber que a Justiça pode ter encontrado os assassinos, resta uma pergunta fundamental, já que se trata de um crime político. Precisam ser encontrados não só os autores, mas as motivações, o que levou esse PM e esse ex-PM a serem contratados para matar Marielle e Anderson. É preciso procurar o mandante e as motivações do crime em quem se incomoda com as ações do PSOL”, afirmou Juliano Medeiros em entrevista à CBN João Pessoa.

As informações que resultaram na prisão dos dois suspeitos da execução vieram acompanhadas também da informação de que eles seguiam ordem do “Escritório do Crime”, uma das milícias mais poderosas do Rio. A Assembleia Legislativa daquele estado se tornou pródiga na concessão de comendas a milicianos. A prática mostra o entrelaçamento entre eles. O presidente do PSOL disse que desde o crime, que completa um ano na quinta-feira (14), o partido tem acompanhado as investigações. “Esse período todo foi de muita angústia da nossa parte”, ressaltou.

Operação

Além dos mandados de prisão, a chamada Operação Lume cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos dois acusados, para apreender documentos, telefones celulares, computadores, armas e acessórios. De acordo com o MP, o crime foi planejado nos três meses que antecederam os assassinatos.

Na denúncia apresentada à Justiça, o MP também pediu a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa, a indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor de Anderson até completar 24 anos de idade.

O sargento Ronnie Lessa mora no mesmo condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem residência, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Élcio foi pego numa casa no Engenho de Dentro, na Zona Norte.Segundo o MP, o nome da operação é uma referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista. No local, ela também costumava se reunir com outros defensores dos direitos humanos e integrantes do seu partido, o PSOL.  “Além de significar qualquer tipo de luz ou claridade, a palavra lume compõe a expressão ‘trazer a lume’, que significa trazer ao conhecimento público, vir à luz”, informa a nota.

Presos

Apesar de outros suspeitos terem sido apresentados anteriormente, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz são os primeiros a serem formalmente denunciados e presos pelo crime.

Ronnie Lessa foi aposentado depois de um atentado a bomba contra ele, que resultou na amputação de uma de suas pernas e que teria sido provocado por uma briga entre facções criminosas.Já Élcio Queiroz chegou a ser preso em 2011 na Operação Guilhotina, da Polícia Federal, que apurou o envolvimento de policiais militares com traficantes de drogas e com grupos milicianos. Na época, Queiroz era lotado no Batalhão de Olaria (16º BPM).

Antes de apresentar os primeiros denunciados pelo crime, a polícia suspeitava que o crime havia sido planejado por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, que teria envolvimento com milícias e que está preso desde outubro de 2017.

No entanto, o próprio Curicica denunciou à Procuradoria-Geral da República que ele estava sendo coagido pela Polícia Civil a assumir a autoria do crime. Por isso, em outubro, a Polícia Federal entrou no caso, para apurar a atuação da Polícia Civil.

Assassinatos

O crime ocorreu no cruzamento das ruas Joaquim Palhares, Estácio de Sá e João Paulo I, pouco mais de um quilômetro distante da casa de Marielle. Um carro emparelhou com o chevrolet Agile da vereadora e vários tiros foram disparados contra o banco de trás, justamente onde estava Marielle. Treze disparos atingiram o carro.

Quatro tiros atingiram a cabeça da parlamentar. Apesar dos disparos terem sido feitos contra o vidro traseiro, três deles, por causa da trajetória dos projéteis, chegaram até a frente do carro e perfuraram as costas do motorista Anderson Gomes. Os dois morreram ainda no local.

A única sobrevivente foi uma assessora de Marielle. O carro ou os carros usados no crime (acredita-se que tenham sido dois) deixaram o local sem que os autores do homicídio pudessem ser identificados, pois as câmeras de trânsito que existem na região estavam desligadas.

Com informações do Jornal da Paraíba e da CBN

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