Executivo 11:48

Operação Fantoche: Aliança usava empresas de fachada para desviar dinheiro público, diz PF

Oito empresas executavam projetos superfaturados com recursos do Sistema S e do Ministério do Turismo

Polícia Federal investiga denúncias de corrupção na execução de projetos financiados com recursos públicos. Foto: Kleide Teixeira

A operação Fantoche, desencadeada nesta terça-feira (19) pela Polícia Federal, revelou a Aliança Comunicação e Cultura LTDA como a responsável pelo esquema de superfaturamento e lavagem de dinheiro público. A empresa é também a responsável pela organização do Maior São João do Mundo, em Campina Grande. De acordo com as investigações da PF, ela executava os projetos contratados fazendo uso de empresas de fachada. O dinheiro era fruto de convênios com o Sistema S, através do Sesi, Senai e Sesc, e do Ministério do Turismo. Pelo menos 60% do arrecadado pela Aliança, segundo a PF, vinha dos contratos suspeitos. Três dos quatro membros do grupo familiar foram presos em Pernambuco, durante a operação. Ao todo, foram expedidos dez mandados de prisão e 40 de busca e apreensão.

Na Paraíba, um mandado de prisão temporária teve como alvo o presidente da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), Francisco de Assis Benevides Gadelha, mais conhecido como Buega Gadelha. O presidente da entidade se encontrava em Brasília e, por isso, não foi localizado pela Polícia Federal na casa dele, em Campina Grande. Houve cumprimento de mandado de busca e apreensão na Fiep. Gadelha é apontado nas investigações como um dos gestores de “departamentos do SESI (Serviço Social da Indústria) alegadamente envolvidos nos desvios em apuração, seja o nacional, sejam alguns regionais de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Mato Grosso do Sul. Gadelha é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Dos irmãos responsáveis pela Aliança, foram alvos de mandados de prisão Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva, Lina Rosa Gomes Vieira da Silva e Luiz Antônio Gomes Vieira da Silva. O único que ficou de fora foi Luiz Geraldo Gomes Vieira da Silva. As apurações revelaram que as Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) eram contratadas pelo Sistema S e elas subcontratavam a Aliança Comunicação com o argumento de que a empresa possuía os direitos autorais dos projetos. A Aliança, por sua vez, fazia uso de empresas de fachada para executar os projetos.

Confira a relação de empresas relacionadas como de fachada:

. 1ª EMPRESA (DE FACHADA): IDEA PRODUÇÕES E LOCAÇÃO DE ESTRUTURAS E ILUMINAÇÃO
. 2ª EMPRESA (DE FACHADA): IDEA LOCAÇÃO DE ESTRUTURAS E ILUMINAÇÃO
. 3ª EMPRESA (DE FACHADA): NEVES E SILVA PRODUÇÕES LTDA
. 4ª EMPRESA (FANTASMA): MAGALHÃES & REGO PRODUÇÕES E EVENTO DE SHOWS
. 5ª EMPRESA (FANTASMA): MARCELO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS
. 6ª EMPRESA (FANTASMA): FABRICIO BEZERRA E LIMA ME
. 7ª EMPRESA (FANTASMA): NUNES E ARAÚJO PRODUÇÃO DE SHOWS E EVENTOS
. 8ª EMPRESA (FANTASMA): FM5.6 LTDA.

A ação da Polícia Federal contou com o apoio do Tribunal de Contas da União e, ao todo, com a participação de 213 policiais federais e 8 auditores do TCU. Eles estão cumprindo 40 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão temporária, nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Alagoas. As medidas foram determinadas pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco, que ainda autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados. Estima-se que o grupo já tenha recebido mais de R$ 400 milhões decorrentes desses contratos.

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COMENTÁRIOS

  1. Avatar for Suetoni
    Fábio

    Caríssimo Senhor Suetoni Souto Maior

    A Rede Vida de Televisão, mascarada pelo Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã também está no rol das empresas de fachada, se tiver interesse tenho documentos que podem comprovar claramente tal afirmação.
    Peço que meus dados não sejam divulgados

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