Rasteira em Hervázio foi rebelião dos deputados governistas contra João

Adriano Galdino foi eleito para os dois biênios na Assembleia Legislativa e se apresenta como “não submisso”

Adriano Galdino vai comandar a Assembleia nos dois biênios. Foto: Francisco França

Um ditado popular afirma que “em rio de piranhas, jacaré nada de costas”. O Palácio da Redenção precisa ficar muito atento a esta máxima para não sofrer mais derrotas na Assembleia Legislativa. A primeira veio logo no primeiro dia da atual legislatura. O governador João Azevêdo (PSB) definiu como estratégia, junto aos deputados da base aliada, que Adriano Galdino (PSB) comandaria a Casa no primeiro biênio. Para o segundo, a missão recairia sobre os ombros de Hervázio Bezerra (PSB). O plano foi passado e repassado. Até a noite desta quinta-feira (31), essa era a palavra de ordem entre os governistas. Tião Gomes, que prometia bater chapa com Hervázio, era visto como dissidente e não teria chances de fato.

A primeira parte do plano foi posta em prática. Começou a sessão, os deputados eleitos para a nova legislatura foram empossados e chegou a hora da eleição. Sem dificuldades, por unanimidade, Galdino foi eleito presidente no primeiro biênio. Em breve discurso, Galdino disse que era “fiel ao governo”, mas que não seria submisso. Preste atenção nesta frase, ela será usada novamente. Bem, depois disso, chegou a vez de discutir a antecipação da eleição para o segundo biênio. O deputado Hervázio Bezerra foi à tribuna e anunciou qual seria a sua chapa. Todos os nomes. Chegou, então, a vez de Tião Gomes (Avante). Ele disse que também seria candidato e foram dados dez minutos, pelo presidente da Casa, Adriano Galdino, para que ambos apresentassem a chapa.

Ao voltar, com um discurso de quase 20 minutos, Tião Gomes deu o tom da insatisfação dele com o governo. Relembrou mágoas com o fato de não ter recebido o apoio de João Azevêdo. Escancarou, ainda, que Adriano Galdino não era desejado pelo governo para comandar a Assembleia Legislativa. Todos viram, do outro lado, um Galdino que assentiu com a cabeça. O ato contínuo foi Tião dizer que não seria mais candidato e pediu que Galdino assumisse a missão. Ele, por outro lado, disputaria na chapa na condição de primeiro vice-presidente. Disse ainda, repetindo o colega Galdino, que sempre foi fiel ao governo, mas que não é submisso. “Me ajoelhar, eu me ajoelho apenas para Deus”, disse, em tom enfático.

Galdino aceitou o convite e bateu chapa com Hervázio. O resultado final foi a eleição dele para o segundo biênio também. Ele conseguiu uma larga vantagem sobre o adversário. Galdino conquistou 23 votos, enquanto Hervázio angariou apenas 13 votos. Antes da eleição, ele tinha a promessa de voto de outros 11 colegas. Eram 24 votos prometidos, ao todo. O resultado da eleição foi mais um para a coleção de traições e viradas espetaculares na Casa.

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