Marcos Vinicius deixa o PSDB e pode se filiar ao PT ou ao PSB

Ex-presidente da Câmara de João Pessoa foi convidado também pelo PSDC para se filiar

Marcos Vinícius evita dizer em qual legenda vai se filiar. Foto: Andréa Santana/CBN

O vereador e ex-presidente da Câmara de João Pessoa, Marcos Vinícius, poderá se filiar ao PT ou ao PSB. A possibilidade de mudança de ares foi aventada após a desfiliação dele do PSDB, partido no qual militava há mais de duas décadas. O agora ex-tucano não dá pistas do destino. Deixa clara apenas a satisfação pelo convite dos colegas. O convite para se filiar ao Partido dos Trabalhadores foi feito pelo vereador Marcos Henriques. Já a proposta de filiação no PSB foi feita pelo também vereador Léo Bezerra. Houve ainda um terceiro convite, feito pelo atual presidente da Câmara, João Corujinha. Se aceitar, o destino será o PSDC, sigla que fatalmente sofrerá com a cláusula de desempenho nas próximas eleições, por causa da baixa representatividade no Congresso – apenas um deputado federal eleito.

Vinícius diz que vai analisar com carinho para qual partido vai migrar. Pessoas próximas a ele alegam que a legenda do futuro partido será um ponto importante a ser analisado. Caso decida migrar para o PT ou para o PSB, fará um daqueles caminhos raros na política nacional. Os tucanos caminham em faixas opostas aos petistas em praticamente todas as cidades brasileiras. Atuam em campos opostos aos socialistas em grande parte delas também. Vinícius, apesar disso, trilhou caminho de conciliação com as duas siglas desde o período em que se articulou para disputar a presidência da Câmara de João Pessoa. Contra a vontade do prefeito Luciano Cartaxo (PV), uniu governistas e oposicionistas, isolando o até então imbatível Durval Ferreira (PP).

O clima para a permanência de Marcos Vinícius no PSDB não era bom desde as eleições de 2016. Na época, houve queixas dos tucanos pessoenses por causa da difícil composição de alianças firmada naquele ano. De lá para cá, as posições nacionais e locais do partido acabaram minando o ânimo das lideranças pessoenses. Dos três vereadores eleitos na capital (Marcos Vinícius, Eliza Virginia e Luiz Flávio), apenas o último deve permanecer no partido. São menos de dois anos até a eleição de 2020. Pelos sinais emitidos pelo ex-presidente da Câmara, não vai demorar para que ele escolha o destino.

Processo contra a Cruz Vermelha espera julgamento há 2.252 dias no TCE

Levantamento feito pelo blog mostra denúncias graves contra o órgão, mas apenas uma delas foi julgada em oito anos

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sugeriu, em 2012, a suspensão do contrato da Cruz Vermelha Brasileira. O alerta apontou irregularidades na contratação da entidade e suposto superfaturamento do contrato. Na época, o valor do contrato assinado com vigência de 24 meses era de R$ 211 milhões. O relatório apontou suposto superfaturamento. O problema é que passados quase sete anos, não houve julgamento ainda pela corte. São surpreendentes 2.252 dias de incertezas sobre o que será decidido pelo órgão de controle. Essa morosidade não é uma exceção entre os contratos.

Basta dizer que de 2011 para cá, apenas um dos relatórios que tratam sobre irregularidades no programa foi julgado. Confira:

O mesmo ocorre em relação ao Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (Ipcep). Apenas um relatório de auditoria foi efetivamente julgado. Neste meio tempo, o órgão viu, entre outras coisas, a empresa enfrentar muitos problemas com a Justiça. Uma ação do Ministério Público do Rio de Janeiro resultou na prisão de toda a cúpula da Cruz Vermelha. A relação inclui o empresário Daniel Gomes da Silva e 11 outras pessoas.

Nesta sexta-feira, o governo da Paraíba decretou intervenção na operacionalização e oferta de ações e serviços de saúde no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, e no Hospital Geral de Mamanguape. As duas organizações sociais geriram mais de R$ 1,1 bilhão entre 2011 e 2018, na Paraíba, segundo dados da operação desencadeada pelo Ministério Público. Apesar disso tudo, surpreende a falta de decisões relativas ao caso no Tribunal de Contas do Estado.

Cruz Vermelha: governo decreta intervenção no Trauma, Metropolitano e Geral de Mamanguape

Atuação de Organizações Sociais nas instituições de saúde é alvo de denúncias formuladas pelo Ministério Público

João Azevêdo determina investigação de contratos da Cruz Vermelha e do Ipsep na Paraíba. Foto: Divulgação

O governo da Paraíba decretou intervenção na operacionalização e oferta de ações e serviços de saúde no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, e no Hospital Geral de Mamanguape. A decisão ocorre pouco mais de um mês após uma operação coordenada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) levar para a cadeia responsáveis pelas organizações sociais que atuam nas instituições de saúde paraibanas e em vários outros estados. Entre eles estava o empresário Daniel Gomes da Silva e 11 outras pessoas com ligações com a Cruz Vermelha Brasileira e o Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP).

As duas organizações sociais geriram mais de um bilhão de reais entre 2011 e 2018, na Paraíba, segundo dados da operação desencadeada pelo Ministério Público. O decreto, assinado pelo governador João Azevêdo (PSB), aponta como um dos motivos para a intervenção de 90 dias “a ocorrência de fatos que indicam uma instabilidade institucional dentro das Organizações Sociais gestoras das unidades hospitalares indicadas na ementa do presente decreto, constatada pela Secretaria de Estado da Saúde e pela Superintendência de Coordenação e Supervisão de Contratos de Gestão, que podem comprometer a continuidade da prestação dos serviços
pactuados e a qualidade do atendimento aos usuários, capaz de ensejar risco quanto ao regular cumprimento das obrigações assumidas nos Contratos de Gestão…”

O decreto ressalta ainda “a obrigatoriedade da administração pública de zelar pela predominância dos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade,  publicidade e, sobretudo, da moralidade e efi ciência, além da necessidade de zelar pela correta aplicação dos recursos públicos”. “A intervenção se realizará no tocante às questões técnicas, assistenciais, administrativas e financeiras das unidades hospitalares de que trata este decreto, visando manter a conformidade dos atos administrativos e o cumprimento das obrigações pactuadas e imprescindíveis à devida prestação dos serviços públicos de saúde”, diz o decreto publicado no Diário Oficial do Estado de hoje.

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Durante a vigência da intervenção, a Cruz Vermelha e o Ipsep ficam impedidos de movimentação de recursos financeiros e a ordenação de despesas; a admissão, movimentação e demissão de empregados, e a rescisão, aquisição e contratação de bens e serviços. João Azevêdo designou o coronel bombeiro Lucas Severiano de Lima Medeiros para comandar o Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, e sua unidade de retaguarda. Já o procurador de Estado Lúcio Landim Batista da Costa vai acompanhar os trabalhos no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires e no Hospital Geral de Mamanguape.

A Secretária de Estado da Saúde deverá, no prazo de 30 dias, instaurar procedimento administrativo para apurar as causas determinantes desta intervenção e definir responsabilidades, assegurado o direito de ampla defesa. “Fica autorizada a Procuradoria Geral do Estado a tomar as medidas jurídicas porventura necessárias para a concretização deste decreto”, diz o documento publicado no Diário Oficial do Estado.

Confira os contratos da Cruz Vermelha investigados pelo Ministério Público:

Ameaçado de morte, Jean Wyllys deixa o Brasil e deve renunciar ao mandato

Parlamentar está de férias, fora do país, com a avó e não pretende seguir carreira acadêmica

Deputado Jean Wyllys, reeleito para o terceiro mandato, disse que sua vida está ameaçada

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) revelou nesta quinta-feira (24), em entrevista à Folha, que vai renunciar ao novo mandato e morar no exterior. Ele está de férias, fora do país, com a avó. O parlamentar revelou como motivo a série de ameaças de morte que diz estar recebendo. Elas foram intensificadas depois da morte da colega de partido, a vereadora do Rio, Marielle Franco, assassinada no ano passado. Wyllys está no segundo mandato de deputado federal e foi reeleito com 24.295 na disputa ocorrida no ano passado.

Jean Wyllys diz que as ameaças de morte já eram comuns antes da morte de Marielle, mas foram intensificadas. Desde então, ele conta que tem andado com escolta policial. O deputado conta sobre uma conversa que teve com o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Nela, recebeu um alerta sobre como proceder para continuar vivo.  “O Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, justifica.

O deputado diz também que as preocupações dele cresceram depois que foi preso um dos responsáveis pelas milícias, no Rio, e foi revelado que ele tinha ligações com o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL). “Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirma Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.

“Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!”, diz o deputado.

Wyllys é o primeiro parlamentar assumidamente homossexual a lutar pelos direitos da comunidade LGBT na Câmara, causa que lhe rendeu enfrentamentos com grupos conservadores. A renúncia ainda não foi oficializada. Se for confirmada, a vaga será ocupada por David Miranda, também do Psol.

Tribunal de Contas instaura auditoria especial para investigar o “Programa Gol de Placa”

Denúncias recentes mostraram que clubes estariam incluindo torcedores “fantasmas” nos balancetes para ganhar mais dinheiro público

Tribunal de Contas do Estado analisa dados do programa. Foto: Divulgação/TCE-PB

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, anunciou nesta quinta-feira (24), que vai realizar uma auditoria especial no “Programa Gol de Placa” , da Secretaria de Estado da Juventude Esporte e Lazer, para apurar a eventual existência de irregularidades, conforme matérias veiculadas nos diversos meios de comunicação.

A formalização do processo foi autorizada pelo presidente do TCE-PB, conselheiro André Carlo Torres Pontes. O processo de inspeção especial, de número 01224/19, vai avaliar todo período que for necessário.

“Como somos um órgão de fiscalização temos que esclarecer a questão, sem fazer nenhum pre-julgamento. O TCE-PB vai também apurar de quem é a responsabilidade”, garantiu o diretor de Auditoria e Fiscalização do Tribunal de Contas da Paraíba, Francisco Lins Barreto.

O Gol de Placa foi criado para incentivar os torcedores a comparecerem a jogos no Estado da Paraíba e ajudar a financiar os clubes. Pelas regras do programa, os torcedores podem trocar notas fiscais por entradas para as partidas. O valor das entradas é pago aos clubes por uma empresa, que, em troca, recebe desconto do governo no pagamento de ICMS.

A coordenação dos trabalhos de inspeção especial no “Programa Gol de Placa”, ficará a cargo da chefe do Departamento de Acompanhamento da Gestão Estadual , Maria Zaira Chagas Guerra.

Da Assessoria do TCE

Cotado para presidir a Assembleia, Galdino promete investir em transparência

Deputado, que já comandou a Casa, diz que pretende dar publicidade a todos os gastos do Legislativo

Adriano Galdino. Foto: Francisco França

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) já presidiu a Assembleia Legislativa e é favorito para voltar ao cargo neste ano. Ele construiu maioria entre governistas e oposição e tem a simpatia do Executivo. Em conversa com o blog, o parlamentar anunciou que a transparência com o dinheiro público será sua principal meta à frente do cargo. A proposta é significativa, uma vez que é histórica a falta de dados disponibilizados pelo órgão para a consulta da população. Mesmo as informações disponibilizadas no Serviço de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres), do Tribunal de Contas do Estado (TCE), são insuficientes.

“A minha meta será a transparência. Vamos divulgar todos os dados sobre os gastos do Legislativo”, disse Adriano Galdino. O parlamentar presidiu a Assembleia Legislativa entre 2015 e 2016. Ele foi sucedido, no cargo, pelo deputado Gervásio Maia (PSB), que deixou a Casa após o final da legislatura para assumir vaga na Câmara dos Deputados. A transparência no Legislativo é uma cobrança antiga dos órgãos de controle, na Paraíba. Isso, principalmente, pelo alto custo da manutenção dos trabalhos no órgão. O entendimento é o de que, com maior exposição, os gastos devem ser reduzidos.

Custo

Um levantamento realizado pela UnB (Universidade de Brasília) mostra bem este impacto. Pesquisa realizada pelo cientista Leonardo Sales, mestre em economia instituição, mostra que cada projeto aprovado na Assembleia Legislativa da Paraíba custa, em média, R$ 1,4 milhão. Ele coletou, para o levantamento, informações sobre as 26 Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No comparativo com outros estados, a Paraíba ocupa posição intermediária. A mais cara em termos de leis criadas é a do Rio Grande do Sul, com o custo de R$ 4 milhões por lei aprovada.

O numerário da Paraíba tem como base a divisão dos R$ 303 milhões do orçamento destinado naquele ano para o poder, com as 213 leis aprovadas. O estudo mostra ainda que o quesito quantidade não dialoga muito com o que a sociedade considera relevante. Do total de leis aprovadas pelas Assembleias, apenas 35% têm impacto no dia a dia. Elas tratam, muitas vezes, da troca de nomes de prédios públicos e da inclusão desta ou daquela cidade no calendário festivo do Estado. Isso sem falar nas criações de datas comemorativas, um recurso muito usado pelos parlamentares para inflarem a produção.

Hervázio e Wilson Filho são nomes mais fortes para o segundo biênio na Assembleia

Parlamentares têm buscado apoio entre governistas e membros da oposição

Nova mesa diretora será definida no primeiro dia da nova legislatura, na semana que vem. Foto: Alexandre Kito

A eleição para o comando da Assembleia Legislativa, no dia 1° de fevereiro, vem, cada vez mais, ganhando ares de indefinição. Para o primeiro biênio, já há o consenso de que Adriano Galdino (PSB) vencerá a disputa com relativa facilidade. Para o segundo, no entanto, restam muitas interrogações. A preço de hoje, nos corredores do Legislativo, dois nomes saltam aos olhos. De um lado está o líder do governo, Hervázio Bezerra (PSB). Do outro, Wilson Filho (PTB). Ambos buscam votos amparados pelo sinal verde dado pelo governador João Azevêdo (PSB).

Pelo critério subjetivo de antiguidade, há vantagens para Bezerra. Ele liderou a base governista durante todo o governo de Ricardo Coutinho (PSB). Isso faz com que o parlamentar seja bem visto no Palácio da Redenção. A larga trajetória, inclusive de embates com a oposição, no entanto, traz alguns perigos para a candidatura. O socialista, por isso, tem se debruçado sobre articulações para atrair votos do bloco também. Dona da maioria dos votos, a base governista tem todas as condições de eleger a mesa para os dois biênios. São 24 dos 36 deputados.

Apesar disso, como a votação é secreta, é impossível garantir que os 24 parlamentares votarão segundo a orientação do governo. É neste espaço que Wilson Filho tenta crescer, buscando apoios dos governistas, mas também pleiteando a atenção da oposição. Todos têm sido procurados para dialogar. Até a sexta-feira da semana que vem, muita coisa poderá acontecer.

Xeque-Mate: Ministério Público vai pedir o impedimento de juiz de Cabedelo

Decisão foi tomada pelo órgão após investigação revelar relação próxima entre magistrado e ex-prefeito

Leto Viana está preso desde abril do ano passado e defesa vê “facilitade” maior em recursos na primeira instância. Foto: Divulgação/TJPB

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) vai pedir no Tribunal de Justiça o impedimento do juiz da Comarca de Cabedelo, Salvador de Oliveira Vasconcelos, para julgar casos relacionados à operação Xeque-Mate. A ação, desencadeada em conjunto pela Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPPB, levou para a cadeia toda a cúpula do Executivo e do Legislativo da cidade em abril do ano passado. A decisão do órgão ocorreu após elementos detectados na investigação apontarem relação próxima do magistrado com os suspeitos. As investigações apontam, entre outras coisas, a existência de familiares de Vasconcelos no quadro de servidores municipais com vínculos precários na prefeitura no período em que Leto Viana (PRP) comandou o município.

Viana foi afastado da prefeitura no dia 3 de abril do ano passado. Ele foi preso sob acusação de comandar uma organização criminosa no município e permanece no 5° Batalhão da Polícia Militar desde então. Também foi presa a mulher de Leto, a então vice-presidente da Câmara, Jaqueline França (PRP); o então presidente da Câmara, Lúcio José (PRP), e outros três vereadores. Além deles, cinco outros vereadores foram apenas afastados do cargo. Os membros do Ministério Público tiveram acesso a novos elementos apurados pela Polícia Federal. Um deles é o depoimento complementar do termo de intenções de colaboração premiada do vereador Marcos Antônio da Silva Santos. Ele revelou suposta estratégia dos suspeitos ligados a Leto Viana para serem beneficiados em caso de o processo retornar para o primeiro grau.

“Existe uma estratégia entre os investigados de aguardar o retorno dos autos da Operação Xeque-Mate a Cabedelo/PB para que suas respectivas solturas sejam imediatamente determinadas pelo juiz Salvador de Oliveira Vasconcelos, da Comarca de Cabedelo”, disse o relato de Marcos Antônio. O processo atualmente está sob a jurisdição do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso foi remetido à corte superior pelo Tribunal de Justiça após as investigações apresentarem suspeitas sobre suposta atuação do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Fernando Catão, para impedir a construção de um shopping em Cabedelo. A medida atenderia a interesses do grupo.

O retorno ao primeiro grau seria uma consequência da renúncia de Leto Viana ao cargo de prefeito. Sem a prerrogativa de foro inerente ao cargo, não haveria motivo para que o processo permanecesse na corte superior. Uma entrevista concedida pelo advogado de Leto Viana, Jovelino Delgado, em 16 de outubro do ano passado, à TV Cabo Branco, colocou uma pulga extra atrás da orelha dos investigadores. “O processo em si retorna ao primeiro grau. Vai ser julgado pelo juiz… um dos juízes, na verdade, de Cabedelo. E para a defesa será mais fácil de fornecermos provas e robustez com relação às delações de Lucas Santino, que, na verdade, ele falta várias vezes com a verdade”, disse, na época, o advogado.

Outro elemento apontado pelo Ministério Público tem a ver com captura de conversa tida através de aplicativo de compartilhamento de mensagem entre o filho do magistrado, Alexsandro Buarque Alves de Vasconcelos, e Leto Viana. O diálogo ocorreu meses antes da prisão de Leto. Nele, Alexsandro pede um “bom emprego” para a esposa e um “bom cargo” para ele na prefeitura. O conjunto de provas recolhidos pelo Ministério Público e pela Polícia Federal inclui ainda contra-cheques em que aparecem parentes do juiz que trabalhavam na prefeitura durante a gestão de Leto Viana. Na troca de mensagens, Alexsandro é identificado na agenda telefônica do ex-prefeito de Cabedelo como “Alexsandro Juiz”. Ele, inclusive, foi candidato a vereador na eleição de 2016, mas não foi eleito.

O blog não conseguiu contato com o magistrado.

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Pedofilia: 1ª Câmara do TJPB forma maioria para condenar Arquidiocese da Paraíba

Padre de Jacaraú, já falecido, foi acusado de abusos sexuais contra pelo menos 20 jovens

1ª Câmara Câmara Cível do Tribunal de Justiça deve concluir julgamento na próxima sessão do colegiado. Foto: Rizemberg Felipe

Uma sessão da 1ª Câmara Câmara Cível do Tribunal de Justiça, nesta terça-feira (22), formou maioria pela condenação da Arquidiocese da Paraíba. No alvo da ação civil pública por danos morais coletivos movida pelo Ministério Público Estadual estão acusações de pedofilia contra um padre na cidade de Jacaraú. De acordo com a denúncia, o padre Adriano José da Silva, já falecido, teria abusado de pelo menos 20 jovens. O placar atual é de dois votos favoráveis à condenação. O desembargador relator José Ricardo Porto acompanhou o parecer da Procuradoria de Justiça e foi acompanhado pelo desembargador Leandro dos Santos. O terceiro voto possível é o do juiz Aluízio Bezerra, que pediu vista.

Os magistrados que proferiram voto até agora entenderam que a instituição religiosa deve ser multada em R$ 300 mil. Apesar da maioria formada, a sentença só poderá ser proferida após o voto de Bezerra. “Reconheço a importância da Igreja Católica e lamento que ações impensadas por parte de um líder espiritual e religioso que tem a missão de agir com coerência e fidelidade à palavra de Deus, sejam ações reprováveis e atentadoras à dignidade humana. O Papa Francisco está sendo severo com relação a esse tipo de comportamento. O resultado parcial está respaldado na lei”, disse o procurador Herbert Targino, autor do parecer seguido pelos magistrados durante o julgamento parcial do caso.

As acusações contra o padre vieram à tona em 2013, quando o religioso chegou a pedir afastamento das funções. Ele faleceu dois anos depois. O procurador fundamentou o seu parecer levando em conta que os supostos atos sexuais foram praticados por padre que pertencia a Igreja Católica. Mesmo com o padre já falecido, a Arquidiocese da Paraíba permanece no polo passivo. Em entrevista recente ao blog, Herbert Targino lembrou que o padre é uma autoridade da Igreja. Ocupa um cargo de confiança e é recebido pelas pessoas como um pastor, a quem se deve respeitar. “Neste caso, em específico, a indenização tem que ter caráter pedagógico”, explica. Na primeira instância, a ação por danos morais coletivos tramitou com um pedido de indenização que atingia a casa dos milhões de reais.

Outra condenação

Uma reportagem exclusiva do Fantástico, da TV Globo, revelou que a Arquidiocese de Paraíba foi condenada pela Justiça do Trabalho ao pagamento de uma indenização de R$ 12 milhões por exploração sexual de menores de idade. Conforme a denúncia do procurador Eduardo Varandas, um grupo de sacerdotes pagava por sexo a flanelinhas e coroinhas na Paraíba. A condenação foi proferida no ano passado.

As denúncias de pedofilia e exploração sexual envolvendo integrantes da Igreja Católica na Paraíba, inclusive o arcebispo emérito da Paraíba Dom Aldo Pagotto, tiveram início em 2015, através de reportagem exclusiva do JORNAL DA PARAÍBA.A partir dela, o Ministério Público do Trabalho iniciou uma investigação de exploração sexual na Igreja Católica da Paraíba. Dom Aldo, entretanto, já vinha sendo investigado, desde 2012 pelo Ministério Público do Ceará, por fatos similares ocorridos em 2004, no período em que atuou no estado. Desde então ele passou a colecionar denúncias investigadas pelo Vaticano.

Secretário de Segurança da Paraíba critica flexibilização da posse de armas

Gestor afirma que estudo do Ipea apresenta armas de fogo como responsáveis por 71% dos homicídios registrados no Brasil

Jean Francisco assumiu a Secretaria de Segurança neste ano. Foto: Angélica Nunes

O secretário de Segurança e Defesa Social da Paraíba, Jean Francisco, vê com desconfiança o decreto que disciplinou a flexibilização da posse de armas no Brasil. A medida foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) recentemente, atendendo promessa de campanha. “Tenho observado essa discussão e não consegui até agora entender como mais armas vão trazer mais segurança”, ressaltou. O problema citado por ele está em uma equação bem simples: atualmente 71% dos homicídios são provocados por armas de fogo. Se você facilita o acesso a elas, em tese, há risco de aumentar o número de mortes.

O secretário apresenta um número que ilustra bem isso. Ele diz que de 2011 para cá, a polícia paraibana retirou 22 mil armas das ruas. Grande parte delas, ele reforça, foram adquiridas legalmente por pessoas que foram roubadas ou repassaram a arma para terceiros. “As pessoas que estão sendo liberadas para ter armas em casa uma hora vão se sentir tentadas a sair com elas. Se forem pegas, estarão cometendo um crime”, ressaltou Jean Francisco. O secretário também demonstrou preocupação com o porte de armas. Neste caso, ainda não há legislação específica.

Jean Francisco diz que a fiscalização continuará na Paraíba e será rigorosa.