Novas denúncias de abusos sexuais contra padres na Paraíba

Após condenação na Justiça do Trabalho, Arquidiocese se vê diante de novas acusações de pedofilia

Padres ligados à Arquidiocese da Paraíba foram acusados de pedofilia. Foto: Alberi Pontes

A condenação da Arquidiocese da Paraíba por crimes de abusos sexuais contra crianças e adolescentes fez com que novos casos fossem denunciados. Em reportagem veiculada pela TV Cabo Branco (Globo), nesta segunda-feira (28), novas vítimas decidiram quebrar o silêncio. A instituição foi condenada a pagar indenização de R$ 12 milhões no ano passado. Os casos vieram à tona em reportagem do Fantástico no domingo da semana passada (dia 20). Na sequência, na última terça (22), formou-se maioria no Tribunal de Justiça para uma nova condenação, desta vez por um caso registrado em Jacaraú. A multa prevista, neste caso, é de R$ 300 mil.

Os casos fizeram com que novas vítimas procurassem o Ministério Público do Trabalho para prestar depoimento.  Um jovem de 28 anos, que preferiu não ser identificado, disse ter reconhecido o padre Rui Braga na reportagem do Fantástico. Ele contou detalhes dos abusos que teriam sido cometidos pelo religioso. O primeiro deles teria ocorrido em uma noite, de um sábado para a madrugada do domingo, na casa paroquial de uma igreja de João Pessoa. Ele falou que os pais não desconfiavam das intenções do religioso e que acabou sofrendo abuso.

“Eu tinha cerca de 9, 10 anos, no máximo. Era coroinha na igreja em que ele era padre. Meus pais confiavam muito. Ele era o padre, havia uma relação de amizade. No domingo de manhã tinha missa e eu serviria na missa”, diz o jovem. Ele conta que dormiu na casa paroquial, junto com outros coroinhas. Foi quando foi chamado no quarto, pelo padre. “No meio da madrugada ele me acordou e me levou para o quarto. Ele fez absolutamente tudo. Eu era uma criança, mas lembro dos detalhes. Os mais sórdidos daquela noite”, contou.

Ainda conforme a vítima, durante o abuso o padre segurava as mãos dele. “Para que eu não tivesse como me mexer, e falava para eu não gritar. Ele falou que era coisa de amigo, que eu não contasse a ninguém, que aquele era nosso segredo e que ninguém precisava saber o que eu tinha feito. Como se a culpa do que eu tinha acontecido fosse minha e eu cresci achando que eu era culpado. No período de dois anos, aconteceram cerca de seis vezes”, conta.

O padre Rui não foi o único alvo das novas denúncias. Os novos depoimentos incluíram acusações também contra o padre Ednaldo Araújo dos Santos. Um homem, que também preferiu não se identificar, contou que teria sido abusado pelo então padre Ednaldo quando tinha 17 anos. O crime teria acontecido em um seminário na cidade de Cajazeiras, no Sertão. Ele contou que decidiu fazer a denúncia para que os casos não sejam esquecidos.

“Decidi entrar em contato e relatar esse acontecimento para que não fique impune. Ele [o padre] me chamou para ir para João Pessoa, para a casa dele, passar o fim de semana. E ele chamou para eu ir pegar o endereço no quarto. Quando entrei no quarto, ele começou a passar a mão no meu corpo”, relata. “Fiquei totalmente paralisado. Eu tinha que fazer alguma coisa porque se não iria ser algo pior e daí foi quando eu tomei atitude e falei para ele que estava indo embora. Eu saí daquele quarto muito traumatizado. Até hoje isso é muito vivo. É uma ferida que não cria casca”, acrescentou a vítima.

O padre Rui Braga se pronunciou na terça-feira (22) por meio das redes sociais. Em uma postagem, ele diz que o conteúdo da reportagem foi algo “requentado no calor de um ódio sem precedente”. “Sinto que não se trata de um zelo pela justiça, mas creio que passa pela esfera do pessoal”, disse. Ele ainda afirmou que as denúncia foram arquivadas e que se as palavras ditas pelas vítima fossem verdade, elas não teriam escondido o rosto.

Com informações do G1 e da TV Cabo Branco

 

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *