Executivo 12:49

Em nota, Arquidiocese ataca quebra de sigilo e esquece a exploração sexual

Igreja precisa, efetivamente, explicar por que padres suspeitos voltaram a celebrar missas

Padres ligados à Arquidiocese da Paraíba foram acusados de pedofilia. Foto: Alberi Pontes

A Arquidiocese da Paraíba quebrou o silêncio em relação à condenação por denúncias de explocação sexual de crianças e adolescentes. Divulgou uma nota oficial, nesta segunda-feira (21). O problema, no entanto, está no conteúdo. Ele se destina a questionar uma suposta quebra de sigilo, por parte do procurador do trabalho Eduardo Varandas. Esquece, portanto, de atacar o problema. Não há no texto justificativas, por exemplo, para a liberação dos religiosos suspeitos voltarem a celebrar missas. O sinal verde, vale ressaltar, vai de encontro à orietação do Papa Francisco, que tem sido duro no combate aos casos de pedofilia na Igreja. O caso foi noticiado pelo Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (20).

A justiça trabalhista condenou a Arquidiocese, no ano passado, ao pagamento de uma indenização de R$ 12 milhões por casos de explocação sexual. As denúncias se multiplicam desde 2014, quando, por meio da carta de uma fiel, os problemas foram expostos. Ela denunciou inúmeros casos de abusos na Igreja, tudo contando com a anuência, de acordo com a acusação, do hoje arcebispo emérito dom Aldo Pagotto. Houve caso de um adolescente que relatou relações sexuais com o então arcebispo. Em meio às denúncias, Pagotto renunciou ao cargo em 6 de julho de 2016. Ele foi substituído por Dom Genival Saraiva, que assumiu a função como administrador apostólico.

Após a chegada de Dom Genival, em 2016, foram afastados os padres Severino, Jaelson de Andrade e Ednaldo Araújo, além do padre Rui Braga. É preciso que a Arquidiocese da Paraíba explique o porquê de os religiosos acusados terem voltado a celebrar missas. Esse seria um passo importante em meio à discussão, seguindo o exemplo de Roma. No fim do ano passado, o papa afastou dois cardeais por denúncias de envolvimento com a pedofilia. Não se trata de caça às bruxas, mas uma instituição fundada na fé e na confiança das pessoas, não pode se abster de dar respostas à sociedade. Sobre o sigilo imposto pela Justiça, não custa lembrar que o objetivo dele é proteger as vítimas, não a Igreja.

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COMENTÁRIOS

  1. Avatar for Suetoni
    Júnior

    Qual desses padres continuam fazendo missa? A população precisa saber.

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