Pedofilia: condenação faz padre Severino pedir exoneração da prefeitura do Conde

Arquidiocese da Paraíba foi condenada a pagar indenização de R$ 12 milhões por casos de exploração sexual

O padre Severino Melo é um dos religiosos acusados de exploração sexual contra crianças de adolescentes. Foto: Divulgação

O padre Severino Melo comunicou à prefeita do Conde, Márcia Lucena (PSB), nesta segunda-feira (21), que formalizará ainda nesta semana o pedido de exoneração do cargo de Secretário-chefe de Gabinete da administração municipal. A decisão foi tomada após a repercussão da matéria divulgada pelo Fantástico, da Rede Globo, a respeito da condenação da Arquidiocese da Paraíba por supostos abusos sexuais de religiosos contra crianças e adolescentes. O nome de Melo aparece entre três os sacerdotes apontados como responsáveis pelos abusos. As vítimas relataram relações sexuais também com Jaelson Alves de Andrade e Ednaldo Araújo dos Santos, além do então arcebispo Dom Aldo Pagotto.

Na conversa que teve com a prefeita, Severino Melo deu explicações sobre os motivos que o levaram a decidir pelo pedido de exoneração. Antes de tomar a decisão, ele teria procurado outros auxiliares da administração municipal. De todos, ouviu relatos sobre as dificuldades que a permanência dele no cargo trariam para a prefeitura. Seria um problema difícil de administrar. O religioso está licenciado do cargo, enquanto faz visita a parentes no Estado da Bahía. Ele foi admitido na equipe de governo ainda no início da gestão de Márcia Lucena. Pesou para a contratação os trabalhos sociais desenvolvidos na cidade. A nomeação ocorreu em 2017, apesar de as denúncias já serem conhecidas na época.

A Arquidiocese da Paraíba foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar uma indenização de R$ 12 milhões, em decisão da primeira instância. Os casos denunciados e a ação movida pelo Ministério Público do Trabalho ganharam repercussão pela primeira vez em 2014, com uma carta escrita por uma fiel. Ela denunciou inúmeros casos de abusos na Igreja, tudo contando com a anuência, inclusive, do hoje arcebispo emérito dom Aldo Pagotto. Houve caso de adolescente que relatou relações sexuais, inclusive, com o então arcebispo. Em meio às denúncias, Pagotto renunciou ao cargo em 6 de julho de 2016. Ele foi substituído por Dom Genival Saraiva, que assumiu a função como administrador apostólico.

Após a chegada de Dom Genival, em 2016, o padre Severino foi afastado das suas funções sacerdotais, juntamente com os monsenhores Jaelson de Andrade e Ednaldo Araújo. Só neste ano, autorizado pelo atual arcebispo da Paraíba, Dom Delson, o padre Severino Melo voltou a celebrar missas. O caso foi visto por auxiliares de Márcia Lucena como um sinal de que as denúncias contra ele não prosperariam. A crença surgiu depois que o Ministério Público da Paraíba arquivou o inquérito criminal que investigava o caso por entender que ele havia prescrito. A condenação na seara trabalhista, no entanto, criou dificuldades à permanência do padre na Prefeitura.

A carta-renúncia deve ser protocolada na Prefeitura do Conde ainda nesta semana.

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