O melancólico Natal dos vices que chegaram ao poder

Durou pouco e foi mal sucedida a moda dos suplentes ocuparem o lugar dos titulares

Michel Temer terá uma saída melancólica do poder, com risco de ser preso por causa de denúncias.(Beto Barata/PR)

O Natal do presidente Michel Temer (MDB) tende a não ser dos mais felizes. A cada 24 horas conta-se um dia a menos dos oito restantes para ele ficar sem foro privilegiado e, consequentemente, correr o risco de ser preso. O emedebista chegou ao poder prometendo duas coisas que não cumpriu: um governo de salvação nacional e unir o país. O que se viu foi bem o contrário. Ele deixará o Palácio do Jaburu carregando no currículo três denúncias da Procuradoria-Geral da República. São acusações de corrupção, de chefiar organização criminosa, de obstruir a Justiça e de lavagem de dinheiro.

A lembrança dos principais amigos, na empreitada que o levou ao poder, deve assombrar Temer também. Afinal, o senador Romero Jucá (MDB) não foi reeleito e está enrolado com a Justiça. Ele caiu rapidinho depois de assumir o Ministério do Planejamento. o secretário de Governo, Geddel Vieira Lima (MDB), está preso desde o ano passado. O emedebista não soube informar de onde vieram os R$ 52 milhões guardados em um apartamento. Isso sem falar em outros auxiliares que tremem toda vez que escutam falar na perda da prerrogativa de foro.

Luiz Antônio chegou ao poder e caiu em poucos meses Imagem/Reprodução/TV Cabo Branco

O exemplo de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, não é diferente. Vídeos mostraram o então vice-prefeito Luiz Antônio (PSDB) buscando uma forma de derrubar o titular, Berg Lima. Ele não precisou colocar o plano mirabolante em prática para chegar ao poder. Bastaram os deslizes do titular. Mas uma vez investido no cargo, o tucano conseguiu se meter uma série de irregularidades. O ato contínuo disso é que ele foi cassado pela Câmara Municipal e se tornou inelegível por oito anos. Ou seja, usará o Natal para ver o hoje rival, Berg Lima, travar nova guerra pelo poder com os vereadores da cidade.

Nosman Barreiro beijou a imagem de Nossa Senhora Aparecida em meio a polêmicas. Foto: Divulgação

Outro que terá um Natal melancólico é Nosman Barreiro. Ele era vice de Amadeu Rodrigues, na Federação Paraibana de Futebol (FPF). Tentou chegar ao poder enquanto Rodrigues deixou o país. Não conseguiu. Depois disso, em meio às denúncias da Operação Cartola, viu o “colega” ser afastado do cargo. Barreiro assumiu o comando da Federação, mas foi sacado do cargo após críticas feitas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Acabou sendo substituída no cargo pela advogada Michelle Ramalho, outra que, em meio a denúncias, terá um Natal aperreado…

João deixa definição dos secretários de Segurança e Cultura para a última semana

Ao menos cinco secretarias importantes ainda não tiveram definidos os mandatários das respectivas pastas

João Azevêdo pretende definir todos os ocupantes de secretarias antes de dar posse à equipe. Foto: Divulgação

O governador eleito João Azevêdo (PSB) deixou para a última semana o complemento da equipe de secretários. Para o grupo que assumirá com ele, em 1° de janeiro de 2019, falta a definição dos representantes da Segurança e Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Humano, Esporte e Lazer, Articulação Municipal e Cultura. A primeira chamada, com os nomes dos representantes, foi anunciada em uma live nas redes sociais ainda no dia 7 de dezembro. De lá para cá, houve pouco avanço na definição dos outros nomes. O senso comum é o de que os secretários atuais das pastas vagas dificilmente permanecerão no cargo. O próprio Azevêdo disse em entrevistas anteriores que algumas peças serão mudadas, por decisão própria deles ou questão estratégica.

O atual secretário de Segurança, Cláudio Lima, é uma das peças consideradas uma incógnitas. Apesar de bem conceituado durante a gestão do governador Ricardo Coutinho (PSB), padrinho político de João, não foram poucas as vezes que ele entregou o cargo. Teve que ser convencido a ficar. Em público, o governador eleito não dá pistas sobre o futuro da pasta. Sobram, no entanto, especulações sobre nomes. O caso da Cultura não é muito diferente. Lau Siqueira é lembrado como uma referência no setor, mas tem sinalizado para a grande possibilidade de deixar a pasta. Recentemente ganhou repercussão nas redes sociais desabafo atribuído a ele sobre as dificuldades vividas por quem ocupa o posto. Na postagem, o secretário diz que fica no cargo apenas até o dia 31 deste mês.

Não há informações oficiais também sobre os nomes que vão ocupar as pastas de Desenvolvimento Humano, Esporte e Lazer, Articulação Municipal. Os titulares na atual gestão são Gilvaneide Nunes, José Marco e Rubens Germano, respectivamente. A partir desta segunda-feira (24), com a ampulheta virada, restarão poucos dias para que tudo esteva definido. Nesta semana também, a Assembleia Legislativa vota a Lei Orçamentária Anual (LOA) que será administrada por João Azevêdo, junto com matérias de interesse do Executivo. Não causará surpresa se algum dos deputados não eleitos passe a figurar na lista dos secretários escolhidos pelo governador eleito e diplomado. Seja quem for, eles serão confirmados ainda nesta semana.

Veja a lista dos espaços já definidos

Administração Direta

Procuradoria-Geral do Estado – Gilberto Carneiro

Procurador adjunto – Paulo Márcio

Controladoria Geral do Estado – Gilmar Martins

Secretaria de Comunicação Institucional – Luís Tôrres

Secretaria Executiva da Comunicação Institucional – Sebastião Lucena

Secretaria da Administração – Livânia Farias

Secretaria das Finanças – Amanda Rodrigues

Secretaria do Planejamento – Waldson Sousa

Secretaria Executiva do Planejamento – Fábio Maia

Secretário Chefe de Governo – Nonato Bandeira

Chefe de Gabinete – Ronaldo Guerra

Secretaria da Receita – Marialvo Laureano

Secretaria Executiva da Receita – Bruno Frade

Secretaria da Infraestrutura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente – Deusdete Queiroga

Secretaria Executiva da Infraestrutura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente
Virgiane Melo

Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca – Efraim Morais

Secretaria da Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido- Luiz Couto

Secretaria do Desenvolvimento Econômico – Gustavo Feliciano

Secretaria Executiva do Turismo – Ivan Burity

Secretaria da Educação – Aléssio Trindade

Secretaria Executiva da Ciência e Tecnologia – Cláudio Furtado

Secretaria Executiva de Administração de Suprimentos e Logística da Educação– Artur Viana

Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana – Gilberta Soares

Secretaria da Administração Penitenciária – Tenente Coronel Sérgio Fônseca

Casa Militar – Tenente Coronel Anderson

Casa Civil – Iris Rodrigues

Secretaria da Saúde – Cláudia Veras

Secreataria Executiva da Saúde – Renata Nóbrega

Secretaria Executiva de Gestão Hospitalar – Geraldo Medeiros

Órgãos da Administração Indireta

DER (Departamento de Estradas e Rodagem) – Carlos Pereira

Suplan – Simone Guimarâes

PBGás- Tatiana Domiciano

PBPrev – Yuri Nogueira

Bolsonaro é o primeiro presidente a não incluir nordestinos no governo

Presidente da República conseguiu mais de 8 milhões de votos na região

Bolsonaro reuniu a equipe de ministros para discutir o governo. Foto: Governo de Transição/Direitos reservados

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vai assumir o cargo no dia 1° de janeiro. Como presidente, vai empossar os 22 ministros escolhidos para iniciar a gestão. A novidade é que, entre eles, não haverá nenhum representante do Nordeste nem do Norte do país. Esta, vale ressaltar, é a primeira vez desde a proclamação da República, em 1889, que isso acontece. A equipe vai incluir 11 nascidos no Sudeste, oito do Sul, dois do Centro-Oeste e um colombiano. Este último, naturalizado brasileiro. O capitão reformado do Exército conquistou 13 milhões de votos nas duas regiões, no segundo turno.

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, botou panos mornos no assunto ao ser procurado pela Folha de São Paulo. Ele disse que a escolha dos nomes, por Bolsonaro, levou em conta apenas critérios técnicos. A posição dos correligionários do presidente eleito é de tranquilidade. Efetivamente, a ausência de nordestinos no governo não quer dizer, necessariamente, que a região será ignorada. Mas é bem verdade, também, que a participação de representantes nas reuniões ministeriais tem o seu peso. Isso sem falar na destinação de recursos.

Confira a lista dos ministros

ANDRÉ LUIZ DE ALMEIDA MENDONÇA
Advocacia-Geral da União

AUGUSTO HELENO
Gabinete de Segurança Institucional

BENTO COSTA LIMA LEITE
Ministério de Minas e Energia

CARLOS ALBERTO DOS SANTOS CRUZ
Secretaria de Governo

DAMARES ALVES
Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

ERNESTO ARAÚJO
Ministério das Relações Exteriores

FERNANDO AZEVEDO E SILVA
Ministério da Defesa

GUSTAVO BEBIANNO
Secretaria-Geral da Presidência

GUSTAVO CANUTO
Ministério do Desenvolvimento Regional

LUIZ HENRIQUE MANDETTA
Ministério da Saúde

MARCELO ÁLVARO ANTÔNIO
Ministério do Turismo

MARCOS PONTES
Ministério da Ciência e Tecnologia

ONYX LORENZONI
Casa Civil

OSMAR TERRA
Ministério da Cidadania e Ação Social

PAULO GUEDES
Ministério da Economia

RICARDO DE AQUINO SALLES
Ministério do Meio Ambiente

RICARDO VÉLEZ RODRÍGUEZ
Ministério da Educação

ROBERTO CAMPOS NETO
Banco Central

SÉRGIO MORO
Ministério da Justiça e Segurança Pública

TARCÍSIO GOMES DE FREITAS
Ministério da Infraestrutura

TEREZA CRISTINA
Ministério da Agricultura

WAGNER DE CAMPOS ROSÁRIO
Ministério da Transparência, Fiscalização e CGU

Noventa prefeituras paraibanas ainda não pagaram o 13° dos servidores

Consulta realizada pela Famup mostra que 40% dos gestores esperam receitas extras para fazer o pagamento. Deles, 10% já anunciaram o “pendura”

Tota Guedes fala de falta de dinheiro nas prefeituras. Foto: Reprodução/Facebook

As festas de Natal e Ano Novo serão “magrinhas” para os servidores de várias prefeituras paraibanas. Levantamento divulgado pela Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), nesta quinta-feira (20), mostra que 40% dos prefeitos ainda não conseguiram pagar o 13° dos servidores. Isso representa cerca de 90 prefeituras do Estado. E pior, pelo menos 10% destas gestões municipais não vão pagar o benefício. A informação foi confirmada pelo presidente da entidade, Tota Guedes. O motivo, ele reforça, é a falta de recursos gerada pela crise. A situação é histórica na Paraíba e pode resultar em reprovação dos balancetes dos prefeitos que serão apreciados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Tota Guedes diz que pelo menos 30% dos prefeitos paraibanos terão que escolher entre pagar o 13° ou aos fornecedores. A prioridade dos pagamentos, segundo a orientação do TCE, é para os profissionais. Caso isso não seja feito, há riscos de reprovação de contas. Os advogados trabalhistas ouvidos pelo blog orientam as pessoas prejudicadas a acionarem as prefeituras na Justiça. Com isso, elas terão condições de receber os recursos, já que existe obrigação constitucional. O número de prefeitos com problemas para pagar a folha e o 13° dos servidores, independente de crise, tem sido o mesmo todos os anos. Ou seja, algo anda muito errado com os nossos gestores.

 

 

 

Joás envia para o STJ recurso do MPPB e mantém Berg Lima na prefeitura

Desembargador entendeu que a competência para o julgamento da medida só caberia à instância superior

Joás de Brito não se considerou competente para reformar decisão do colega. Foto: Divulgação/TJPB

O presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Joás de Brito Pereira, se considerou incompetente para julgar pedido do Ministério Público da Paraíba para suspender o retorno de Berg Lima ao comando da prefeitura de Bayeux. A decisão liminar que permitiu a posse é de autoria do desembargador Marcos Cavalcanti, que decidiu monocraticamente o caso. Descontente com a decisão, o procurador-geral de Justiça em exercício, Alcides Jansen, protocolou pedido para que a medida fosse revista pela própria corte. Em decisão proferida na tarde desta quarta-feira (19), Brito decidiu remeter o pedido para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e sequer analisou o mérito da questão. A decisão foi tomada após a análise da jurisprudência da corte.

“Sem embargo, como o ato hostilizado é a liminar proferida pelo relator da cautelar inominada n° 0807451-25.2018.815.0000, subscrita pelo eminente Des. Marcos Cavalcanti de Albuquerque, falece-me competência para processar e julgar a prsente medida, considerando a larga orientação jurisprudencial acima exposta”, diz Joás de Brito na decisão. Berg Lima retornou ao cargo nesta quarta após quase um ano e meio afastado, por decisão judicial. Ele é réu no Tribunal de Justiça em ação criminal movida pelo Ministério Público. Além disso, foi condenado no primeiro agrau em ação civil pública movida no âmbito da improbidade administrativa pela Curadoria do Patrimônio Público de Bayeux.

Berg Lima estava afastado do cargo desde o dia 5 de julho do ano passado. O gestor é acusado de cobrança de dinheiro para permitir o pagamento a fornecedores da prefeitura. O entendimento do Ministério Público era o de que houve erro formal do desembargador Marcos Cavalcanti na concessão da liminar. O pedido de suspensão de liminar foi direcionado ao presidente do TJPB, Joás de Brito Pereira, na esperança de que ele reformasse a decisão. O magistrado entendeu, no entanto, que ele não poderia mudar uma decisão de outro desembargador.

“Estamos profundamente estarrecidos e indignados com essa decisão”, disse Jansen, ao ser abordado sobre o caso. Na visão dele, houve erro do desembargador. “A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi tomada em uma ação no terreno criminal. O terreno criminal não se confunde com o terreno cível, no qual foi tomada esta outra decisão aqui do senhor desembargador Marcos Cavalcanti”, enfatizou. “Apesar da natural confusão que a complexa rede de nomenclaturas jurídicas pode gerar, o caso em apreço nada mais é do que um simples pedido de atribuição de efeito suspensivo à apelação”, diz o recurso do MPPB.

Marco Aurélio determina soltura de condenados em 2ª instância

Decisão pode beneficiar diversos presos, como o ex-presidente Lula

O ex-presidente Lula deve ser beneficiado com a decisão do ministro. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu nesta quarta-feira (19) uma liminar (decisão provisória) determinando a soltura dos presos que tiveram a condenação confirmada pela segunda instância da Justiça.

A decisão foi proferida em uma das três ações declaratórias de constitucionalidade (ADC’s) relatadas por Marco Aurélio sobre o assunto. Na decisão, o ministro resolveu “determinar a suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la ainda não haja transitado em julgado, bem assim a libertação daqueles que tenham sido presos”. Marco Aurélio ressalvou, porém, que aqueles que se enquadrem nos critérios de prisão preventiva previstos no Código de Processo Penal devem permanecer presos.

A liminar pode beneficiar diversos presos pelo país, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril na Superintendência da Polícia Federal do Paraná. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, no caso do triplex, Lula teve sua condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), segunda instância da Justiça Federal, com sede em Porto Alegre.

Da Agência Brasil

Ministério Público recorre ao presidente do TJPB para afastar novamente Berg Lima

Petição enviada ao presidente do tribunal alega que houve erro formal em liminar concedida por Marcos Cavalcanti

Marcos Cavalcanti liberou o retorno de Berg Lima para o cargo. Foto: Divulgação/TJPB

O procurador-geral de Justiça em exercício, Alcides Jansen, protocolou recurso, nesta quarta-feira (19), contra decisão do Tribunal de Justiça que permitiu ao prefeito Berg Lima reassumir o Executivo. Ele estava afastado das funções desde 5 de julho do ano passado. O gestor é acusado de cobrança de dinheiro para permitir o pagamento a fornecedores da prefeitura. O entendimento do Ministério Público é o de que houve erro formal do desembargador Marcos Cavalcanti na concessão da liminar. O pedido de suspensão de liminar é direcionado ao presidente do TJPB, Joás de Brito Pereira.

“Estamos profundamente estarrecidos e indignados com essa decisão”, disse Jansen, ao ser abordado sobre o caso. Na visão dele, houve erro do desembargador. “A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi tomada em uma ação no terreno criminal. O terreno criminal não se confunde com o terreno cível, no qual foi tomada esta outra decisão aqui do senhor desembargador Marcos Cavalcanti”, enfatizou. “Apesar da natural confusão que a complexa rede de nomenclaturas jurídicas pode gerar, o caso em apreço nada mais é do que um simples pedido de atribuição de efeito suspensivo à apelação”, diz o recurso do MPPB.

Jansen explica que um dos fundamentos do ministro que tomou a decisão na seara criminal, em Brasília, foi dizer que a ação de improbidade não continha elementos indicativos do afastamento (no campo da improbidade). “Ora, o afastamento por improbidade aconteceu no início da ação. Apenas o STJ não tenha essa informação”, reforçou. Ele acrescenta: “O juízo de Bayeux nunca revogou essa decisão de afastamento tomada desde o início da ação que por sinal terminou. Ela vai agora para o grau recursal. O afastamento está mantido, até em nome do interesse público”.

O promotor Octávio Paulo Neto, do Grupo de Atuação Especial de Combate à Corrupção (Gaeco), apontou erro formal do magistrado. “Não vão ser decisões como estas, desencontradas, e carentes de pressupostos fáticos e até jurídicos que vão desmobilizar o ministério público no combate à corrupção”, disse.

Berg consegue liminar no TJ e deve assumir a prefeitura de Bayeux

Decisão de Marcos Cavalcanti suspende afastamento do cargo determinado na primeira instância

Prefeito de Bayeux foi afastado do cargo em meio a denúncias de corrupção. Foto: Secom/Bayeux

Depois de uma verdadeira guerra de liminares, o prefeito de Bayeux, Berg Lima, será novamente empossado no cargo nesta quarta-feira (19). Ele está afastado das funções desde o dia 5 julho do ano passado, sob acusação de tentar extorquir um empresário que tentava receber díviadas do poder público. O gestor chegou a ser preso preventivamente no dia em que foi flagrado recebendo dinheiro do empresário João Paulino, do Restaurante Sal e Pedra. Foi libertado em 28 de novembro, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Réu no Tribunal de Justiça da Paraíba, como efeito de ação criminal, conseguiu habeas corpus da 6ª Turma do STJ, na semana passada, para voltar ao cargo. O retorno, no entanto, não foi concretizado por causa dos efeitos de uma condenação na primeira instância, esta por improbidade.

A condenação por improbidade foi decidida pelo juiz Francisco Antunes Batista, na análise de Ação Civil de Improbidade Administrativa movida pela Curadoria do Patrimônio Público da Comarca. A Câmara Municipal chegou a ser notificada nesta terça-feira (18) da decisão do STJ sobre o habeas corpus concedido em prol de Berg Lima, porém, na comunicação, o juiz Aluísio Bezerra Cavalcanti, escalado para responder pelo TJPB em decorrência da ausência do relator do caso, João Benedito, informou que não poderia haver a posse. Isso por que o pedido da defesa foi prejudicado em decorrência da segunda condenação. Ou seja, a decisão tomada por Antunes continuava a produzir efeitos na área da improbidade administrativa.

O imbróglio foi resolvido pelo desembargadador Marcos Cavalcanti. Respondendo a nova provocação da defesa de Berg Lima, ele decidiu liminarmente pela posse do prefeito no cargo. “O cerne da questão consiste no pedido de concessão de tutela provisória de urgência ao recurso de apelação interposto por Gutemberg de Lima Davi, contra a sentença proferida nos autos da Ação de Improbidade Administrativa c/c Ressarcimento ao Erário e Tutela de Urgência nº. 0802687­ 08.2017.8.15.0751, condenando o requerente à perda da quantia ilicitamente recebida no valor de R$ 11.500,00, em prol do Município de Bayeux­PB, descontando­se os valores já apreendidos na ação penal, além da perda do cargo de Prefeito Municipal, e, ainda, ao pagamento de multa civil equivalente ao dobro da quantia ilicitamente recebida”, disse.

Trocando em miúdos, não existe mais impedimento para o retorno de Berg ao cargo. Ele já possuía habeas corpus referente ao processo na área criminal. Agora conseguiu também para evitar o afastamento no processo que o condenou por improbidade administrativa. O advogado do prefeito, Raoni Vita, acredita no retorno tranquilo de Berg Lima ao cargo ainda nesta quarta. “Esperamos que sim, agora pela manhã. Não se trata de posse propriamente dita, pois empossado ele já foi em 1o de janeiro de 2017, com assinatura do termo, entrega de documentos e leitura do juramento. Trata-se agora de simples retorno ao exercício do cargo, que tecnicamente deve ocorrer com a simples tradição simbólica do prefeito em exercício”, disse.

Acusação

Berg Lima foi preso em flagrante no dia 5 de julho de 2017. Na oportunidade, de acordo com investigação do Gaeco, ele tentava extorquir o proprietário do restaurante Sal e Pedra Receptivo. Em vídeo gravado pelo empresário João Paulino de Assis fica claro o momento em que, após receber a quantia de R$ 3,5 mil, o prefeito afastado liga para uma funcionária determinando a liberação do pagamento de faturas em atraso. De acordo com a acusação, o dono da empresa iniciou o fornecimento de alimentos para a prefeitura em julho de 2016, ainda na gestão de Expedito Pereira. Com a posse de Berg Lima, Paulino passou a encontrar entraves para o recebimento de uma dívida de R$ 77,8 mil da prefeitura com a Sal e Pedra.

As investigações mostraram que, após a alegada cobrança de propina, Berg passou a receber o dinheiro e, em seguida, providenciava a liberação das parcelas da dívida.

Réu no Tribunal de Justiça

Berg Lima ficou preso na carceragem do 5° Batalhão da Polícia Militar por quatro meses. Em novembro do ano passado, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) aceitou denúncia formulada pelo Ministério Público em processo criminal contra o gestor. O Pleno da Corte, de forma unânime, acatou a denúncia na qual ele é acusado de corrupção passiva e concussão, que é quando um funcionário público exige vantagens indevidas.

A denúncia contra Berg tem como base o vídeo em que ele aparece recendo dinheiro de um empresário da cidade. A suposta propina seria para que fosse liberado um pagamento da prefeitura ao homem, que era fornecedor da administração municipal. O momento em que a conversa aconteceu foi monitorado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Polícia Civil, que o prenderam em flagrante. Desde a prisão ele está afastado da administração municipal.

Na diplomação, João elogia Ricardo e diz que a Paraíba “não vai retroceder”

Governador eleito diz que, em 2010, a Paraíba votou na esperança. “Hoje estou aqui para falar de uma nova Paraíba”

João Azevêdo recebeu o diploma e discursou para os eleitos em solenidade. Foto: Reprodução/YouTube/TRE-PB

O governador eleito João Azevêdo (PSB) lançou mão de um discurso com tom poético durante a cerimônia de posse dos eleitos, nesta terça-feira (18). A solenidade ocorreu no Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa. A obra foi uma das entregues pelo padrinho político, o governador Ricardo Coutinho (PSB). Durante a fala, o socialista lembrou da trajetória de professor, que trilhou em grande parte da vida. Daí, falou da tarefa dos mestres paraibanos que conduziram aos postos atuais os detentores de cargos públicos. “Hoje nos formamos”, disse, exibindo o diploma recebido para a platéia, numa referência todos os políticos diplomados nesta terça, entre aliados e adversários.

O discurso, em muitos momentos, reforçou elogios ao legado de Coutinho e críticas aos adversários, mas estes sem citar nomes no caso destes últimos. “Setores atrasados (da política) insistem em tumultuar. Aqui a liberdade é plena, patrimônio inalienável”, enfatizou. João Azevêdo falou sobre conquistas do governo, sempre enfatizando que elas já deveriam existir no passado. Neste rol, falou do ensino integral nas escolas públicas e do programa que permite que estudantes paraibanos façam intercâmbio. “Em 2010, a Paraíba votou na esperança. Hoje estou aqui para falar de uma nova Paraíba”, disse, reforçando o discurso de gratidão ao atual governador. Em clara alusão aos adversários, disse que o Estado não vai retroceder.

O governador diplomado, João Azevêdo, acompanhou Ricardo Coutinho desde a gestão na Prefeitura de João Pessoa. No atual governo, ocupou vários cargos, sempre com destaque dentro da equipe. Em 2016, chegou a ter o nome cogitado para disputar a prefeitura da capital. O momento de crise econômica, no entanto, segundo justificativa dos governistas, fez com que o governador tirasse ele da disputa pelo pleito. Com isso, voltou para a Secretaria de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia. No pleito deste ano, foi lançado como candidato pouco conhecido. Aos poucos, foi ganhando espaço e venceu as eleições ainda no primeiro turno.

Diplomado, Galdino evita falar de favoritismo para a presidência da Assembleia

Deputado agradece incentivo dos colegas, mas diz que todo o processo será conduzido por João Azevêdo e Ricardo Coutinho

Adriano Galdino não quer colocar o carro na frente dos bois, dizem aliados. Foto: Roberto Guedes/Alpb

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) tem sido cauteloso em relação à disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. O nome dele é citado, entre os colegas, como o favorito para comandar a Casa no primeiro biênio. Diplomado nesta terça-feira (18), ele desconversou todas as vezes que foi questionado sobre o assunto. “Para quem saiu das feiras livres de Pocinhos, vendendo confeitos, e foi garçon no Pocinhos Clube, ser deputado pela terceira vez…”, disse, abrindo os braços. Questionado mais uma vez, passou a usar um tom solene, com olhar contemplativo. “Fizemos uma reunião e ficou definido que os condutores do processo serão o governador Ricardo Coutinho e o governador eleito João Azevêdo”, disse, sobre as lideranças do PSB.

Galdino não esconde que tem sido procurado pelos colegas. Ele mesmo largou na busca de apoios com antecedência. A ânsia acabou descontentando Ricardo e João, por causa dos desdobramentos das articulações. Neste processo, com apoio do deputado, foi aprovada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acabava com a antecipação da eleição do segundo biêncio e com o princípio da reeleição. Após pressão de todos os lados, o texto foi arquivado e, por isso, ele não promulgado pela mesa. Houve quem dissesse no primeiro momento que o socialista havia “queimado a largada”. As conversas seguidas com as duas maiores liderenças do partido, no entanto, contornaram a situação.

Com maioria garantida na Casa, não há dúvidas entre os governistas de que eles conseguirão eleger o comando da mesa diretora para o primeiro e o segundo biênio. Adriano Galdino diz que vai continuar conversando com os colegas. A escolha ocorrerá no dia 1° de fervereiro, quando será empossada a nova legislatura. “Vamos eleger novamente os integrantes da mesa para o primeiro e o segundo biênio, tudo de uma vez”, diz Galdinho, sem querer se colocar como favorito. Ele presidiu o Legislativo no primeiro biênio da atual legislatura.