João Azevêdo: “Não acho que armar a população vai resolver o problema da segurança”

Governador eleito critica proposta de Bolsonaro de flexibilizar a posse de arma no Brasil através de decreto

João Azevêdo também não quer que deputados aliados travem guerra fratricida pelo poder. Foto: Júlia Karoline/CBN

“Não acho que armar a população vai resolver problema nenhum de segurança”. Foi com essa frase que o governador eleito da Paraíba, João Azevêdo (PSB), comentou a proposta do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), de flexibilizar a ‘posse’ de armas no Brasil. O capitão reformado do Exército publicou postagem no Twitter, no fim de semana, anunciando um novo decreto. A proposta versa sobre facilitar a compra de arma de fogo pelos cidadãos, desde que eles não tenham antecedentes criminais. Para Azevêdo, a proposta tende a não produzir os efeitos esperados pelo futuro presidente. Ele deu entrevista na manhã desta segunda (31) no programa CBN João Pessoa.

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“Não vai ser desta forma (que se vai ampliar o combate à criminalidade). Até por que a Paraíba apreende mais de dez armas por dia. Nós criamos um programa exatamente com efeito contrário, fazendo com que cada arma apreendida pela polícia, o policial ou o grupo recebe uma gratificação por isso, porque nós entendemos que é preciso tirar a arma das mãos de quem não tem condições de usar. O cidadão que quer ter uma arma em casa, já tem critérios na legislação que permitem”, ressaltou João Azevêdo. O governador eleito prometeu implementar logo no primeiro semestre deste ano o Centro de Monitoramento e Controle da segurança pública.

Incertezas

Azevêdo demonstrou incertezas em relação ao relacionamento do governo paraibano com o governo federal. Ele alega que faltam informações sobre como será essa relação. “Tenho participado de várias reuniões e não há clareza sobre o que haverá de políticas públicas. De qualquer segmento: de haitação, de política de inclusão, de infraestrutra, de como serão esses investimentos”, ressaltou o governador eleito. “Isso, claro, nos deixa apreensivos, até por conta de algumas citações de que estados que não deram maioria de votos ao presdiente, terão tratamento diferenciado. Eu torço para que evidentemente isso não aconteça”, acrescentou.

Presidente da Assembleia

O governador eleito aproveitou para manifestar o desconforto com a guerra fratricida entre deputados da base aliada, na Assembleia. Há um certo nível de consenso para a escolha do presidente do primeiro biênio. O nome mais forte é o de Adriano Galdino (PSB). Para o segundo, sobram candidatos. São pelo menos mais quatro. Azevêdo diz que os 22 deputados governistas foram eleitos como decorrência do projeto que deu sustentação ao governo de Ricardo Coutinho. Alega que todos eles foram beneficiados e que não faria sentido uma guerra pelo poder agora.

“Esse projeto tem que ter unidade. Para que haja governabilidade é importante que haja entendimento. É até impensável você imaginar que tenha 22 deputados e você cria um racha interno na própria base para a eleição de presidente. Só se for uma questão muito pessoal que alguém queira colocar acima dos interesses do grupo e acima do projeto e isso não pode ocorrer de forma alguma”. A partir do dia 10 de janeiro é que vamos começar a tratar o assunto”, disse.

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