O melancólico Natal dos vices que chegaram ao poder

Durou pouco e foi mal sucedida a moda dos suplentes ocuparem o lugar dos titulares

Michel Temer terá uma saída melancólica do poder, com risco de ser preso por causa de denúncias.(Beto Barata/PR)

O Natal do presidente Michel Temer (MDB) tende a não ser dos mais felizes. A cada 24 horas conta-se um dia a menos dos oito restantes para ele ficar sem foro privilegiado e, consequentemente, correr o risco de ser preso. O emedebista chegou ao poder prometendo duas coisas que não cumpriu: um governo de salvação nacional e unir o país. O que se viu foi bem o contrário. Ele deixará o Palácio do Jaburu carregando no currículo três denúncias da Procuradoria-Geral da República. São acusações de corrupção, de chefiar organização criminosa, de obstruir a Justiça e de lavagem de dinheiro.

A lembrança dos principais amigos, na empreitada que o levou ao poder, deve assombrar Temer também. Afinal, o senador Romero Jucá (MDB) não foi reeleito e está enrolado com a Justiça. Ele caiu rapidinho depois de assumir o Ministério do Planejamento. o secretário de Governo, Geddel Vieira Lima (MDB), está preso desde o ano passado. O emedebista não soube informar de onde vieram os R$ 52 milhões guardados em um apartamento. Isso sem falar em outros auxiliares que tremem toda vez que escutam falar na perda da prerrogativa de foro.

Luiz Antônio chegou ao poder e caiu em poucos meses Imagem/Reprodução/TV Cabo Branco

O exemplo de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, não é diferente. Vídeos mostraram o então vice-prefeito Luiz Antônio (PSDB) buscando uma forma de derrubar o titular, Berg Lima. Ele não precisou colocar o plano mirabolante em prática para chegar ao poder. Bastaram os deslizes do titular. Mas uma vez investido no cargo, o tucano conseguiu se meter uma série de irregularidades. O ato contínuo disso é que ele foi cassado pela Câmara Municipal e se tornou inelegível por oito anos. Ou seja, usará o Natal para ver o hoje rival, Berg Lima, travar nova guerra pelo poder com os vereadores da cidade.

Nosman Barreiro beijou a imagem de Nossa Senhora Aparecida em meio a polêmicas. Foto: Divulgação

Outro que terá um Natal melancólico é Nosman Barreiro. Ele era vice de Amadeu Rodrigues, na Federação Paraibana de Futebol (FPF). Tentou chegar ao poder enquanto Rodrigues deixou o país. Não conseguiu. Depois disso, em meio às denúncias da Operação Cartola, viu o “colega” ser afastado do cargo. Barreiro assumiu o comando da Federação, mas foi sacado do cargo após críticas feitas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Acabou sendo substituída no cargo pela advogada Michelle Ramalho, outra que, em meio a denúncias, terá um Natal aperreado…

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