Em seis anos, greves na UEPB renderam 1 ano e 4 meses de “folga” para servidores

Direito de greve é legal e importante, mas virtualmente os profissionais não perceberam que o modelo de pressão fracassou

Alunos e professores da UEPB ficaram sem o auxílio dos servidores durante o período de greve. Foto: Divulgação

Está lá estabelecido na lei Nº 7.783, de 28 de junho de 1989. O artigo 1º diz que “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”. Isso ninguém contesta. É um direito legítimo do trabalhador, previsto em lei. Agora, convenhamos, há casos que chamam a atenção por virtuais exageros (não falo em abusos). Um exemplo claro é o da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Lá, os servidores conseguiram acumular surpreendentes 494 dias em geve nos últimos seis anos. Isso dá precisos 1 ano, 4 meses e 10 dias. A última paralisação acabou nesta terça-feira (4), depois de 125 dias sem prestação de serviços à sociedade. Neste meio tempo, os professores pararam surpreendentes 325 dias. Um pouco menos.

O encerramento da greve dos servidores técnico-administrativos foi decidido em assembleia na segunda-feira (3). A motivação não foi nenhum reajuste ou outro benefício conquistado, mas uma decisão judicial que determinou a suspensão imediata da greve. A liminar foi conquistada após ação movida pela instituição de ensino. A solução do problema não é simples ainda. Os profissionais decidiram que vão trabalhar menos horas. Eles prometeram dedicar apenas seis e não mais oito horas de trabalho.

Em resposta ao G1, a Reitoria da Universidade afirmou que vai cumprir o que estabelece o PCCR da categoria dos técnicos administrativos em relação ao horário integral correspondente ao regime de trabalho e quem não cumprir a carga horária estabelecida no PCCR de acordo com seu regime de trabalho estará passível das devidas medidas administrativas. Os servidores reivindicavam a defesa da lei que dispõe sobre a autonomia da UEPB, além do reajuste salarial, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (Sintesp/UEPB).

O presidente do Sintesp/UEPB, Fernando Borges, destacou que apesar do fim da greve, é hora de união. “A categoria unida fica mais fortalecida para enfrentar todos os desafios que se apresentam. Nós continuaremos ao lado dos servidores para que juntos possamos vencer as batalhas”, afirmou. Com o retorno da categoria, todos os serviços administrativos da instituição que estavam funcionando parcialmente devem voltar à normalidade.

O vice-presidente do Sintesp, Gustavo Araújo, disse à CBN entender que o movimento precisa ser repensado. “As greves não têm sido efetivas do ponto de vista da conquista de novos direitos ou até da manutenção dos direitos que a gente tem. Então, a gente prevista rever a forma de fazer o movimento para os trabalhadores. A gente entende que a greve deve ser um último instrumento e que a gente deve encontrar novas alternativas para o ano de 2019”, disse, porém, ponderando ser o único “instrumento disponível até agora”. “A gente precisa encontrar novos instrumentos”, acrescenta, de foram assertiva.

6 comentários - Em seis anos, greves na UEPB renderam 1 ano e 4 meses de “folga” para servidores

  1. Rosalvo C. de Andrade Disse:

    Prezado senhor Suetônio Souto:

    Sou Rosalvo C. de Andrade, técnico-administrativo da UEPB, e gostaria de lhe sugerir algumas correções no seu texto.

    A notícia da “folga” dos técnicos-administrativos da UEPB de um ano e quatro meses dada no Jornal da Paraíba está incorreta!

    Por uma simples razão:
    Finais de semana e feriados (nacionais e regionais) não contam como dias de greve! O senhor está contando tudo isso como dias de trabalho normal. Não faz nenhum sentido do ponto de vista matemático

    Para elucidar as contas que seguem, vou usar a seguinte nomenclatura:
    Dias úteis – são os dias de trabalho excluindo sábados, domingos e feriados nacionais.

    Ressalto que o total mostrado no final ainda não seria o número exato de dias paralisados. Seria um número ainda menor, pois ainda teríamos de levar em conta os feriados regionais. Posso efetuar novo cálculo outro dia para obter o valor exato. Só levei em conta os feriados nacionais.

    Ressalto ainda que as datas de início e término das greves mostradas no jornal não batem com os registros que tenho. Mesmo assim, usando os dados do JP:

    *Greve de 2013:*
    Início: 26 – 02 – 2013
    Término: 30 – 04 – 2013
    Dias úteis de paralisação = 45

    *Greve de 2015:*
    Início: 12 – 03 – 2015
    Término: 28 – 10 – 2015
    Dias úteis de paralisação = 160

    *Greve de 2017:*
    Início: 22 – 04 – 2017
    Término: 11 – 07 – 2017
    Dias úteis de paralisação = 56

    *Greve de 2018:*
    Início: 30 – 07 – 2018
    Término: 3 – 12 – 2018
    Dias úteis de paralisação = 87

    Total: 348 dias de paralisação, no máximo. É matematicamente impossível resultar em 1 ano e 4 meses de greve contínua.

    O número total acima é exato? Como já disse, é exato levando em conta só os feriados nacionais. Serve como um limite superior. No entanto, podemos dizer com certeza:

    A soma dos dias que passamos em paralisação é menor que 348 dias.

    A soma real dos dias paralisados é igual a 348 menos os feriados locais e pontos facultativos ocorridos na UEPB no referido período, o que pode ser feito com mais pesquisas.

    Se o senhor quiser melhorar o cômputo, que refaça as contas incluindo os *feriados locais*, o que exigirá mais um tempo para uma pesquisa. No final, o resultado será ainda menor que 348 dias.

    Ficou entendido? Quando o senhor afirma que passamos 1 ano e 4 meses, dá a entender para a população que passamos 1 ano e 4 meses sem trabalhar no período. E isso é errado, prezado jornalista! Se fôssemos somar os dias de paralisação efetivos, como mostrado acima, essa soma seria menor que 348 dias, inferior a um ano, portanto.

    Corrija a matéria, por favor.

    Usei a ferramenta abaixo para refazer os cálculos, além da calculadora financeira HP 12C:

    https://www.dias-uteis.com/mobile_home.php

    *

  2. Rosalvo C. de Andrade Disse:

    Prezado senhor Suetônio Souto:

    Sou Rosalvo C. de Andrade, técnico-administrativo da UEPB, e gostaria de lhe sugerir algumas correções no seu texto.

    A notícia da “folga” dos técnicos-administrativos da UEPB de um ano e quatro meses dada no Jornal da Paraíba está incorreta!

    Por uma simples razão:
    Finais de semana e feriados (nacionais e regionais) não contam como dias de greve! O senhor está contando tudo isso como dias de trabalho normal. Não faz nenhum sentido do ponto de vista matemático

    Para elucidar as contas que seguem, vou usar a seguinte nomenclatura:
    Dias úteis – são os dias de trabalho excluindo sábados, domingos e feriados nacionais.

    Ressalto que o total mostrado no final ainda não seria o número exato de dias paralisados. Seria um número ainda menor, pois ainda teríamos de levar em conta os feriados regionais. Posso efetuar novo cálculo outro dia para obter o valor exato. Só levei em conta os feriados nacionais.

    Ressalto ainda que as datas de início e término das greves mostradas no jornal não batem com os registros que tenho. Mesmo assim, usando os dados do JP:

    *Greve de 2013:*
    Início: 26 – 02 – 2013
    Término: 30 – 04 – 2013
    Dias úteis de paralisação = 45

    *Greve de 2015:*
    Início: 12 – 03 – 2015
    Término: 28 – 10 – 2015
    Dias úteis de paralisação = 160

    *Greve de 2017:*
    Início: 22 – 04 – 2017
    Término: 11 – 07 – 2017
    Dias úteis de paralisação = 56

    *Greve de 2018:*
    Início: 30 – 07 – 2018
    Término: 3 – 12 – 2018
    Dias úteis de paralisação = 87

    Total: 348 dias de paralisação, no máximo. É matematicamente impossível resultar em 1 ano e 4 meses de greve contínua.

    O número total acima é exato? Como já disse, é exato levando em conta só os feriados nacionais. O resultado que forneci serve como um limite superior. No entanto, podemos afirmar com certeza:

    A soma dos dias que passamos em paralisação é menor que 348 dias.

    A soma real dos dias paralisados é igual a 348 menos os feriados locais e pontos facultativos ocorridos na UEPB no referido período, o que pode ser feito com mais pesquisas.

    Se o senhor quiser melhorar o cômputo, que refaça as contas incluindo os *feriados locais*, o que exigirá mais um tempo para uma pesquisa. No final, o resultado será ainda menor que 348 dias.

    Ficou entendido? Quando o senhor afirma que passamos 1 ano e 4 meses, dá a entender para a população que passamos 1 ano e 4 meses sem trabalhar no período. E isso é errado, prezado jornalista! Se fôssemos somar os dias de paralisação efetivos, como mostrado acima, essa soma seria menor que 348 dias, inferior a um ano, portanto.

    Corrija a matéria, por favor.

    Usei a ferramenta abaixo para refazer os cálculos, além da calculadora financeira HP 12C:

    https://www.dias-uteis.com/mobile_home.php

    *

    • Suetoni Disse:

      Bom dia, amigo. Aceito todos os seus argumentos com muito respeito. Emiti uma opinião, deixando claro o meu respeito ao direito de greve, necessário a nossa democracia e relações de trabalho. Só acho que o modelo de mobilização não tem surtido efeito. Isso é ruim para a coletividade. Creio, na minha visão, que é preciso buscar uma nova fórmula de pressão. Fico à disposição. Abs

  3. Rosalvo C. de Andrade Disse:

    Boa tarde, senhor Suetoni Souto Maior (acertei seu nome agora).

    Antes de mais nada, muito obrigado pela resposta.

    No meu último texto, evitei tocar no assunto “modelo de mobilização” a que o ilustre jornalista se referiu. Acredite, também concordo que greve de qualquer categoria é ruim para a coletividade. Assim como quase todo mundo, sou usuário de serviços públicos e sei o quanto provoca transtorno um movimento paredista. É indiscutível. Ponto pacífico.

    No entanto, na crítica que fiz eu me restringi unicamente à questão aritmética tratada pelo senhor, sem entrar no mérito da questão, da natureza da greve, etc. Somente a questão aritmética é que foi a razão da minha crítica.

    Mostrei que os cálculos dos dias parados estão visivelmente errados. E qualquer um com um razoável traquejo na utilização de recursos online na nuvem pode refazer as contas lançando mão das ferramentas que citei no final do meu texto. Refaçam e vão chegar aos mesmos resultados que eu. É método científico puro. No link dado, o cômputo dos dias úteis, feriados nacionais, número de finais de semana é tudo calculado de forma automática. Basta informar nos devidos campos as datas de início e fim de cada greve.

    Peço novamente, se possível, para corrigir os números de dias paralisados. Não passamos um ano e quatro meses acumuladamente sem trabalhar desde 2013. Foram menos de 348 dias acumulados, conforme mostrei, se levarmos em conta os feriados e pontos facultativos locais – dias em que normalmente ninguém trabalha.

    Quanto a sua opinião sobre o andamento, modelo de mobilização ou natureza das greves, sou obrigado a aceitar como cidadão que o senhor tem todo direito de externar seu posicionamento. Respeito demais.

    Sugiro, com toda humildade, que a ferramenta online abaixo – ou outras similares – seja utilizada por todos os interessados no assunto para estimar os dias paralisados em qualquer greve.

    Segue mais uma vez o link:

    https://www.dias-uteis.com/mobile_home.php

    *

  4. Luciano Costa Disse:

    Diante do exposto de ambas a parte, eu, contribuinte que junto com outros outros pagamos essa conta pergunto: a UEPB deixou de funcionar em sua totalidade ??? O serviço desses que estavam em greve são realmente necessários e fundamentais ?? Isso é um absurdo extremo. Falar em privatização desse setor seria algo a se pensar. Por esses e outros motivos a UEPB está como está.

  5. Felipe Disse:

    Sou servidor técnico administrativo da UEPB e, como a maioria da nossa categoria, não acho que a greve é a melhor opção. Infelizmente sair colocando que estamos de “folga” é fácil, difícil é se conhecer a nossa realidade. Como por exemplo: anos sem reajuste salarial, desrespeito à Data-base, congelamento de progressões, entre outros. Conseguimos o horário contínuo não por bondade, mas como uma forma de compensar todas as perdas. Horário esse que foi revogado sem nenhuma discussão com a categoria. Mas, mesmo assim, tentando diálogo com a Reitoria, avisamos com antecedência de um mês praticamente, sem sucesso. Coisa tão recorrente. Fala-se em “utilidade” da Universidade, mas, por que não se fala na valorização dos servidores, ou por que não se fala em gestão? São muitos fatores, impossibilitando tratar os técnicos como o problema dessa história. Finalizo com as palavras do colega, se é pra falar de mídia democrática, por que não se abre o espaço para a nossa categoria expor suas razões e motivações?

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