Enem aborda direitos humanos, racismo e manipulação na internet

Com textos longos, candidatos precisaram ter atenção redobrada

Candidatos aguardam abertura do portões do UniCEUB para o primeiro dia de provas do Enem 2018

No primeiro domingo do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), foram aplicadas as provas de linguagem, ciências humanas e redação. Alguns temas abordados foram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, racismo, ditadura militar e violência contra a mulher.

Logo na sexta questão, a prova citou a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Audrey Azoulay, em uma fala sobre a existência da discriminação e do ódio na sociedade. “A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70 anos em tempos de desafios crescentes, quando o ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos”.

Racismo
O exame também incluiu o trecho de uma matéria de jornal que cita a “intolerância do internauta” brasileiro, traduzida em mensagens de racismo, posicionamento político e homofobia. O racismo também foi abordado em um poema que aborda o discurso racista internalizado na sociedade. O racismo apareceu ainda na prova de ciências humanas, através da ativista Rosa Parks.

Rosa Parks foi uma costureira negra norte-americana que entrou para a história da luta pela igualdade de direitos civis ao recusar-se a ceder seu lugar no ônibus a uma pessoa branca. Parks foi presa por um dia, mas seu gesto deu início a um boicote ao transporte público local e culminou, meses depois, com o fim da lei que determinava a separação de negros em assentos separados dos brancos nos Estados Unidos. O episódio envolvendo Rosa Parks foi incluído na prova.

Violência contra a mulher
A violência contra a mulher foi outro tema levantado nas provas de hoje. Na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, uma campanha publicitária contra o assédio a mulheres em trens de Porto Alegre foi tema de uma questão.

Uma peça publicitária da década de 1940 foi tema de outra questão na prova de ciências humanas e suas tecnologias. A peça reforça os estereótipos de mulher submissa e a prova questionou o estudante sobre essas distorções da visão, predominante à época, que se tinha da mulher.

Ditadura militar
A ditadura militar foi tema na prova de ciências humanas. O exame reproduziu a carta do cartunista Henfil ao presidente Ernesto Geisel escrita em 1979. Na carta, Henfil declara a devolução do seu passaporte, uma vez que os passaportes de outras oito pessoas, dentre elas Leonel Brizola e Miguel Arraes, tinham sido negados.

“Considerando que, desde que nasci, me identifico plenamente com a pele, a cor dos cabelos, a cultura, o sorriso, as aspirações, a história e o sangue destes oito senhores. […] venho por meio desta devolver o passaporte que, negado a eles, me foi concedido pelos órgãos competentes do seu governo”, diz um trecho da carta reproduzida no exame.

Redação
Hoje, os estudantes fizeram provas de linguagem, ciências humanas e redação. O tema da redação foi “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. O exame segue no dia 11 de novembro, quando os estudantes farão provas de ciências da natureza e matemática.

Prova mais conteudista
Para o professor de redação, sócio e vice-presidente de educação do curso online Descomplica, Rafael Cunha, o Enem manteve o padrão das provas dos últimos anos. “Muita leitura, uma variedade bastante grande de textos, desde técnicos, passando por literários, gráficos, ilustrações, fotografias e obras de arte”.

Segundo Cunha, a prova foi essencialmente de leitura e interpretação. “Foi uma prova de diversos textos ligados a questões sociais bastante relevantes como imagem da mulher, preconceito em relação à mulher, racismo. Uma prova com preocupação social bastante forte”.

O professor de filosofia e sociologia do curso pré-vestibular online ProEnem Leandro Vieira concorda que o Enem 2018 seguiu tendência de anos anteriores e estava mais complexa. “A prova estava mais complexa, mais conteudista. Os participantes precisavam de mais conteúdo e menos intepretação para resolver questões”, diz e acrescenta: “A prova estava extremamente cansativa, muitos textos longos. Exigiu do aluno atenção e cuidado, exigiu que se mantivesse calmo.”

De acordo com o professor, as questões sociais foram mantidas e havia mais questões de história. Geografia perdeu um pouco o espaço, na avaliação de Vieira.

A tendência conteudista, para Vieira, pode excluir estudantes menos preparados. “Eu acho que o Enem quando iniciou lá atrás tinha a proposta de ser uma prova mais abrangente, que possibilitava abranger o Brasil em maior escala. Está perdendo um pouco esse viés. Distanciando alunos que não tem acesso a cursinho e a educação de maior qualidade”.

A partir das 20h30, professores irão corrigir, ao vivo, no especial Caiu no Enem, veiculado na TV Brasil, na web e nas rádios Nacional e MEC. Os candidatos podem participar do programa pela web, em tempo real, enviando as dúvidas e comentários para as redes sociais da TV Brasil com a hashtag #CaiuNoEnem.

Segundo domingo de provas
O segundo domingo de provas será dia 11 de novembro, quando os estudantes farão provas de ciências da natureza e matemática.

A estrutura para aplicação do Enem envolve 10.718 locais de aplicação, 155.254 salas e mais de meio milhão de colaboradores. Foram impressas 11,5 milhões de provas de doze Cadernos de Questões diferentes. Haverá ainda uma videoprova em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ao todo, são quase 600 mil pessoas envolvidas na aplicação do exame.

A nota do exame poderá ser usada para concorrer a vagas no ensino superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para participar do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Gabarito
O gabarito oficial do Enem 2018 será divulgado pelo Inep até 14 de novembro. Já o resultado deverá ser divulgado no dia 18 de janeiro de 2019.

Ao todo, 5.513.726 estudantes estão inscritos para fazer o exame em 1,7 mil cidades.

Da Agência Brasil

 

 

Paraíba terá observatório para combate à violência e à intolerância

Parceria entre órgãos públicos e sociedade civil acompanhará denúncias de violências motivadas por preconceitos e atos de intolerância


A Paraíba ganha na próxima segunda-feira (5) o Observatório Interinstitucional de Violências por Intolerância, uma central virtual que vai receber e acompanhar as denúncias de violências motivadas por preconceitos e atos de intolerância. O lançamento acontecerá no auditório da OAB-PB, às 9h, e um formulário de denúncias estará à disposição a partir dessa sexta-feira (2) no endereço eletrônico www.defensoria.pb.def.br

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPPB), a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Federal (MPF), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba (OAB-PB), a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana e a sociedade civil. Representantes dessas instituições estiveram reunidos na última terça-feira (30), na sede da DPPB, para acertar os últimos detalhes do funcionamento do Observatório.

A coordenadora da Diversidade Sexual e dos Direitos Homoafetivos da DPPB, Remédios Mendes, explica que a criação do Observatório atende a uma recomendação da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, em função do aumento de casos de violências motivados por intolerância em todo o país, seja em razão da orientação sexual, identidade de gênero, cor, raça, etnia, orientação ideológica, política, entre outras.

“A DPPB foi demandada pela comunidade LGBT e nós até já entramos com uma ação coletiva. Motivada por essas demandas, a gente resolveu convidar as outras instituições que fazem parte do Sistema de Justiça, como a DPU, o MPF e a OAB, para que, juntas, a gente possa dizer à sociedade que as instituições estão atentas para garantir o direito das pessoas de lutar pelos seus direitos e, sobretudo, para que as pessoas que queiram transgredir, tomando conhecimento de que existe esse Observatório protegendo o direito do cidadão, sejam contidas”, disse Remédios Mendes.

Responsabilização – O defensor público da União, Edson Júlio de Andrade Filho, reforça a importância de deixar claro para a sociedade que as instituições públicas e a sociedade civil organizada estão atentas: “Estamos de olho, acompanhando esses excessos e apurando as responsabilidades. A ideia é dar atendimento, uma acolhida, e buscar a reparação em favor das pessoas que são vítimas dessas violências”, acrescentou.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, José Godoy Bezerra de Souza, ressaltou que o Observatório vai combater a violação dos direitos humanos por violências diversas, com alguns focos pontuais: “A violência policial, já que se falou durante o processo eleitoral que policiais teriam carta branca; a questão de violências contra grupos identitários, especialmente negros e população LGBT; a violência contra nordestino; uma preocupação especial com os professores, em função da liberdade de expressão e de cátedra; e agressão a pessoas por pertencerem ou simpatizarem com determinados partidos políticos”.

No caso dos professores, Godoy adiantou que o MPF fará uma recomendação às instituições de ensino para que adotem as medidas necessárias para evitar que professores sejam agredidos ou sofram constrangimento por exercerem liberdade de expressão e de cátedra.

Também participaram da reunião a secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Soares, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PB, Wigne Nadjario, e representantes da sociedade civil pelos movimentos da Pastoral Carcerária, MEL, Maria Quitéria e Aliança Nacional LGBT. Outras instituições do Sistema de Justiça, a exemplo do Ministério Público Estadual (MPPB) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) também foram convidadas e deverão se integrar ao grupo de trabalho.

Central Virtual – As pessoas que desejarem reportar casos de violência na Paraíba deverão acessar o formulário no link acima e responder sobre o tipo de violência, a razão e o contexto. O sistema também permite que as vítimas indiquem os agressores e informem sobre a existência de provas. Apenas deverão ser registrados casos ocorridos no estado da Paraíba. O sigilo das informações é garantido.

Os registros recebidos serão analisados e encaminhados para as instituições responsáveis pela apuração dos fatos e responsabilização dos agressores. Caberá à DPPB orientar as vítimas juridicamente e acompanhar casos graves relatados.

Com informações da assessoria do Ministério Público Federal

 

 

Procurador paraibano vai compor equipe de transição de Jair Bolsonaro

Pastor Sérgio Queiroz teve o nome confirmado pelo deputado federal eleito Julian Lemos após reunião com presidente eleito

Sérgio Queiroz é procurador da Fazenda Nacional e deverá contribuir com a discussão de temas gerais. Foto: Divulgação

O procurador da Fazenda Nacional paraibano Sérgio Queiroz vai compor a equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). O nome dele foi confirmado pelo deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB) após reunião com o capitão da reserva do Exército. O grupo poderá ser composto por até 50 membros, porém, o futuro gestor disse acreditar que não será necessário preencher todas as vagas. Ao todo, nesta semana, foram definidos 22 nomes para o início dos trabalhos. Nesta semana ocorrerá o primeiro encontro entre o candidato eleito e o presidente Michel Temer (MDB), que deixará o Palácio do Planalto no dia 31 de dezembro. Todos os dados para a transição, afirma o emedebista, serão repassados para a comissão.

Queiroz é servidor federal há 25 anos e, nesta semana, foi agraciado com o prêmio “Jubileu de Prata”. Ele explica que a contribuição que será dada por ele será fundada na sua experiência profissional. “Se dará em nível mais geral, de apoio mais geral, em razão da minha experiência de 25 anos de serviço público. Eu conheço um pouco de muitas coisas do sistema federal e estou indo como técnico para dar suporte no que for necessário. Naquilo que o presidente e os líderes da transição entenderem que eu posso ser útil”, enfatizou. Sérgio Queiroz é também conhecido no Brasil por sua atuação social por meio da Fundação Cidade Viva, da qual é seu fundador e presidente.

Agenda

Na manhã desta sexta-feira (2), o presidente eleito despachou em casa com o coordenador político deputado Onyx Lorenzoni. Na saída da reunião, Lorenzoni confirmou que Bolsonaro se encontrará com o presidente Michel Temer às 16h da próxima quarta-feira (7), e não deu detalhes da conversa com o presidente eleito, adiantando apenas que recebeu orientações. “Este é o momento de falar pouco e trabalhar muito, então, a vida dos senhores e das senhoras da imprensa vai ficar um pouco complicada, porque quem vai falar quarta-feira (7) é o futuro presidente do Brasil”, disse Onyx.

A agenda do futuro presidente prevê uma viagem a Brasília na terça-feira (6), dia em que deve se encontrar com representantes dos outros poderes; na quarta-feira (7) reunião com Temer, e na quinta-feira (8), volta para o Rio de Janeiro. Além de Lorenzoni, Bolsonaro recebeu na manhã desta sexta a visita de um alfaiate e de um cabeleireiro.

Sérgio Moro diz sim e deve ser nomeado para a Justiça por Bolsonaro

Juiz federal ficou cerca de uma hora e meia na casa do presidente eleito, no Rio, debatendo atribuições

O juiz federal Sérgio Moro deverá comandar um ministério com várias atribuições. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O juiz federal Sergio Moro será o ministro da Justiça no futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). Ele deixou, às 10h45 desta quinta-feira (1°), a casa do presidente eleito. Na saída, não deu entrevistas, mas soltou nota na sequência. O magistrado é responsável por processos que poderão resultar em novas condenações contra o ex-presidente Lula (PT). O petista foi impedido de disputar as eleições deste ano, com base na condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP). A reunião, no condomínio na Barra da Tijuca, durou cerca de uma hora e meia. Paulo Guedes, anunciado ministro da Economia, foi embora no carro que levou Moro.

Os convites a Moro, para participação em eventual ministério, eram feitos por Bolsonaro desde o período de campanha. Após a vitória, em convite informal, o magistrado sinalizou, em nota, que poderia aceitar a proposta. A ida para o Ministério da Justiça, com uma pasta reforçada, será o primeiro passo para a chegada do hoje magistrado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A nova vaga na corte será aberta com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello, em dezembro de 2010. O caminho foi seguido por outro magistrado que compõe a Suprema Corte, atualmente, Alexandre de Moraes.

Moro desembarcou no Aeroporto Santos Dumont por volta das 7h30. Ele veio de Curitiba em voo de carreira e sem seguranças. Questionado sobre o que o motivou para o encontro com Bolsonaro, o juiz afirmou que o país precisa de uma agenda anticorrupção e anticrime organizado. “Se houver a possibilidade de uma implementação dessa agenda, convergência de ideias, como isso ser feito, então há uma possibilidade. Mas como disse, é tudo muito prematuro”, destacou Moro.

Durante o voo, ele chegou a dizer que ainda não há nada definido. “Tô indo lá para conversar, não tem nada decidido. Ainda vai haver a conversa”, afirmou o magistrado. Durante a viagem, Moro também falou que considera prematuro temerem impacto negativo na Lava Jato caso aceite o cargo. “Acho surpreendente falar que não se deve nem conversar com um presidente que acabou de ser eleito por mais de 50 milhões de brasileiros”, afirmou.

Perguntado sobre o fato de a defesa do ex-presidente Lula ter questionado o fato, ele apenas respondeu que “se houver alguma alegação, será decidido nos autos”.

Nota divulgada pelo juiz Sérgio Moro

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.

Curitiba, 01 de novembro de 2018.

Sergio Fernando Moro

Com informações do G1

 

PBGás reajusta em até 11,9% o preço do gás natural. É o quarto aumento do ano

Elevação no valor do produto foi aprovada pela Agência Reguladora da Paraíba e publicada no Diário Oficial do Estado

Índices de reajuste foram divulgados nesta quinta-feira. Foto: Divulgação/Secom-PB

A Companhia Paraibana de Gás (PBGás) vai cobrar mais carro pelo gás natural a partir desta quinta-feira (1°). As novas tarifas foram aprovadas pela Agência Reguladora do Estado da Paraíba (ARPB) após a realização de audiências públicas. O reajuste médio é de 8,99%, mas tem segmento que pagará até 11,91% mais caro pelo produto.

Este é o quarto reajuste no valor do produto imposto pela companhia neste ano. O primeiro foi em janeiro e ficou na casa dos 6,55%, em média. O valor médio foi majorado ainda em 4,45%, em maio, e 9,27%, em agosto.

Confira o quadro com os reajustes:

. 9,55% no segmento industrial;

. 9,56% no segmento de Gás Natural Veicular – GNV;

. 9,95% no segmento Gás Natural Comprimido – GNC;

. 9,55% no segmento dos Energéticos de Baixo Valor Agregado – EBVA;

. 11,91% no segmento Geração Distribuída – GD;

. 0,00 % no segmento comercial;

. 0,00 % no segmento residencial