Judiciário 13:14

Confira a lista dos presos na operação Recidiva na Paraíba e no Ceará

Alvos das prisões são acusados de reiteração delitiva, sendo alvos de várias operações

Tiago Misael (E) dá detalhes sobre a operação durante entrevista coletiva. Foto: Thiago França/MPF

O que tem a ver as operações desencadeadas pela Polícia Federal em 2012 (Operação Dublê), 2015 (Operação Desumanidade) e 2018 (Operação Recidiva)? Literalmente, basta observar o significado da palavra recidiva (recaída na mesma falta). Durante entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (22), o procurador da República, Tiago Misael, foi didático na resposta. É necessário apenas olhar a relação de presos para entender bem do que se trata.

Vou ser mais específico e citar um dos exemplos em meio a vários. Em 2012, durante a operação dublê, foi preso o empresário Marcondes Edson Lustosa Félix (Duda). Ele era acusado de fraudes em licitações e nas execuções de obras em Cacimba de Areia e Catingueira. Três anos depois, no bojo da operação Desumanidade, foi preso o filho dele, Madson Fernandes Lustosa. Nesta quinta-feira, os dois foram presos preventivamente. E o curioso: suspeitos das mesmas acusações.

Os dois, pai e filho, integram a lista dos presos preventivamente pela Polícia Federal, na manhã desta quinta. Os outros suspeitos presos foram o advogado Charles Willames Marques de Morais, o economista Dineudes Possidônio de Melo (ex-candidato a prefeito de Patos), o vereador de Teixeira, Francisco de Assis Ferreira Tavares, e a assessora de projetos Diângela Oliveira Nóbrega. Outro que teve mandado de prisão preventiva decretado foi o empresário de João Pessoa, Joilson Gomes da Silva. Ele está foragido.

Além das prisões preventivas, decretadas, segundo o Ministério Público Federal para sessar a atividade delitiva, foram decretadas oito prisões temporárias. Elas têm duração de cinco dias prorrogáveis por igual período. Os alvos foram os funcionários da empresa Melfi Construtora, Octávio Pires Lacerda Neto e Ednaldo de Medeiros Nunes, além de José de Medeiros Batista (Caetano), Luiz Felipe Diógenes Bezerra (foragido), Naiane Moreira do Vale (da empresa MM, de Quiterianópolis), Josinaldo da Silva Alves (Biu Bento) e Sebastião Ferreira Tavares (irmão de Assis Catanduba).

A entrevista coletiva, em Patos, contou também com a participação do superintendente da Polícia Federal, André Viana; do delegado-chefe da PF em Patos, André Beltrão, e do superintendente da Controladoria-geral da União (CGU), na Paraíba, Gabriel Wright.

Vários carros foram apreendidos durante a operação em poder dos suspeitos. Foto: Thiago França/MPF

A operação

O Ministério Público Federal (MPF) em Patos (PB) ajuizou ações cautelares penais e a Justiça deferiu 15 pedidos de prisão e 28 de busca e apreensão na Paraíba e no Ceará. As buscas estão sendo realizadas em residências e estabelecimentos comerciais dos dois estados, sendo oito em prefeituras paraibanas. Em todos os locais existem documentos e bens de interesse da investigação. O objetivo é impedir que o grupo criminoso inutilize ou destrua provas ou bens adquiridos com o proveito do crime.

A Operação Recidiva ocorre nesta quinta-feira (22) e está sendo deflagrada em parceria com a Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU). Os presos estão sendo encaminhados para a sede da PF em Patos.

Segundo o MPF, há inveterada reincidência, neste novo caso, de pessoas que já foram investigadas nas operações Desumanidade e Dublê, também ocorridas no âmbito da Procuradoria da República no Município (PRM) de Patos.

Bloqueio de bens

Além das sete prisões preventivas, oito prisões temporárias e dos 28 mandados de busca e apreensão, o juiz da 14ª Vara da Justiça Federal deferiu o sequestro de todos os bens móveis e imóveis dos envolvidos, até o montante de R$ 2,3 milhões.

A investigação

A investigação do MPF, PF e CGU, que resultou na Operação Recidiva, reuniu elementos probatórios que indicam a existência de uma organização criminosa do colarinho branco, com o objetivo reiterado de fraudar licitações públicas em diversos municípios paraibanos, bem como do Ceará, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, além de mascarar desvios de recursos públicos, lavar o dinheiro público desviado e fraudar os fiscos federal e estadual.

Segundo o MPF, os valores envolvidos com as fraudes, de 2015 a 2018, alcançam mais de R$ 20 milhões – relativos à execução de obras de construção civil.

Ainda de acordo com o MPF, alguns envolvidos “fazem do crime sua profissão e não se intimidaram em renovar seus esquemas ilícitos, mesmo quando já descobertos em duas outras oportunidades [operações Dublê e Desumanidade], recaindo novamente nas mesmas práticas criminosas”.

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COMENTÁRIOS

  1. Avatar for Suetoni
    Paulo Tenório

    Interessante é que a Operação IRERÊS não sai das gavetas.

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