Executivo 11:29

Sérgio Moro diz sim e deve ser nomeado para a Justiça por Bolsonaro

Juiz federal ficou cerca de uma hora e meia na casa do presidente eleito, no Rio, debatendo atribuições

O juiz federal Sérgio Moro deverá comandar um ministério com várias atribuições. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O juiz federal Sergio Moro será o ministro da Justiça no futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). Ele deixou, às 10h45 desta quinta-feira (1°), a casa do presidente eleito. Na saída, não deu entrevistas, mas soltou nota na sequência. O magistrado é responsável por processos que poderão resultar em novas condenações contra o ex-presidente Lula (PT). O petista foi impedido de disputar as eleições deste ano, com base na condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP). A reunião, no condomínio na Barra da Tijuca, durou cerca de uma hora e meia. Paulo Guedes, anunciado ministro da Economia, foi embora no carro que levou Moro.

Os convites a Moro, para participação em eventual ministério, eram feitos por Bolsonaro desde o período de campanha. Após a vitória, em convite informal, o magistrado sinalizou, em nota, que poderia aceitar a proposta. A ida para o Ministério da Justiça, com uma pasta reforçada, será o primeiro passo para a chegada do hoje magistrado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A nova vaga na corte será aberta com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello, em dezembro de 2010. O caminho foi seguido por outro magistrado que compõe a Suprema Corte, atualmente, Alexandre de Moraes.

Moro desembarcou no Aeroporto Santos Dumont por volta das 7h30. Ele veio de Curitiba em voo de carreira e sem seguranças. Questionado sobre o que o motivou para o encontro com Bolsonaro, o juiz afirmou que o país precisa de uma agenda anticorrupção e anticrime organizado. “Se houver a possibilidade de uma implementação dessa agenda, convergência de ideias, como isso ser feito, então há uma possibilidade. Mas como disse, é tudo muito prematuro”, destacou Moro.

Durante o voo, ele chegou a dizer que ainda não há nada definido. “Tô indo lá para conversar, não tem nada decidido. Ainda vai haver a conversa”, afirmou o magistrado. Durante a viagem, Moro também falou que considera prematuro temerem impacto negativo na Lava Jato caso aceite o cargo. “Acho surpreendente falar que não se deve nem conversar com um presidente que acabou de ser eleito por mais de 50 milhões de brasileiros”, afirmou.

Perguntado sobre o fato de a defesa do ex-presidente Lula ter questionado o fato, ele apenas respondeu que “se houver alguma alegação, será decidido nos autos”.

Nota divulgada pelo juiz Sérgio Moro

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.

Curitiba, 01 de novembro de 2018.

Sergio Fernando Moro

Com informações do G1

 

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