Operação Cartola: Ministério Público denuncia 17 acusados de fraudar resultados de jogos na Paraíba

Investigação aponta existência de suposta organização criminosa criada para manipular resultados de jogos e desviar recursos financeiros no futebol paraibano

Amadeu Rodrigues é um dos acusados de ter criado uma organização criminosa na FPF

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) protocolou nesta terça-feira (20) ação contra 17 suspeitos de fraudar resultados de partidas no futebol paraibano. A ação foi protocolada na 4ª Vara Criminal da Comarca de João Pessoa. No documento, o órgão pede a condenação dos acusados com base, principalmente, em crimes previstos no Código do Processo Penal e no Estatuto do Torcedor. Para explicar com maior detalhe o funcionamento da “organização criminosa” (Orcrim) descrita no processo, o órgão dividiu, na denúncia, o grupo em três. Cada um, com sua especificidade, teria trabalhando para o sucesso da empreitada, de acordo com a apuração. As alas de atuação foram divididas de forma a existirem os núcleos dos gestores/líderes, supervisores e logística.

A denúncia do Ministério Público alega que os membros atuavam com “corporificadas pela utilização de documentos falsos, intimidação de testemunhas, ocultação e destruição de provas, entre outros, cujos resultados geravam elevados desvios econômicos e prejuízos, não apenas no campo financeiro, mas, notadamente, na esfera moral da sociedade. Esta, ludibriada pelo organismo delinquencial, era vítima direta do referido esquema criminoso”. “Nesse passo, foi detectado que ao menos há 10 (dez) anos, as práticas se reiteravam no âmbito do futebol da Paraíba, sem que os órgãos responsáveis por ele tomassem qualquer medida cabível no caso em concreto”, diz a denúncia.

Veja a composição de cada núcleo:

❖ núcleo dos gestores/líderes:
1. Amadeu Rodrigues da Silva Junior, presidente da FPF
2. Breno Morais Almeida, vice-presidente do clube Botafogo
3. Lionaldo dos Santos Silva, presidente do STJD
4. Marinaldo Roberto de Barros, procurador do STJD
5. Jose Renato Albuquerque Soares, membro da Comissão Estadual de Árbitros de Futebol
6. Severino Jose de Lemos, membro da Comissão de Arbitragem
7. Genildo Januario da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Árbitros

❖ núcleo dos supervisores:
8. Adeilson Carmo Sales de Souza, atuou na Comissão de Arbitragem
9. Antonio Carlos da Rocha, árbitro
10. Antonio Umbelino de Santana, árbitro
11. Eder Caxias Meneses, árbitro
12. Francisco de Assis da Costa Santiago, árbitro
13. João Bosco Sátiro da Nobrega, árbitro
14. Jose Maria de Lucena Netto, árbitro
15. Tarcisio Jose de Souza, árbitro
16. Josiel Ferreira da Silva, árbitro

❖ núcleo da logística:
17. Jose Araujo da Penha, funcionário da FPF

Depois do escândalo gerado pela Operação Cartola, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) chegou a nomear um interventor para a FPF. O atual presidente, Amadeu Rodrigues, chegou a ser afastado do cargo, mas ele retornou ao cargo há poucos dias. O comando da organização criminosa, de acordo com o Ministério Público, não ficava a cargo apenas de Amadeu. “Ocorre que durante as perquirições e demais diligências, descortinou-se um arcabouço criminoso sobre o qual havia o controle e manipulação de jogos e seus respectivos resultados, por parte de dirigentes da FPF, árbitros de futebol, integrantes da Comissão de Arbitragem da
FPF – CEAF, além da participação da presidência e Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba — TJDF”, diz o processo.

As condutas do suspeitos foram divididas em três:

❖ Condutas-Fim
✓ Manipulação de resultados;
✓ Fraude no sorteio da arbitragem;
✓ Favorecimento / proteção em decisões da Justiça Desportiva.
❖ Condutas — Meio
✓ ‘tráfico de influência;
✓ Falsidade ideológica;
✓ Coação no curso do processo;
✓ Intimidação / represálias.
❖ Condutas Operacionais
✓ Proteção institucional;
✓ Poder de informação;
✓ Poder midiático;
✓ Poder politico / institucional.

De acordo com as investigações, os árbitros atuavam de maneira a facilitar os resultados almejados pela organização criminosa. Para tanto, se utilizavam de impedimentos, pênaltis, faltas, escanteios, acréscimos, entre tantas outras normas do esporte, para que, na medida do possível, pudessem favorecer as escusas predileções do grupo criminoso ora denunciado. Na ação, o Ministério Público pede que os suspeitos sejam s denunciados, após o recebimento da presente denúncia, citados para se verem processados em juízo e, ao final, uma vez comprovada sua culpabilidade, condenados às penas da lei.

 

STJ elimina foro de governadores e manda processo de Ricardo para primeira instância

Governador paraibano havia impetrado agravo contra decisão monocrática do ministro Luís Felipe Salomão de restringir o foro privilegiado

Ricardo Coutinho é acusado suposta prática de 12 crimes de responsabilidade decorrente da nomeação e admissão de servidores. Foto: Francisco França

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quarta-feira (20) que o foro por prerrogativa de função no caso de governadores e conselheiros de tribunais de contas ficará restrito a fatos ocorridos durante o exercício do cargo e em razão deste. Com o entendimento, não há mais obstáculos para que o processo contra o governador Ricardo Coutinho (PSB) que tramitava na Corte seja enviado para a primeira instância. A decisão de enviar a ação para a primeira instância, na Paraíba, foi do ministro Luís Felipe Salomão. Ele tomou por base, na época, entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu o foro por prerrogativa de função de deputados federais e senadores. A execução da decisão foi retardada por agravos da defesa do gestor e do Ministério Público Federal.

A decisão desta terça-feira serve para todos os governadores que tenham processo no STJ. O assunto foi discutido em questão de ordem apresentada após a decisão do STF que restringiu o chamado foro privilegiado dos parlamentares federais apenas aos delitos cometidos durante o exercício do mandato e em razão dele. A questão de ordem analisada foi suscitada em ação penal contra o conselheiro Márcio Michel Alves de Oliveira, do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Na sequência, ao julgar um agravo em ação penal que envolve o governador Ricardo Coutinho, da Paraíba, os ministros adotaram a mesma fundamentação para dizer que a restrição do foro também é aplicável no caso dos chefes do Poder Executivo estadual. Em ambos os casos concretos, os autos foram remetidos para a primeira instância.

Empate

O julgamento estava interrompido desde o último dia 6. Na sessão desta quarta-feira, o julgamento sobre a restrição do foro no STJ foi retomado com o voto-vista do ministro Felix Fischer, que acompanhou a divergência inaugurada pelo ministro João Otávio de Noronha. Noronha abriu divergência por considerar que o STJ é competente para, em interpretação do artigo 105 da Constituição, determinar os elementos de sua competência originária para o julgamento de ações penais.

De acordo com Noronha, da mesma forma que previsto pelo ordenamento jurídico aos juízes de primeiro grau, o STJ, em feitos de competência originária, analisa o texto constitucional para estabelecer os limites e a amplitude de sua competência. A maioria seguiu o entendimento inaugurado por Noronha. A minoria, embora com fundamentação diferente, também votou para que a restrição do foro de governadores e conselheiros seguisse o critério adotado pelo STF para deputados federais e senadores.

Ação contra Ricardo

No caso em específico, o governador é investigado por “suposta prática de 12 crimes de responsabilidade decorrente da nomeação e admissão de servidores contra expressa disposição da lei, ocorridos entre janeiro e fevereiro de 2010″. A denúncia é decorrente, ainda, da época em que o atual governador da Paraíba ocupava o cargo de prefeito da capital.

Relação entre PSB e PT vai para o divã na Paraíba

Petistas ampliam diálogo eleitoral com outras siglas e recebem repreenda de lideranças socialistas

Jackson Macedo diz que o partido vai conversar com todas as siglas alinhadas com o projeto nacional do PT. Foto: Dani Rabelo

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”, diz a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Os versos lembram muito bem as relações políticas paraibanas, principalmente na relação entre o PT e o PSB. Os dois partidos trabalhavam com a perspectiva de aliança para as eleições deste ano. Os petistas asseguraram apoio ao pré-candidato governista João Azevedo (PSB), mas não sem uma contrapartida. A sigla quer figurar na chapa majoritária e cobra a vaga para o Senado. O partido também exige o compromisso de João de que votará no ex-presidente Lula (PT).

A consequência da falta de garantias foi a abertura de conversas, pelos petistas, com lideranças do PSD da vice-governadora Lígia Feliciano. Lígia, vale lembrar, teve a pré-candidatura ao governo lançada pelo presidenciável Ciro Gomes (PDT) no fim de semana. Ela se apresenta como uma postulante governista, na Paraíba, apesar de não ser reconhecida como tal pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). A reação dos socialistas à rebeldia petista veio de forma imediata, com críticas ferrenhas do líder do governo na Assembleia Legislativa. Hervázio Bezerra critica o PT por conta do diálogo com o PDT.

O presidente da sigla petista na Paraíba, Jackson Macedo, não gostou das cobranças dos socialistas. O partido pretende até o dia 28 deste mês ver definidos os espaços que poderá ter na chapa majoritária. Se não houver a contrapartida por parte do PSB, eles prometem buscar outras opções. “Já conversamos com PDT, PSB e PCdoB. Estamos dialogando com os partidos aliados e precisamos fechar isso até o dia do Encontro de Definição de Tática Eleitoral, no dia 28”, ressaltou Macedo. Ele alega ainda que o partido não vai se intrometer nos assuntos das outras siglas e exige o mesmo tratamento.

Em 15 dias, Bolsonaro, Alckmin e Boulos desembarcam na Paraíba

Pré-candidatos vão aproveitar as festas juninas para buscar aliados e ser vistos pelos eleitores

Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Guilherme Boulos têm agendas previstas no Estado. Foto: Montagem

Os eleitores menos atentos vão “esbarrar” nos próximos 15 dias com candidatos a presidente dos mais variados espectros ideológicos. O período junino foi o escolhido pelos presidenciáveis para verem, serem vistos e, com isso, se fortalecerem no período pré-eleitoral. O primeiro a desembarcar no Estado é o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). O ultradireitista chega no Aeroporto João Suassuna, em Campina Grande, por volta das 14h. A previsão é que ele se reúna com lideranças e participe das festas no “Maior São João do Mundo”. No dia seguinte, a sexta-feira (22), ele deve viajar para Patos, no Sertão.

A agenda de Bolsonaro não está completamente fechada e ainda há detalhes a serem definidos por ele com o presidente estadual do PSC, Julian Lemos. Ele deverá ser recebido pelo prefeito Romero Rodrigues (PSDB). O gestor, vale ressaltar, disse que vai receber todos os presidenciáveis e venham visitar o Maior São João do Mundo e peçam para ser recebidos. Bolsonaro é o segundo colocado nas pesquisas eleitorais, atrás apenas do ex-presidente Lula (PT). O petista, no entanto, dificilmente conseguirá autorização para ser candidato por causa da Lei Ficha Limpa, uma vez que teve uma condenação mantida na segunda instância.

Já para o sábado (23), a expectativa fica pela vinda do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). O ex-governador de São Paulo terá agendas na sexta-feira (22), em Caruaru, e há visita prevista também para Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Os tucanos acreditam que a vinda dele a Campina Grande deve ocorrer um dia depois, porém, a agenda não foi completamente definida. Ele milita no mesmo partido do prefeito da cidade paraibana. O pré-candidato luta para sair da parte de baixo da tabela nas pesquisas eleitorais e, por isso, tenta ampliar a base eleitoral no Nordeste.

Já no próximo mês, a visita ao Estado fica por conta do presidenciável do Psol, Guilherme Boulos. Ele virá a João Pessoa no dia 4, quando participa de debate na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). No dia seguinte ele vai a Cabedelo, onde se reúne com pessoas ligadas ao movimento por moradia. De lá, segue para Campina Grande. Na pauta, haverá a tentativa de reunião com a direção da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). À noite, eles estará no Parque do Povo, quando o Psol deve fazer um ato contra o que eles chamam de “privatização do Maior São João do Mundo”.

Boulos tem ligações familiares com Campina Grande. A cidade serviu de berço para a mãe dele, a médica Maria Ivete.  Antes dos três pré-candidatos já estiveram na Paraíba Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Podemos) e Flávio Rocha (PRB).

Pedido de liberdade de Lula será julgado no dia 26 pelo STF

Se a condenação for suspensa, ele pode deixar a prisão e se candidatar ao cargo de presidente da República nas eleições deste ano

Ex-presidente está preso por determinação do juiz Sérgio Moro. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, na próxima terça-feira (26), um pedido da para suspender a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O colegiado vai se reunir pela manhã e à tarde. A liberação do recurso para julgamento foi do ministro relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, que também sugeriu a data, que foi confirmada na pauta de julgamentos da Corte na tarde desta terça-feira (19). Se a condenação for suspensa, como pedem os advogados de defesa, o ex-presidente poderá deixar a prisão imediatamente e também se candidatar às eleições.

Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril, por determinação do juiz Sérgio Moro, que ordenou a execução provisória da pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex em Guarujá (SP). A prisão foi executada com base na decisão do STF que autorizou prisões após o fim dos recursos na segunda instância da Justiça.

Na petição enviada ao Supremo, a defesa do ex-presidente alega que há urgência na suspensão da condenação, porque Lula é pré-candidato à Presidência e tem seus direitos políticos cerceados diante da execução da condenação, que não é definitiva. “Além de ver sua liberdade tolhida indevidamente, corre sério risco de ter, da mesma forma, seus direitos políticos cerceados, o que, em vista do processo eleitoral em curso, mostra-se gravíssimo e irreversível”, argumentou a defesa.

Esse mesmo pedido da defesa já havia sido negado, na semana passada, pelo ministro Felix Fischer, que é relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao decidir o caso, Fischer entendeu que o recurso protocolado não tem o poder de suspender a sentença condenatória contra o ex-presidente. A defesa de Lula reitera ainda argumentos apresentados no recurso interposto no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de que teria havido irregularidades no processo que resultou na condenação do ex-presidente, como a incompetência do juiz Sergio Moro para analisar o caso e falta de imparcialidade no julgamento.

Além de Fachin, fazem parte da Segunda Turma do STF os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewadowski, Dias Toffoli e Celso de Mello. Com exceção do próprio Fachin, todos os ministros da Segunda Turma votaram contra a execução de prisão em segunda instância, em abril, no julgamento de um habeas corpus preventivo pedido pelo ex-presidente. O resultado desse julgamento abriu caminho para a decretação da prisão de Lula.

 

 

 

TJPB julga ações de inconstitucionalidade contra leis do governo da Paraíba

Pleno analisa questionamentos contra Lei Orçamentária em vigor e a que disciplinou transferência de recursos da PBPrev

Tribunal de Justiça vai apreciar ações de inconstitucionalidade. Foto: Rizemberg Felipe

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) busca um entendimento entre o governo do Estado e o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), a fila de processos anda. No caso em específico, o ministro da Suprema Corte, Ricardo Lewandowski, organizou reunião no início do mês entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o presidente do Judiciário, Joás de Brito. Na pauta, a busca de solução para contendas referentes à Lei Orçamentária Anual (LOA). Outros temas foram incluídos na busca de entendimento. Afora estes processos, dois novos entram na pauta do TJPB, nesta quarta-feira (19), tendo como alvos o governo do Estado.

Ao todo, o Judiciário vai julgar dez Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) tendo como alvos o governo e prefeituras paraibanas. Mais especificamente do governo estadual, haverá análise da Lei Orçamentária para 2018 e da Lei Estadual n.º 10.604/2015, que autorizou o governo do Estado a fazer a transferência de recursos provenientes do Fundo Previdenciário Capitalizado para o Fundo Financeiro da PBPrev. A sessão judiciária tem início previsto para as 9h e ocorre no Anexo Administrativo do Tribunal de Justiça.

Em relação à Lei Orçamentária, a Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB) pede a concessão de tutela provisória cautelar para suspender a eficácia do artigo 1º da Lei Orçamentária do Estado da Paraíba em vigor. A entidade alega suposta ofensa aos artigos 3º, 6º, 30° e 99° da Constituição do Estado da Paraíba. O desembargador-relator Fred Coutinho suscitou questão de ordem para converter a apreciação da medida cautelar em enfrentamento do mérito da própria ação. O desembargador Oswaldo Trigueiro pediu vista.

Já a ação ajuizada pelo Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB) tem por objeto a decretação da ilegalidade da Lei Estadual nº 10.604, de 17 de dezembro de 2015, por violação aos artigos 34 e 201 da Constituição do Estado da Paraíba. A referida norma autorizou o Governo do Estado a fazer a transferência de recursos provenientes do Fundo Previdenciário Capitalizado para o Fundo Financeiro da PBPrev. O volume de recursos em questão corresponde a R$ 88 milhões, que o governador Ricardo Coutinho (PSB) assumiu o compromisso de devolvê-los até o fim deste ano. A ação tem como relator o desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle.

Na ação, o Ministério Público alega inconstitucionalidade da lei com base em suposta ofensa ao princípio do equilíbrio financeiro e atuarial previsto nas Constituições Federal e Estadual, além da Lei de Responsabilidade Fiscal. O órgão considera que a descapitalização do Fundo Previdenciário Capitalizado, em virtude das movimentações de recursos para o Fundo Financeiro, pode comprometer a capacidade administrativa do ente federativo no futuro. Nesta sessão, será analisada a liminar que pede a suspensão da Lei e a imediata cessação dos repasses.

Em 2016, enquanto relator das contas do governo, o conselheiro Fernando Catão, do Tribunal de Contas do Estado emitiu medida cautelar fixando um prazo de 60 dias para que o governador Ricardo Coutinho procedesse a devolução dos recursos transferidos do Fundo Previdenciário Capitalizado para o Fundo Previdenciário Financeiro, no valor de R$ 88,8 milhões. A verba foi usada para pagamento dos aposentados.

Em 18 de dezembro de 2015 foi publicada no Diário Oficial do Estado a lei nº 10.604, que autorizou o governo a fazer a transferência de recursos de um fundo para outro. O texto dispõe que os recursos de um fundo utilizados pelo outro deverão ser devolvidos para o fundo originário, devidamente atualizados, até o término do mandato do governador. Diz ainda que os recursos serão totalmente aplicados no pagamento dos benefícios previdenciários dos segurados do Regime Próprio de Previdência Social do Estado da Paraíba (RPPS/PB) e seus dependentes.

 

Uma chapa inteira, e forte, já anunciou desistência da disputa neste ano

Compromissos pessoais e até demora em definições de aliados foram alegados como motivos para “pendurar as chuteiras”

Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo eram nomes especulados para a disputa das eleições deste ano. Foto: Divulgação/Secom-PB

As eleições deste ano prometem mesmo ser atípicas. Talvez por isso tem sido tão difícil fazer previsões. Só para se ter uma ideia, de janeiro para cá, o equivalente a uma chapa inteira foi retirada da disputa por causa de dispensas. E não por um acaso, todos nomes muito fortes. Basta lembrar do primeiro deles: o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV). O nome era dado como certo para a disputa do governo neste ano, reforçando a chapa da oposição. Sobraram idas e vindas, embebidas em desconfianças e brigas por espaço nos bastidores. Resultado: desistência de Luciano e escalação do irmão, Lucélio Cartaxo, para o posto.

Vencida a primeira fase nesta chapa imaginária (e improvável), vamos ao segundo ponto. O governador Ricardo Coutinho (PSB) era nome certo para a disputa do Senado. Entre os socialistas, a esperança era de que o principal líder do partido aceitasse a missão de disputar uma vaga na Casa Alta. O mistério foi feito até o final, com especulações para todos os gostos. Até que o governador confirmou aos 48 do segundo tempo que ficaria no cargo até o final do mandato. Iria, portanto, trabalhar para tentar emplacar o sucessor. O nome para encabeçar a chapa socialista saiu do governo, com a escolha de João Azevedo (PSB).

O senador Raimundo Lira (PSD) segue na mesma linha. Trabalhou por uma candidatura na base governista e se viu sem espaço por causa da escalação de Veneziano Vital do Rêgo para o posto. Era desejado pelo senador José Maranhão (MDB) para a chapa que deverá ser encabeçada pelo emedebista. Mas aí, questões familiares e partidárias acabaram falando mais alto. Lira também desistiu da reeleição. O outro nome especulado para a disputa foi o de Eva Gouveia (PSD). A viúva do deputado federal Rômulo Gouveia se escalou para a disputa de vaga na Câmara dos Deputados, foi sondada também para vice de Lucélio, mas desistiu da disputa.

Ou seja, em eleição atípica, é possível dizer que o equivalente a uma chapa inteira e forte no papel foi sepultada antes do teste das urnas…

Lucélio conversa com Lira por telefone após desistência do senador

Pré-candidato ao governo fez agradecimentos ao parlamentar e elogiou postura do senador no exercício do cargo

Lucélio elogiou a postura de Raimundo Lira enquanto pré-candidato. Foto: Divulgação

O pré-candidato do PV ao governo da Paraíba, Lucélio Cartaxo, divulgou nota nesta segunda-feira (18) agradecendo o apoio do senador Raimundo Lira (PSD). O parlamentar anunciou horas atrás que não vai mais disputar a reeleição. Ele, juntamente com Cássio Cunha Lima (PSDB), era nome certo para as eleições desde ano na chapa encabeçada por Cartaxo. As ausências nos eventos de campanha, nos últimos 30 dias, no entanto, elevou a suspeita de que o senador não tinha mais interesse de disputar a reeleição. As discussões agora giram em torno de nomes para substituí-lo na chapa.

Veja a nota divulgada por Lucélio Cartaxo:

Declaração

“Respeito a decisão pessoal e de natureza familiar do senador Raimundo Lira, que tanto vem contribuindo para o fortalecimento dos municípios paraibanos em todas as regiões do estado. Lira, que ocupa por duas vezes o Senado Federal, é exemplo de compromisso com as boas parcerias. Como sempre defendemos, Lira reúne todos os pré-requisitos para continuar desempenhando este importante papel, até por já estar no exercício do mandato. Agradeço pela confiança e por todo apoio recebido ao longo de nossa pré-candidatura. Vamos seguir em frente para fazer a Paraíba avançar com um novo modelo de gestão, que gere oportunidades e melhore a qualidade de vida da população”.

 

Raimundo Lira confirma que não será mais candidato ao Senado

Decisão foi tomada, segundo o parlamentar, após reflexão pessoal e atendendo aos apelos da família

Raimundo Lira era um dos nomes cotados para a disputa do Senado, na Paraíba. Foto: Reprodução/TV Senado

O senador Raimundo Lira (PSD) anunciou na manhã desta segunda-feira (18) que não será mais candidato à reeleição. Em carta aberta aos paraibanos, alega que adotou postura reflexiva após a morte do deputado federal Rômulo Gouveia, no mês passado. Gouveia era o presidente estadual do partido e um dos entusiastas da candidatura de Lira. O parlamentar alega também ter atendido aos pedidos da família, para que não se lançasse em nova disputa eleitoral. Há vários dias, os aliados do parlamentar já vislumbravam a possibilidade de o senador deixar a disputa. Os sinais de que isso ocorreria vieram do arrefecimento da campanha.

Lira teve o nome guindado à condição de pré-candidato à reeleição pelo PSD nos primeiros meses do ano. O movimento ocorreu após sentir que uma postulação tendo o senador José Maranhão (MDB) na cabeça de chapa, naquele momento, apresentaria pouca viabilidade. Isso por causa da dificuldade inicial do parlamentar de conseguir apoios em torno de si. Um cenário que vem mudando aos poucos. A saída da sigla emedebista fez com que Raimundo Lira fosse recebido com festa em uma chapa praticamente formada. O bloco tem Lucélio Cartaxo (PV) brigando pelo governo, com Micheline Rodrigues (PSDB) no pré-candidata a vice. As principais vagas para a disputa ao Senado ficaram com Cássio Cunha Lima (PSDB) e Raimundo Lira.

Confira a nota divulgada pelo parlamentar:

DECLARAÇÃO ÀS PARAIBANAS E PARAIBANOS

CONSIDERAÇÕES:

O prematuro e surpreendente falecimento do meu querido amigo, o Deputado Rômulo Gouveia, cuja vida foi inteiramente dedicada à atividade política, sempre servindo às pessoas, a Campina Grande e ao nosso Estado, me fez parar neste momento de dor e sofrimento, e entender que deveria fazer uma reflexão. Uma profunda reflexão a respeito dos constantes e continuados apelos da minha família, sempre no sentido de abandonar a atividade política, atualmente objeto de grande desgaste junto à opinião pública na Paraíba e igualmente no Brasil. Pesou, sobretudo, a vontade contida da minha querida companheira e esposa Gitana.

DECISÃO:

Informo às Paraibanas e Paraibanos que, de forma definitiva, estou abrindo mão da minha atual condição de pré-candidato ao Senado Federal.

AGRADECIMENTOS:

Agradeço, com o mais sincero sentimento do meu coração, à minha Mulher, Filhos e Familiares, a todas as Paraibanas e aos Paraibanos que manifestaram apoio ao meu trabalho como Congressista, a todos os Agentes Políticos, especialmente aos mais de cem Prefeitos e Prefeitas que me prestaram apoio, aos meus amigos Deputados, que comigo conviveram e desbravaram os caminhos árduos da labuta política, à Imprensa Paraibana, predominante profissional e honesta, e, por fim, aos meus colaboradores e assessores, dedicados, esforçados e corretos.

Brasília, 18 de junho de 2018.
Senador RAIMUNDO LIRA

 

 

Elba Ramalho puxa “fora Temer” no “Maior São João do Mundo”

Cantora paraibana seguiu “provocação” vinda do público e ainda emendou com um “fora todos os corruptos deste país”

A cantora paraibana Elba Ramalho aproveitou a apresentação no Parque do Povo, em Campina Grande, neste domingo (17), para puxar um “fora Temer”. A reação ocorreu após parte do público, na frente do palco, ter iniciado o coro. A artista, então, emendou com um “fora Temer e todos os políticos corruptos deste país”. A manifestação, seguida por uma multidão que assistia o espetáculo, ocorreu já perto do fim da apresentação. Elba já havia se despedido da quadrilha junina que participou da apresentação e falava da última música antes de encerrar o show. Ela lamentou, durante a manifestação, a falta de opções na política nacional. “E olha que nem gostar de política eu gosto, está difícil mesmo. E olha que a gente não tem nome para gritar, bota não sei lá quem!”.

Elba Ramalho já havia puxado o corro do “fora Temer” em outras oportunidades. O presidente Michel Temer (MDB) é acusado em escândalo de propina investigado pela Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Ele chegou a ser denunciado duas vezes pelo Ministério Público Federal por causa de suposta negociata com os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, mas a Câmara dos Deputados, majoritariamente governista, rejeitou a abertura dos processos. Mais cedo, neste domingo (18), durante entrevista coletiva, Elba foi perguntada se ela defendia o “Lula Livre”, pregado pelos apoiadores do ex-presidente Lula (PT). Ela negou. “Eu sou apolítica, não falo de política, mas não sou petista”, disse.