Operação Cartola: Justiça afasta cúpula da FPF e determina recolhimento domiciliar de dirigentes

Acusados de operar organização criminosa no futebol paraibano estão impedidos de frequentar espaços esportivos e deixar a comarca sem autorização judicial

Amadeu Rodrigues é um dos acusados de ter criado uma organização criminosa na FPF

A juíza da 4ª Vara Criminal da Comarca de João Pessoa, Shirley Abrantes Moreira Régis, determinou nesta quarta-feira (27) o afastamento de praticamente toda a cúpula da Federação Paraibana de Futebol (FPF). Ao todo, 17 acusados pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) de operar uma “organização criminosa” na entidade tiveram as denúncias aceitas pela magistrada. Eles são suspeitos de, entre outros crimes, manipular resultados dos jogos, fraudar o sorteio da arbitragem, favorecer demandas dos dirigentes dos clubes e garantir a proteção dos resultados com decisões da Justiça Desportiva. Todos receberam prazo de dez dias para apresentar defesa no processo.

A magistrada decidiu cautelarmente pelo afastamento dos cargos de Amadeu Rodrigues da Silva Junior, presidente da FPF; Lionaldo dos Santos Silva, presidente do STJD; Marinaldo Roberto de Barros, procurador do STJD; Jose Renato Albuquerque Soares, membro da Comissão Estadual de Árbitros de Futebol; Severino José de Lemos, membro da Comissão de Arbitragem, e Genildo Januário da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Árbitros. O grupo foi enquadrado na denúncia formulada pelo Ministério Público como o “Núcleo dos gestores/Líderes“. Deste agrupamento, apenas Breno Morais Almeida, vice-presidente do clube Botafogo, não teve determinação para deixar o cargo. Apesar de que, sem poder frequentar a sede do clube e os jogos, terá a função reputada à condição de inócua.

Todos os acusados, sem exceção, terão que cumprir uma série de medidas cautelares. Confira:

. Comparecer uma vez por mês no cartório judicial da Vara, entre os dias 1° e 10, para informar e justificar atividades;
. Proibição de se ausentar da comarca onde residem sem autorização judicial;
. Obrigação de recolhimento domiciliar no período noturno, a partir das 21h até as 5h do dia seguinte;
. Proibição de acesso ou frequência à entidades desportivas paraibanas (Federação Paraibana de Futebol, Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba, Comissão Estadual de Árbitros de Futebol, bem como quaisquer eventos esportivos atrelados ao futebol paraibano, mantendo distância mínima de 400 metros);
. Proibição de manter contato com as testemunhas e investigados e/ou denunciados no presente caso, salvo se forem parentes;
. Entrega judicial do passaporte no prazo de 24 horas.

Outros acusados

As medias cautelares serão cumpridas também pelos membros da comissão de arbitragem denunciados como integrantes do “Núcleo de Supervisores“. São eles Adeilson Carmo Sales de Souza, Antonio Carlos da Rocha, Antonio Umbelino de Santana, Eder Caxias Meneses, Francisco de Assis da Costa Santiago, João Bosco Sátiro da Nóbrega, José Maria de Lucena Netto, Tarcísio José de Souza e Josiel Ferreira da Silva. A ala identificada como “Núcleo de Logística” inclui o funcionário da Federação Paraibana de Futebol José Araújo da Penha.

Durante a instrução processual, a Polícia Civil chegou a pedir a prisão preventiva dos suspeitos, porém, a magistrada seguiu o entendimento do Ministério Público da Paraíba. O órgão opinou pela imposição de medidas cautelares contra os acusados. Em contato com o blog, o advogado de Nosman Barreiro, vice-presidente da Federação Paraibana de Futebol, Diego Lima, se disse confiante de que o dirigente será empossado ainda nesta quinta-feira (27) no cargo de presidente interino da federação. Para isso, ele enfrentará uma mudança no estatuto da instituição. Uma manobra feita por Amadeu Rodrigues definiu como sucessor, em caso de vacância do cargo do presidente, um nome escolhido entre as outras vice-presidências da FPF. Mais uma demanda judicial à vista.

 

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