Empossado, Nosman Barreiro beija Santa e diz que ela fica na FPF

Um ano antes, durante posse tumultuada, imagem de Nossa Senhora Aparecida foi retirada da mesa e jogada em um sofá

Nosman Barreiro beijou a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Divulgação

O presidente interino da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Nosman Barreiro, decidiu fazer as pazes com as divindades católicas. Durante a posse no cargo, após o afastamento de Amadeu Rodrigues da presidência, ele tratou com carinho a imagem de Nossa Senhora Aparecida. E mais: disse que a santa fica enquanto ele estiver no comando da instituição. O caso parece trivial, mas não é. Ano passado, durante uma tentativa desastrada de posse no cargo, houve um episódio de evidente preconceito racial e intolerância religiosa.

Uma das acompanhantes de Nosman pegou a imagem da santa, que estava em cima da mesa e a jogou sobre um sofá. O caso revoltou vários católicos pelo fato de a imagem de Nossa Senhora Aparecida ter sido chamada de “neguinha macumbeira” e com afirmativas de que “aqui a gente só adora a Deus”. O flagrante foi feito pela TV Cabo Branco e divulgado pelo Globo Esporte. Na época, Nosman lançou mão de um chaveiro para abrir as portas da Federação porque os advogados ligados a Rodrigues não permitiram que as chaves fossem entregues ao vice, que tenta na Justiça retirar o mandatário do poder.

A situação agora é bem diferente. Ele assumiu o cargo por que a Justiça decidiu afastar praticamente toda a atual diretoria. O grupo é acusado de envolvimento em uma organização criminosa fundada para manipular os resultados de jogos no Campeonato Paraibano de Futebol. O caso resultou na operação Cartola, desencadeada pela Polícia Civil em parceria com o Ministério Público da Paraíba. 

Ministro do STJ nega habeas corpus para três presos na operação Xeque-Mate

Ministro Félix Fischer entendeu que, soltos, acusados de envolvimento em organização criminosa poderiam destruir provas

Felix Fischer ressaltou o risco de destruição de provas e disse que o lastro probatório da denúncia demonstra gravidade das acusações. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Félix Fischer, negou habeas corpus pedido por três dos presos na operação Xeque-Mate. Os recursos foram apresentados pelo presidente afastado da Câmara, Lúcio José (PRP), o servidor municipal Adeilson Bezerra Duarte e o empresário do ramo de segurança privada Marcos Antônio Silva dos Santos. Eles são acusados de envolvimento em uma organização criminosa que teria sido instalada e seria comandada pelo prefeito afastado de Cabedelo, Leto Viana (PRP). Todos foram presos preventivamente no dia 3 de abril, com a deflagração da operação. Ao todo, 11 pessoas foram presas pela Polícia Federal e se encontram detidas, em sua maioria, no 5° Batalhão da Polícia Militar, em João Pessoa.

Fischer, ao analisar os casos, entendeu que a manutenção das prisões é necessária para que não haja risco para as investigações. “Nesse norte, diante da influência política e financeira que exercem, busca-se com a prisão preventiva preservar a higidez da colheita probatória, impedindo a manipulação, destruição e a ocultação de provas materiais, bem como a ingerência sobre potenciais testemunhas que possam confirmar todos os fatos ora relatados, além de impossibilitar o exercício de intimidação sob o pálio do poder hierárquico, possibilidade estas efetivamente observadas nos autos. Resta, assim, evidenciada a imperiosidade da medida para a conveniência da investigação criminal e instrução do processo”, ressaltou o ministro na decisão.

De acordo com as investigações, o presidente da Câmara, Lúcio José, tinha papel crucial no esquema de desvio de recursos públicos implantados na cidade. Já contra Adeildo Bezerra Duarte, pesa a acusação de ter atuado como operador financeiro do suposto esquema. Ele teria intermediado pagamentos atendendo aos interesses do prefeito afastado e da primeira-dama, Jacqueline França (PRP), também vice-presidente da Câmara. Já Marcos Antônio Silva dos Santos é citado na denúncia formulada pelo Ministério Público da Paraíba como responsável pela segurança do prefeito e, além disso, responsável pela intimidação de adversários. Ele é proprietário da empresa Fort Segurança, com contratos de R$ 5,6 milhões em quatro anos.

Antes do recurso ao STJ, os três tentaram reverter a prisão preventiva com recursos ao Tribunal de Justiça. A corte, no entanto, negou os agravos impetrados por eles e outros investigados na Operação Xeque-Mate.

Operação

A Operação Xeque-Mate foi deflagrada no dia 3 de abril, numa ação realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual, em cumprimento aos mandados autorizados pelo desembargador João Benedito da Silva. Durante o inquérito policial, foram constatadas práticas ilícitas, tais como contratação de servidores fantasmas, doação de terrenos, utilização de interpostas pessoas para ocultação patrimonial, controle do Legislativo municipal por parte do prefeito, através do empréstimo de dinheiro para campanhas políticas, condicionado à assinatura de “cartas renúncia”, entre outras acusações.

Naquele momento, o desembargador João Benedito determinou a expedição de 11 mandados de prisão preventiva, 36 de busca e apreensão de documentos, mídias eletrônicas, veículos e objetos relacionados nas investigações. Ordenou, ainda, o afastamento cautelar do cargo de 84 servidores públicos e agentes políticos do Município de Cabedelo, incluindo o prefeito, vice-prefeito, o presidente e a vice-presidente da Câmara, além de vereadores em virtude da suspensão do exercício de suas funções públicas.

 

Mesmo preso, ex-presidente Lula lidera pesquisa do Ibope

Petista foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá

O ex-presidente Lula (PT) continua liderando a pesquisa do Ibope sobre as intenções de voto para a Presidência da República. O petista aparece com 33% das intenções de voto e é seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 15%. Neste cenário, Marina Silva (Rede) tem 7%, Ciro Gomes (PDT) 4% e Geraldo Alckmin (PSDB) 4%. Na sequência aparecem ainda Álvaro Dias (Podemos) com 2%, Manuela D’Ávila (PC do B) com 1%, Fernando Collor de Mello (PTC) com 1%, Flávio Rocha (PRB) com 1%, Levy Fidelix (PRTB) com 1% e João Goulart Filho (PPL) com 1%.

A pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho com 2 mil eleitores em 128 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Ela foi registrada com o número BR-02265/2018 no Tribunal Superior Eleitoral.

Cenário com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 33%
Jair Bolsonaro (PSL): 15%
Marina Silva (Rede): 7%
Ciro Gomes (PDT): 4%
Geraldo Alckmin (PSDB): 4%
Álvaro Dias (Podemos): 2%
Manuela D’Ávila (PC do B): 1%
Fernando Collor de Mello (PTC): 1%
Flávio Rocha (PRB): 1%
Levy Fidelix (PRTB): 1%
João Goulart Filho (PPL): 1%
Outros com menos de 1%: 2%
Branco/nulo: 22%
Não sabe/não respondeu: 6%

Cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

Jair Bolsonaro (PSL): 17%
Marina Silva (Rede): 13%
Ciro Gomes (PDT): 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
Álvaro Dias (Podemos): 3%
Fernando Collor de Mello (PTC): 2%
Fernando Haddad (PT): 2%
Flávio Rocha (PRB): 1%
Guilherme Boulos (PSOL): 1%
Henrique Meirelles (MDB): 1%
Levy Fidelix (PRTB): 1%
Manuela D’ Ávila (PC do B): 1%
Rodrigo Maia (DEM): 1%
João Goulart Filho: 1%
Outro com menos de 1%: 1%
Branco/nulo: 33%
Não sabe/não respondeu: 8%

Intenção de voto espontânea (quando não é apresentada uma lista de candidatos):

Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 21%
Jair Bolsonaro (PSL): 11%
Marina Silva (Rede): 2%
Ciro Gomes (PDT): 2%
Álvaro Dias (Podemos): 1%
Geraldo Alckmin (PSDB): 1%
João Amôedo (Novo): 1%
Outro com menos de 1%: 3%
Branco/nulo: 31%
Não sabe/não respondeu: 28%

O Ibope não pesquisou cenários para segundo turno. Isso porque essa é a primeira pesquisa Ibope/CNI de intenção de votos deste ano.

Rejeição de voto para presidente da República:

Fernando Collor de Mello (PTC): 32%
Jair Bolsonaro (PSL): 32%
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 31%
Geraldo Alckmin (PSDB): 22%
Ciro Gomes (PDT): 18%
Marina Silva (Rede): 18%
Rodrigo Maia (DEM): 13%
Fernando Haddad (PT): 12%
Henrique Meirelles (MDB): 11%
Levy Fidelix (PRTB): 10%
Aldo Rebelo (SD): 9%
Álvaro Dias (Podemos): 9%
Flávio Rocha (PRB): 9%
Guilherme Boulos (PSOL): 9%
João Gourlart Filho (PPL): 9%
Manuela D’Ávila (PCdoB): 9%
João Amôedo (Novo): 8%
Guilherme Afif: 8%
Paulo Rabello (PSC): 8%
Valéria Monteiro (PMN): 8%
Poderia votar em todos: 2%
Não sabe/não respondeu: 11%

Rejeição de 79%: Ibope mostra por que partidos têm corrido de Temer

Aliados dizem que apoio do emedebista é radioativo e evitam composição com o partido até nos estados

A pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (28) mostra por que os partidos têm corrido para longe da associação com o presidente Michel Temer (MDB). A consulta mostra que o governo do emedebista aparece com 79% de avaliação ruim ou péssima. Já o percentual dos que aprova a gestão, classificando-a como ótima ou boa, não passa dos 4%. Os números são piores que os já péssimos de abril, consulta anterior a atual. Isso fez com que Temer abandonasse o projeto de disputa da reeleição e lançasse, como opção, o ex-ministro da Fazenda,  Henrique Meirelles.

Avaliação do governo

Ótimo/bom: 4%
Regular: 16%
Ruim/péssimo: 79%
Não sabe/não respondeu: 1%

Na pesquisa anterior do Ibope, divulgada em abril, 72% consideravam o governo “ruim/péssimo”; 21%, “regular”; e 5% avaliavam como “bom/ótimo”.

O levantamento foi encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A aplicação dos questionários ocorreu entre os dias 21 e 24 de junho, quando foram ouvidas 2 mil pessoas em 128 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

O instituto quis saber também da avaliação dos eleitores sobre a maneira de governar do atual presidente. Veja o resultado:

Aprovam: 7%
Desaprovam: 90%
Não souberam ou não responderam: 3%

No levantamento divulgado em abril, 9% aprovavam e 87% desaprovavam a maneira de governo de Temer.

Aprovação por áreas
Outro tópico da pesquisa foi a avaliação dos entrevistados sobre áreas de atuação do governo:

Segurança Pública

Aprovam: 14%
Desaprovam: 83%

Educação

Aprovam: 15%
Desaprovam: 83%

Saúde

Aprovam: 11%
Desaprovam: 88%

Taxa de juros

Aprovam: 8%
Desaprovam: 89%

Combate ao desemprego

Aprovam: 11%
Desaprovam: 87%

Operação Cartola: Justiça afasta cúpula da FPF e determina recolhimento domiciliar de dirigentes

Acusados de operar organização criminosa no futebol paraibano estão impedidos de frequentar espaços esportivos e deixar a comarca sem autorização judicial

Amadeu Rodrigues é um dos acusados de ter criado uma organização criminosa na FPF

A juíza da 4ª Vara Criminal da Comarca de João Pessoa, Shirley Abrantes Moreira Régis, determinou nesta quarta-feira (27) o afastamento de praticamente toda a cúpula da Federação Paraibana de Futebol (FPF). Ao todo, 17 acusados pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) de operar uma “organização criminosa” na entidade tiveram as denúncias aceitas pela magistrada. Eles são suspeitos de, entre outros crimes, manipular resultados dos jogos, fraudar o sorteio da arbitragem, favorecer demandas dos dirigentes dos clubes e garantir a proteção dos resultados com decisões da Justiça Desportiva. Todos receberam prazo de dez dias para apresentar defesa no processo.

A magistrada decidiu cautelarmente pelo afastamento dos cargos de Amadeu Rodrigues da Silva Junior, presidente da FPF; Lionaldo dos Santos Silva, presidente do STJD; Marinaldo Roberto de Barros, procurador do STJD; Jose Renato Albuquerque Soares, membro da Comissão Estadual de Árbitros de Futebol; Severino José de Lemos, membro da Comissão de Arbitragem, e Genildo Januário da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Árbitros. O grupo foi enquadrado na denúncia formulada pelo Ministério Público como o “Núcleo dos gestores/Líderes“. Deste agrupamento, apenas Breno Morais Almeida, vice-presidente do clube Botafogo, não teve determinação para deixar o cargo. Apesar de que, sem poder frequentar a sede do clube e os jogos, terá a função reputada à condição de inócua.

Todos os acusados, sem exceção, terão que cumprir uma série de medidas cautelares. Confira:

. Comparecer uma vez por mês no cartório judicial da Vara, entre os dias 1° e 10, para informar e justificar atividades;
. Proibição de se ausentar da comarca onde residem sem autorização judicial;
. Obrigação de recolhimento domiciliar no período noturno, a partir das 21h até as 5h do dia seguinte;
. Proibição de acesso ou frequência à entidades desportivas paraibanas (Federação Paraibana de Futebol, Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba, Comissão Estadual de Árbitros de Futebol, bem como quaisquer eventos esportivos atrelados ao futebol paraibano, mantendo distância mínima de 400 metros);
. Proibição de manter contato com as testemunhas e investigados e/ou denunciados no presente caso, salvo se forem parentes;
. Entrega judicial do passaporte no prazo de 24 horas.

Outros acusados

As medias cautelares serão cumpridas também pelos membros da comissão de arbitragem denunciados como integrantes do “Núcleo de Supervisores“. São eles Adeilson Carmo Sales de Souza, Antonio Carlos da Rocha, Antonio Umbelino de Santana, Eder Caxias Meneses, Francisco de Assis da Costa Santiago, João Bosco Sátiro da Nóbrega, José Maria de Lucena Netto, Tarcísio José de Souza e Josiel Ferreira da Silva. A ala identificada como “Núcleo de Logística” inclui o funcionário da Federação Paraibana de Futebol José Araújo da Penha.

Durante a instrução processual, a Polícia Civil chegou a pedir a prisão preventiva dos suspeitos, porém, a magistrada seguiu o entendimento do Ministério Público da Paraíba. O órgão opinou pela imposição de medidas cautelares contra os acusados. Em contato com o blog, o advogado de Nosman Barreiro, vice-presidente da Federação Paraibana de Futebol, Diego Lima, se disse confiante de que o dirigente será empossado ainda nesta quinta-feira (27) no cargo de presidente interino da federação. Para isso, ele enfrentará uma mudança no estatuto da instituição. Uma manobra feita por Amadeu Rodrigues definiu como sucessor, em caso de vacância do cargo do presidente, um nome escolhido entre as outras vice-presidências da FPF. Mais uma demanda judicial à vista.

 

MPPB vai apurar “preconceito” e “misoginia” em comentários de Sikêra Júnior

Apresentador da TV Arapuan teria se referido a mulher presa como “sebosa” e “nojenta”, mas alegou não ter tido a intenção de ofender ninguém

Sikêra Júnior divulgou vídeo alegando que foi mal interpretado e que tudo não passou de uma brincadeira. Imagem/Reprodução/Facebook

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu procedimento para “apurar a veiculação, em programa televisivo, de comentário de conteúdo preconceituoso e misógino, pelo apresentador José Siqueira Barros Filho, conhecido por Sikera Júnior”. O inquérito está sendo instaurado pela Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, da Comarca de João Pessoa. De acordo com o procedimento, durante a apresentação do programa Cidade em Ação, na TV Arapuan, em matéria sobre a prisão de uma jovem negra, o apresentador teria se referido à “detida” com adjetivos como “sebosa” e “nojenta”. A promotora Rosane Maria Araújo e Oliveira alega que a conduta, em tese, “afronta a Constituição Federal e a Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, ratificada pelo Brasil”.

O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e teve a gravidade elevada depois que o apresentador reagiu a críticas da jornalista e cantora Kalyne Lima. A jovem havia feito postagens nas redes sociais criticando a postura de Sikêra. Em contrapartida, ele também usou as redes sociais para chamar a ativista cultural de “feminista”, “mal amada” e “gorda”.  Vários manifestantes, depois disso, se concentraram em frente à emissora de TV, que divulgou nota alegando que “não necessariamente comunga com os valores defendidos por seus profissionais”. O próprio Sikêra veio a público posteriormente para alegar que não pretendia ofender as mulheres. Alegou que foi mal interpretado quando usou do habitual bom humor para tratar de assuntos cotidianos.

O caso foi levado pela própria Kalyne Lima para o Ministério Público da Paraíba. Ela foi acompanhada na demanda por representantes dos movimentos sociais feministas e da Comissão de Combate à Violência e Impunidade contra a Mulher da OAB/PB; Cunhã – Coletivo Feminista e Articulação de Mulheres Brasileiras e do Movimento Mulheres ELO em Rede da Paraíba.

Em decorrência da denúncia, a promotora determinou a abertura do inquérito e que sejam oficiados o apresentador e a emissora de TV para que prestem esclarecimentos sobre o ocorrido. A portaria com o procedimento foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público da Paraíba nesta terça-feira (26).

Justiça desobriga placas com alertas sobre homofobia em seis estabelecimentos e Estado vai recorrer

Procurador-geral do Estado diz que a decisão da magistrada apenas destrói o mínimo de política de tolerância pregado na legislação

Magistrada alega, em decisão, que há vários segmentos da população que sofrem discriminação e não são alcançados pela lei. Foto: Divulgação

Mais um embate judicial à vista. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) vai recorrer de decisão da decisão judicial que proíbe o Estado de obrigar seis estabelecimentos a fixarem placas alertando sobre a proibição legal da discriminação por orientação sexual. A lei  nº 10.895/2017 foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada em maio do ano passado pelo governado Ricardo Coutinho (PSB). O texto determina que todos os estabelecimentos comerciais ou públicos a alertarem clientes e funcionários sobre o combate à homofobia. A multa pelo descumprimento é de R$ 10,5 mil. A exigência é para que se fixe uma placa, em local visível, com dimensões de 50 cm por 50 cm, com o dizeres “Discriminação por orientação sexual é ilegal e a acarreta multa.

A decisão é tem caráter liminar e foi proferida pela juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital, Flávia da Costa Lins Cavalcanti. A magistrada determinou que o Estado se abstenha de aplicar qualquer sanção contra os autores da Ação de Obrigação de Fazer em questão. Os autores da demanda judicial são Márcio Túllio de Farias Chaves ME, VM Ensino Médio Ltda. EPP, DHD Ensino Infantil e Fundamental Ltda. – EPP, Honório Dantas & Cia Ltda. – EPP, MJ Ensino Infantil, Fundamental e Médio Ltda. – EPP e Book Store Comércio de Livros Ltda. A medida judicial foi movida contra o Estado da Paraíba. Os promoventes afirmam que tal medida é desproporcional e impositiva e que vem gerando prejuízo aos comercialmente.

A decisão foi criticada pelo procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro. Ele disse que vai recorrer. “Esse é o tipo de decisão que não ajuda em nada, só destrói o mínimo de política de tolerância que se busca construir no respeito a adversidade”, enfatizou em contato com o blog. A proposta teve como autor na Assembleia Legislativa o deputado estadual Anísio Maia (PT). A lei determina que o dinheiro arrecadado seja distribuído entre entidades de defesa do orgulho LGBT.

Os autores da ação alegam que a lei decorre de uma necessidade coletiva, não sendo função do legislador criar lei em benefícios de particulares. Aduzem, também, que a lei em foco padece de vício de iniciativa e inconstitucionalidade material, uma vez que trata de matéria de direito civil, de competência exclusiva da União, o que violaria o princípio da igualdade.

Decisão

Ao decidir sobre o caso, a magistrada observou que a placa objeto da lei, cuja afixação foi impositiva, sob pena de pagamento de multa aos descumpridores, visa assegurar o cumprimento da norma constitucional que veda a discriminação em razão de sexo/opção sexual. Ao mesmo tempo, viola, dentre outros princípios, o da livre iniciativa e o consagrado princípio constitucional da igualdade.

A juíza Flávia Cavalcanti afirmou que, sopesando os valores trazidos à apreciação, entende-se que deve prevalecer os interesses da maioria, que não pode ver tolhida a sua liberdade para atender parcela da sociedade. “Apesar de sofrer com a discriminação que realmente existe, não são as únicas vítimas de tais atos criminosos, os quais se originam no preconceito de cor, idade, origem, entre outros, e, nem por isso, em relação às ditas vítimas, se pode exigir igualmente a afixação do respectivo cartaz, reproduzindo o teor da lei que criminaliza ditas condutas”, enfatizou.

Com isso, a magistrada afirmou estarem presentes os requisitos necessários à concessão da tutela de urgência, estando a plausabilidade do direito demonstrada, bem como o perigo da demora, “na medida em que o constrangimento/prejuízos causados aos estabelecimentos obrigados a afixar a placa em tela é diário e aumenta com o passar do tempo.

 

Segunda Turma do Supremo manda soltar ex-ministro José Dirceu

Petista foi condenado a  30 anos de prisão por decisão do juiz da Lava Jato Sérgio Moro

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu após assinar na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal o termo que autoriza a cumprir prisão no regime aberto (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Por 3 votos a 1, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (26) suspender a execução da condenação do ex-ministro José Dirceu a 30 anos de prisão na Operação Lava Jato. Com a decisão, Dirceu deverá ser solto. Ele cumpre a pena na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

A decisão foi tomada a partir de um habeas corpus protocolado pela defesa de Dirceu. Votaram pela soltura o relator, Dias Toffoli, e os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Ex-ministro da Casa Civil José Dirceu
Ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu deve ser solto nas próximas horas (Fábio Rodrigues Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil)
Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no STF, votou contra a concessão da liberdade. A maioria entendeu que o cálculo da pena pode ser revisto e Dirceu pode aguardar em liberdade o julgamento do recurso contra a condenação.

José Dirceu foi preso no mês passado após ter a condenação confirmada pela segunda instância da Justiça Federal, com base no entendimento do STF, que autorizou a execução provisória da pena, após o fim dos recursos na segunda instância.

Sessão

O julgamento desta terça-feira foi marcado por várias trocas de farpas entre os ministros Dias Toffoli e Edson Fachin, que pediu vista do habeas corpus, mas os demais integrantes da Segunda Turma decidiram encaminhar a votação.

O procedimento não é usual no STF. Em geral, quando integrantes pedem vista de um processo, os demais chegam a adiantar o voto, mas o resultado fica suspenso e não é proclamado.

Em dos trechos do julgamento, ao discordar do voto de Toffoli, Fachin sustentou que o ministro estaria descumprindo a decisão do plenário que autorizou a prisão após o fim dos recursos em segunda instância. No entanto, Toffoli divergiu das ponderações e passou a rebater os argumentos de Fachin.

“Mas aí não tem a ver com execução imediata da pena, Vossa Excelência está fazendo um contraponto, eu estou falando A, Vossa Excelência está falando B. Vamos colocar as coisas nos devidos lugares”, disse Toffoli.

Em seguida, Fachin respondeu: “Nós dois estamos entendendo o que nós estamos falando”.

A troca de farpas entre os ministros ocorreu um dia após o ministro Edson Fachin enviar ao plenário, e não à Segunda Turma, o recurso no qual a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pedia para suspender a execução da condenação na Lava Jato.

Além de Dirceu, também conseguiram recursos favoráveis na sessão de hoje da Segunda Turma o deputado estadual Fernando Capez (PSDB-SP), a senadora Gleisi Hoffmann e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, e o ex-tesoureiro do PP, João Claudio Genu, condenado na Lava Jato.

Cartaxo elogia Manoel Júnior, mas joga para base aliada escolha para o Senado

Prefeito diz que partidos aliados vão discutir o preenchimento do último espaço disponível na majoritária

Luciano Cartaxo (D) revela que Manoel Júnior precisará de apoio dos partidos da base para ser candidato ao Senado. Foto: Alessandro Potter SECOM-JP

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), não descarta a escolha de Manoel Júnior (PSC) para ocupar uma das vagas na chapa majoritária encabeçada pelo irmão, Lucélio. O gestor foi questionado sobre o assunto durante café da manhã que marcou, nesta terça-feira (26), a preparação para a entrega dos prédios do Villa Sanhauá, no Centro. O gestor garantiu que a relação com o vice-prefeito é muito boa e que tem havido interação entre eles na gestão. A escolha do colega de gestão para a disputa de vaga no Senado, na chapa de Lucélio, ele ressalta, dependerá dos outros aliados.

O prefeito, que preside o PV no Estado, deixou claro que tem havido conversas entre os partidos da base aliada. Resta apenas uma vaga no agrupamento político. Além de Lucélio, estão definidos a vice (Micheline Rodrigues) e um dos candidatos ao Senado (Cássio Cunha Lima). Resta a outra vaga para o Senado e as suplências para a Casa Alta (são quatro). Manoel Júnior chegou a namorar a participação na chapa que deverá ser encabeçada pelo senador José Maranhão (MDB). A decisão de Raimundo Lira (PSD) de não disputar a reeleição deixou o jogo aberto.

Operação de combate à adulteração de hodômetro cumpre mandado de prisão em João Pessoa

Operação Vitruvius cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão nas cidades de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e João Pessoa

Investigação mostrou mais de 150 participantes no esquema de adulteração de quilometragens de carros. Foto: Suetoni Souto Maior

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta terça-feira (26) uma operação que desarticulou um esquema de fraudes contra consumidores relativo à prática de adulteração de marcadores de quilometragem de veículos, os hodômetros. Interceptações feitas com autorização judicial apontam que em apenas 45 dias pelo menos 202 veículos tiveram seus hodômetros adulterados. A operação Vitruvius cumpriu seis mandados de prisão preventiva e outros 50 de busca e apreensão nas cidades de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e ainda em João Pessoa, capital da Paraíba. As investigações ainda estão sob segredo de Justiça.

A operação Vitruvius apura crimes contra as relações de consumo, associação criminosa e estelionato. Durante o período das interceptações, foram identificados mais de 150 participantes das fraudes, a maior parte deles empresários do ramo de revenda de veículos usados. Os carros adulterados foram identificados através dos diálogos captados nas interceptações telefônicas e mediante diligências e filmagens realizadas em campo pela equipe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do MPRN.

A operação desta terça-feira contou com a participação de 37 promotores de Justiça, 75 servidores do MPRN e 160 policiais militares. A ação teve ainda o apoio de uma equipe do Núcleo Especial de Investigações (Neic) da Polícia Civil e do Gaeco da Paraíba.