Depois de UNB e Unicamp, UEPB cria disciplina sobre “o golpe de 2016”

Na última contagem, depois de manifestação do Ministério da Educação, cinco novos cursos foram criados em todo o Brasil

Michel Temer assumiu o poder após o impeachment que retirou Dilma Rousseff do comando da Presidência. Foto: Lula Marques/Agência PT

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vai oferecer o curso de extensão “O golpe de 2016 e o futuro da Democracia no Brasil”. A decisão ocorre após manifestação do Ministério da Educação (MEC) contra disciplina similar criada pela Universidade Nacional de Brasília (UNB). Com a instituição paraibana, passam a somar seis o número de cursos do gênero no Brasil. A disciplina será ministrada no Departamento de Filosofia, através do Grupo de pesquisa sobre Ensino de Filosofia e Filosofia Marxista. Serão oferecidas 40 vagas para estudantes e professores da UEPB que pretendem aprofundar a temática. Das 75 horas/aula previstas, 65 horas serão reservadas para a parte teórica (presencial), enquanto 10 horas serão destinadas à parte prática, que consiste na produção textual.

A atividade, aprovada em Reunião Departamental, será coordenada pelo professor Valmir Pereira. As inscrições podem ser feitas na Coordenação do Curso de Filosofia, no Centro de Educação (CEDUC), Câmpus de Campina Grande. As aulas começam no dia 19 de março e se estendem até 20 de junho, sendo ministradas na Central de Integração Acadêmica, as segundas e quartas-feiras, das 14h às 16h30. Professor explica que “o curso pretende trazer para o espaço acadêmico o debate sobre os acontecimentos de 2016 que culminaram no impeachment da presidenta Dilma Rousseff por meio de um golpe, bem como os antecedentes ao fato em tela. A ideia é proporcionar acesso a produção teórica de diversos autores, para além do que a grande mídia tem veiculado como apenas um processo legal e necessário”.

Tendo como colaboradores os professores da UEPB, Antonio Guedes Rangel Junior (reitor da Instituição), Gilbergues Santos, Luciano do Nascimento e Hipólito Lucena, o curso contribuirá para o desenvolvimento de habilidades e competências referentes à pesquisa, leitura e escrita, tendo como base outras fontes que difundem as notícias cotidianamente, mas que ao mesmo tempo se diferenciam da grande mídia. De acordo com notícia divulgada pela instituição, o curso será fundamentado nos textos de diferentes autores e no debate acadêmico. A iniciativa, segundo os organizadores, visa abordar os temas com as melhores metodologias para compreensão da realidade brasileira, aprofundando as questões que hoje atentam contra a democracia e os riscos atinentes a um possível Estado autoritário.

“Pretendemos entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática, de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidenta Dilma Rousseff, bem como analisar o governo presidido por Michel Temer”, justificou o coordenador. A proposta, conforme Valmir, “é investigar o que a agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades diz sobre a relação entre as desigualdades sociais e o sistema político no Brasil e estudar os desdobramentos da crise em curso e as possibilidades de reforço da resistência popular e de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no Brasil”.

As disciplinas já foram criadas por UNB, Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Estadual da Paraíba.

No Centro de Humanidades

“O Golpe de 2016 e o futuro da Democracia no Brasil” também será tema do curso a ser ministrado no Centro de Humanidade (CH), Câmpus III da UEPB, em Guarabira. No Câmpus III, as aulas começam no próximo dia 4 de abril. Afirmação da autonomia universitária, debate político e reflexões sobre perspectivas futuras, impulsionaram a realizarão do curso.

Para a atividade em Guarabira estão sendo disponibilizadas 80 vagas. O curso terá suas aulas ministradas sempre às quartas-feiras, das 7h30 às 10h30, no Auditório do CH. Os interessados podem efetuar a inscrição no Centro Acadêmico de Direito ou por meio do preenchimento de formulário online.

De acordo com o professor Agassiz Almeida, a proposta apresenta finalidades concordantes e oportunas para discutir a vigente conjuntura política brasileira, sendo a primeira delas defender a autonomia universitária, que, seguindo a argumentação do docente, foi recentemente exposta pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, ao atacar o professor Luís Felipe Miguel, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB), pelo fato de ofertar uma disciplina que tem o mesmo nome do projeto de extensão em foco.

Em Patos

A atividade extensionista também será realizada no Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas (CCEA), Câmpus VII da Instituição, na cidade de Patos. Em Patos, o curso será uma iniciativa da coordenação do rupo Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), com apoio da Direção do Centro. Será ministrado em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do ABC (UFABC), com aulas ministradas por professores doscCâmpus de Guarabira, Campina Grande e Patos.

 

3 comentários - Depois de UNB e Unicamp, UEPB cria disciplina sobre “o golpe de 2016”

  1. André villarim Disse:

    As viuvas da quadrilha do PT querem piorar a qualidade da educação do Brasil?

  2. Paula Costa Disse:

    Enquanto isso os ignorantes estão aqui fora filosofando. A História fará justiça!

  3. Anonimo Disse:

    Se a proposta do curso é “…trazer para o espaço acadêmico o debate sobre os acontecimentos de 2016…”, por que já afirma que foi um golpe? Se o aluno não concordar que foi golpe não vai passar nesta matéria? cadê a democracia?

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