Após desistir de auxílio-doença de R$ 120 mil, prefeito de Pilões decide investir na população

Iremar Flor pediu à Câmara para suspender dotação orçamentária criada para tratar da saúde dele

Iremar Flor precisará fazer um tratamento de saúde nos Estados Unidos. Foto: Reprodução/Facebook

Por Angélica Nunes

Parece que após a crise institucional com a doação de R$ 120 mil para que o prefeito de Pilões, Iremar Flor de Sousa (PSB), fizesse tratamento de saúde no Texas, Estados Unidos, a gestão do município resolveu ter um olhar mais atento às necessidades da população. Em meio à polêmica, a secretária municipal de Saúde, Socorro Brilhante, anunciou esta semana que, a partir de março, serão oferecidos serviços de psiquiatria, pediatria, ortopedia e cardiologia à população. Além desses, estão sendo oferecidos atendimentos com nutricionista, fisioterapeuta e assistente social, bem como médicos e dentistas.

“O município se encontra numa realidade bem melhor. Os pacientes não precisam se deslocar para a capital. Nós temos profissionais renomados”, assegurou a secretária, em release enviado à imprensa.

Ainda segundo Socorro Brilhante, apesar das dificuldades financeiras de Pilões, a gestão conseguiu elaborar um plano de trabalho que diminuiu os gastos e logo resultou em contratação de profissionais altamente qualificados. “O município oferece consultas com psiquiatra, pediatra, ortopedista e cardiologista, o que não é comum quando se trata de um município com menos de sete mil habitantes, que por sua vez, oferecia apenas atenção básica”, explicou.

Apesar da iniciativa, a lista de novos profissionais oferecendo serviço médico à população não inclui oncologia, especialidade que poderia tratar a doença do prefeito. Iremar Flor, devido à repercussão negativa do pedido de auxílio-doença, acabou desistindo do pedido. Ele encaminhou na tarde da última quinta-feira (22) mensagem à Câmara Municipal pedindo a revogação do projeto. Ele próprio admitiu, no texto, que não havia interesse público na lei que o beneficiava.

“É de bom alvitre ressaltar que, em que pese demonstrada a necessidade do suposto beneficiário, frente ao custo que representa o referido tratamento, tal despesa não representa interesse público, razão pela qual a lei supracitada merece ser revogada”, diz a mensagem do prefeito.

A proposta inicial aportou no Legislativo no dia 8 de fevereiro e foi votada no dia seguinte, véspera de carnaval. Ela foi aprovada por unanimidade. O gestor, na justificativa, alegou a necessidade de tratamento de um mal grave, cujo tratamento terá que ser feito no Texas, nos Estados Unidos.

A Justificativa dizia ainda que foi gerada uma economia na prefeitura por causa do não recebimento de salários pelo prefeito. No ano de 2017, o primeiro da gestão, a economia para os cofres público teria sido de R$ 196 mil, pelo fato de Iremar Flor ter decidido não receber pelos salários de R$ 14 mil mensais. Ele priorizou o recebimento dos salários pagos pela Cagepa. O mal foi atestado, segundo a justificativa contida no projeto, pelo Centro Paraibano de Oncologia

“Atestou a progressão da doença ainda que diante das três linhas de quimioterapia já realizadas, apresentando como o único tratamento provável a regressar a doença supracitada, o realizado no MD Anderson Cancer Center, no Texas”, diz a justificativa.

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