Confira as previsões políticas do blog para o Brasil e a Paraíba em 2018

Ano será marcado por rejeição da população aos políticos e uma abstenção gigantesca

O caminho para mudar é através do voto. Foto: Divulgação/TSE

O ano de 2018 vai ser difícil para a classe política. Os erros sucessivos na briga pelo poder, no país, lançaram reputações antes satisfatórias na vala do esquecimento. As urnas, em 2014, trouxeram a reeleição de Dilma Rousseff (PT), na Presidência, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em segundo lugar, também com mais de 50 milhões de votos. Ambos, curiosamente, terão dificuldades no ano que vem para conseguir vaga até na Câmara dos Deputados. O atual presidente, Michel Temer (MDB), não concorrerá à reeleição porque não conseguiria vaga de síndico de prédio. As denúncias de corrupção e reformas impopulares propostas pelo governo dele, aliados à crise econômica, fizeram a já desidratada avaliação pessoal do emedebista derreter. O Datafolha mostrou algo em torno de 5%, a pior avaliação da história.

A grande tendência é que grande parte dos deputados federais e senadores não consiga renovar o mandato em 2018. Muitas variantes, no entanto, ainda serão colocadas no caldo grosso e amargo da política. A Paraíba trará uma situação curiosa, já que as eleições têm se definido em meio a esquemas eleitorais muito bem montados nos 223 municípios. Eles têm feito historicamente com que as mudanças de representantes, mínimas que sejam, ocorram dentro do mesmo grupo político e familiar. Isso tudo baseado no jorrar sem fim das doações oficiais e ‘caixa 2’ de campanha. As denúncias de corrupção e a nova legislação eleitoral, que veta doações de empresas, dificultarão a reprise desta estratégia. Ou seja, a galera acostumada a comprar o voto terá que se arriscar mais em operações de risco.

Por consequência do descrédito da política, teremos do eleitor a alternativa mais simples: o não comparecimento às urnas, apesar de obrigatório. Os votos brancos, nulos e as abstenções têm crescido de eleição para eleição. Mas poderemos ter aqui na Paraíba um fenômeno já registrado na cidade do Rio de Janeiro, em 2016. O percentual de votos perdidos na capital fluminense superou a casa dos 42%, mais que os votos recebidos por Marcelo Crivella (PRB) ao ser eleito e que o segundo colocado, Marcelo Freixo (Psol). A média de lá foi mais que o dobro da de eleições anteriores e antecipa o descrédito na política que deveremos ver no ano que vem, no Brasil como um todo, e na Paraíba em particular.

Presidenciáveis

Lula (PT)

Foto: Ricardo Stuckert

O petista lidera de ponta a ponta as pesquisas para a disputa das eleições do ano que vem. A seu favor conta a bonança econômica e social que marcou os dois mandatos do ex-presidente. Duas coisas pesam contra: o desastre das gestões de Dilma Rousseff, sua sucessora, e risco de manutenção de uma condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre (RS). Se for inocentado da condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro, cairão os argumentos dos adversários e pouca coisa impedirá um terceiro mandato dele. Se a condenação for mantida, abrem-se três cenários:

  1. Os três desembargadores condenam – este é o pior dos mundos e obrigará o ex-presidente a buscar um recurso em instâncias superiores para disputar as eleições e evitar o risco de ser preso. Terá que contar com a sorte também para o recurso não cair nas mãos dos ministros Gilmar Mendes ou Alexandre de Moraes;
  2. Dois votos pela condenação – a estratégia volta para a busca por um recurso, mas terá a seu favor a possibilidade de apontar divergência com base na votação dos magistrados. É bom lembrar que a condenação de Lula por Moro é fundada princialmente nos depoimentos de delatores e já houve absolvição de condenados por conta disso na corte;
  3. O terceiro é o cenário mais difícil de acontecer, que é Lula aceitar a manutenção da condenação e lançar um sucessor de pronto para a disputa. Este sucessor ganhará muita adesão, mas dificilmente estará no segundo turno.

Jair Bolsonaro (PSL/Patriotas)

Foto: Rizemberg Felipe

Segundo colocado nas pesquisas, o deputado federal Jair Bolsonaro conseguiu mostrar ao país que existe um eleitorado conservador em número representativo. Sua plataforma baseada nos ideais de “tradição, família e propriedade”, que embalaram o golpe de 64, tem muitos adeptos. Assustada com a corrupção, a violência e o “atentado” contra os “bons costumes”, uma parcela da população antes abarcada pelos candidatos tucanos agora vê no ex-capitão do Exército uma referência. As promessas da controversa liberação do porte de arma e autorização para a polícia matar encontram eco numa faixa que deve ficar entre 15% e 20% da população. O maior conhecimento dos eleitores em relação ao candidato, no entanto, deve impedir um crescimento substancial na preferência do eleitorado. Apesar disso, deve render apoio suficiente para um terceiro lugar nas eleições. Como ele dificilmente tirará voto do eleitor petista, deve se engalfinhar com os tucanos. Neste embate, tende a levar desvantagem por causa do menor tempo de televisão e alianças nos estados.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Não haverá vida fácil para o tucano nas eleições do ano que vem. O partido foi o principal fiador da operação que tirou Dilma Rousseff do poder para abrigar Michel Temer. A sigla também fez parte do governo com a ocupação de quatro ministérios e votou majoritariamente com os projetos de governo. Sem falar que o até então principal nome do partido, Aécio Neves, caiu em desgraça por conta das denúncias de corrupção. Alckmin vai tentar fugir deste cenário e, principalmente, sair do solo nas pesquisas. Ele aparece com menos de dois dígitos nelas. Sem a bandeira da ética para levar ao campo de batalha, por causa da citação na Lava Jato e do escândalo dos trens, terá que apelar para propostas de resgate da economia e segurança pública. O partido tem força e contará com apoios suficientes para chegar ao segundo turno, caso Lula tenha a condenação mantida. Precisará para isso brigar com Bolsonaro. Outro grande adversário será o fantasma do impopular Michel Temer, que foi apoiado pelo partido.

Ciro Gomes (PDT)

É talvez o candidato mais preparado, intelectualmente falando. Apesar disso, o destempero verbal deve pesar mais uma vez nos embates políticos. Tenta atrair para si o eleitor da esquerda, hoje com o ex-presidente Lula. Se o petista não conseguir ser candidato, terá grande chance de conseguir uma parcela representativa deste eleitorado. Dificilmente, no entanto, conseguirá apoio massivo do PT, que tende a lançar nome alternativo do partido. A presença dele nos debates deve aquecer a disputa.

Marina Silva (Rede)

As contradições em torno do nome da ex-senadora devem fazer com que ela habite a parte inferior da tabela de votação, ficando abaixo dos dois dígitos.

Henrique Meireles (PSD)

Se for candidato, terá a seu favor o argumento de que baixou a inflação e estagnou o ritmo de queda no PIB. Mesmo assim, sem que haja repercussão disso no emprego e no consumo, deverá amargar no porão da disputa. Além disso, o fato de ser ministro da Fazenda no governo Temer fará mais mal do que bem. Em 2018, por mais que busque dizer o contrário, o emedebista será a figura mais radioativa do país.

 

Para o governo da Paraíba

Luciano Cartaxo (PSD)

Foto: Angélica Nunes

O pessedista tem conseguido reunir em torno de si as principais lideranças da oposição. O PSDB tende a apoiá-lo e, com isso, trazer para o seu palanque os prefeitos de algumas das principais cidades do Estado. A gestão aprovada na capital, que rendeu a ele a reeleição em 2016, será o trunfo para a disputa. O risco é que a investigação em relação à Lagoa do Parque Solon de Lucena indique alguma responsabilidade do gestor. Até o momento, ele não é alvo do inquérito tocado pela Polícia Federal.

João Azevedo (PSB)

Foto: José Marques

Apesar de não ter cancha eleitoral, o governismo tende a pesar a favor do candidato, fazendo a polarização com Cartaxo. Tende a ser um candidato forte, principalmente, se o governador Ricardo Coutinho (PSB) decidir, de fato, ficar no cargo até o fim do mandato. Com a máquina na mão, a possibilidade de torná-lo competitivo aumenta, principalmente nas pequenas cidades. Uma outra operação, esta menos provável, poderia turbinar ainda mais a postulação. Por ela, a vice-governadora Lígia Feliciano (PSD) iria para o Tribunal de Contas do Estado em vaga que poderá ser aberta. Com isso, Ricardo renunciaria para disputar o Senado e a Assembleia Legislativa faria eleição indireta para o cargo vago. Sendo eleito para o governo em mandato tampão, o socialista disputaria a reeleição.

Lígia Feliciano (PDT)

Foto: Júnior Fernandes

Na hipótese de Ricardo Coutinho sair para disputar o Senado, em abril, e a vice assumir o cargo, seria difícil imaginar que ela não seria um bom nome para disputar a reeleição. Estaria no cargo, com a caneta na mão…

Romero Rodrigues (PSDB)

É um nome tratado como reserva entre os tucanos, porém, a proximidade do partido com o prefeito Luciano Cartaxo tem dificultado o projeto de Rodrigues. Em janeiro ele anuncia qual será o seu papel no pleito de 2018.

José Maranhão (MDB)

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O emedebista tem sido intransigente em relação ao próprio projeto eleitoral. É o único entre os pré-candidatos que não tem nada a perder, já que possui mandato garantido no Senado até 2022. Pode ir para a disputa para fortalecer a chapa do partido ou ser decisivo em um eventual segundo turno. Carregará o peso de ser o candidato do partido do impopular e radioativo Michel Temer. Em relação às chances de vitória, dificilmente terá viabilidade eleitoral. Isso, para quem está em um partido dividido, nem sempre é o mais importante.

Para o Senado

Ricardo Coutinho (PSB)

Foto: José Marques/Secom-PB

Tem dito a todo mundo que não é candidato, porém, ninguém acredita nisso entre os aliados e adversários. É um nome forte para conseguir uma vaga no Senado no ano que vem.

Cássio Cunha Lima (PSDB)

Detentor de mandato atualmente, vai tentar a reeleição. Mais recentemente, se afastou o presidente Michel Temer e de Aécio Neves, de quem era grande amigo. O senador também não quer saber de entrar em bola dividida em relação à agenda de reformas do governo federal. Tem nome forte e grande chance de renovar o mandato, caso não haja grandes intercorrências.

Raimundo Lira (MDB)

Foto: Divulgação/Senado

Chegou ao cargo graças à renúncia de Vital do Rêgo para assumir vaga no Tribunal de Contas da União. Tem um trabalho intenso na busca por recursos para os municípios paraibanos, porém, possui pouca densidade eleitoral. Só deve investir na reeleição caso perceba reais chances na disputa. O fato de liderar o MDB no Senado, com canal direto com Michel Temer também será um dificultador.

Luiz Couto (PT)

Foto: Kleide Teixeira

Por estratégia do partido, tende a trocar a eleição certa para a Câmara dos Deputados pela aventura de uma disputa para o Senado. Terá dificuldades para ser eleito devido à forte concorrência.

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