O PSDB, suas muitas contradições e as eleições de 2018

Em meio a crise de identidade, partido confirma neste sábado Geraldo Alckmin como presidente

Geraldo Alckmin posa para fotos em frente ao canal da transposição, depois do empréstimo dos motores da Sabesp. Imagem: Reprodução/Facebook

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assume o comando do PSDB neste sábado (9) no momento de maior crise de identidade do partido. Os tucanos não sabem mais se são governo, oposição e, sequer, se apoiadores das reformas chanceladas por Michel Temer (PMDB). E tem motivo de ser: uma parcela significativa do partido teme não conseguir ser reeleita em 2018. O plano presidencial do partido, quase conseguido em 2014, agora é visto como realidade muito distante. A bandeira da honestidade, usada no confronto com os petistas, foi empacotada em malas de R$ 500 mil. A cartada final rumo ao fundo do poço foi o esforço para salvar o pescoço do presidente licenciado da sigla, o senador mineiro Aécio Neves.

Aécio, diga-se de passagem, vai comparecer ao congresso do partido neste sábado apenas para votar. Para não constranger os colegas, não estará presente na foto oficial. Dono de mais de 50 milhões de votos em 2014, hoje enfrentaria dificuldades para se eleger deputado em Minas Gerais. Aécio foi denunciado nas delações da Odebrecht e flagrado no grampo do empresário Joesley Batista, da JBS. Teria pedido, segundo as investigações, R$ 2 milhões ao executivo da J&F. O paladino do embate com os petistas é alvo de oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de corrupção passiva, entre outros crimes. E não apenas isso. Chegou a ser impedido de exercer o mandato no Senado e de sair de casa à noite por causa de medidas cautelares. Só não foi preso por conta do mandato.

Virando a página Aécio Neves, chegamos a outras grandes contradições do partido. A sigla, que não consegue mais do que traço nas pesquisas, não sabe se é aliada ou adversária do governo de Michel Temer. O partido que foi sócio da retirada de Dilma Rousseff (PT) do poder, agora tenta escapar da impopularidade do governo do peemedebista. No bojo desta fuga vale até se contrapor ou fugir das reformas defendidas no plano de governo tucano. Tirando alguns expoentes, não se vê tucanos defendendo mais a Reforma da Previdência. A sigla não quer fechar questão e deve entregar menos votos que o esperado por Temer. Dos quatro ministérios, os tucanos já entregaram dois. Saíram Bruno Araújo (PE) e Antônio Imbassahy.

Do ponto de vista eleitoral, nem o prefeito João Dória (SP) chegou a emplacar dois dígitos. O novo “salvador” do partido, Alckmin, também não sabe o que é isso. O maior adversário dos tucanos, atualmente, não é o ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas. Trata-se do deputado federal Jair Bolsonaro, que ainda nem sabe por qual partido vai disputar as eleições. Está no PSC e namora com o Patriotas. O ex-militar abocanhou para si a parcela do eleitorado mais conservadora, tradicionalmente alinhada com os tucanos. Eles agora têm um candidato que não se esconde na hora de defender ideais como o fim do Estatuto do Desarmamento e ataca as minorias. Aos tucanos e suas contradições, resta agora um longo caminho de recuperação. O detalhe é que pode não dar tempo de fazer isso até 2018.

comentários - O PSDB, suas muitas contradições e as eleições de 2018

  1. Os tucanos vão ter de trabalhar muito a sua imagem perante a opinião pública nos próximos meses, se quiserem recuperar os seguidores e simpatizantes que perderam com a sua postura antidemocrática nos últimos 3 anos.

    Pesquisa encomendada pelo DEM no final de setembro, aponta que PSDB é hoje o partido mais rejeitado do País. Segundo a pesquisa, o PSDB é rejeitado por 75% do eleitorado brasileiro.

    Na minha opinião, isso é reflexo da sua infeliz aliança com o PMDB de Temer, bem como, reflexo do escândalo protagonizado pela sua estrela maior que era, até bem pouco tempo, o senador Aécio Neves, cuja permanência no cargo de senador, apesar de legal, afigura-se como imoral para grande parte da população brasileira.

    O que os tucanos precisam fazer agora, se quiserem recuperar pelo menos um pouco dos seus ex-seguidores, é apresentar ao povo, sem demagogia e sem enrolação, o um programa robusto de governo para o Brasil, para o caso de uma eventual volta da legenda ao poder em 2018, procurando daqui pra frente promover um debate de alto nível, frutífero e democrático sobre as principais demandas do país, sem ofensas a outros partidos, respeitando de forma republicana e civilizada os demais candidatos ao Palácio do Planalto, incluindo o Lula, que segundo as recentes pesquisas de intenções de voto para 2018, lidera em 1º lugar.

    Caso o PSDB não promova a partir de agora um debate sério e proveitoso no âmbito da política nacional, estará fadado a uma derrota avassaladora nas eleições que se avizinham. As pesquisas de intenções de voto podem até não ser perfeitas, mas sempre se aproximam dos números finais. Os tucanos sabem disso e já começaram a agir para tentar mudar sua avaliação junto à opinião pública.

    Os tucanos têm pouco tempo para desvencilharem a sua imagem da figura do Temer, um presidente rejeitado por 95% da população, tido por muitos como vilão da classe trabalhadora e inimigo algoz do povo brasileiro.

    É justamente esse rótulo de “aliado do Temer” que mais impactou negativamente a sigla e do qual mais precisam se desgarrar se quiserem recobrar sua imagem tão desgastada nos últimos anos, junto à opinião pública.
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    Por outro lado, a tática de bater no Lula também não vai adiantar. Dória fez isso e perdeu. Pelo jeito, Geraldo Alckmin pretende seguir pelo mesmo caminho do Dória, atacando e batendo no ex-presidente Lula como, aliás, se viu no seu 1º discurso após ser eleito presidente da legenda, neste sábado (9).

    A verdade é que, seja Bolsonaro, Alckmin ou qualquer outro candidato, todos sabem que só conseguirão vencer o Lula se for no tapetão. Nas urnas, dificilmente o vencerão !!

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